Posto aqui cometários pessoais sobre acontecimentos e outras reflexões que ligo à ufologia - pela qual nutro várias simpatias. Com apreensão, observo cada vez mais o interesse e o estudo sobre vida e a inteligência fora da Terra e além da humanidade derivar, dentro dos meios chamados "ufológicos", para as mais tacanhas formas de crendice e superstição, reforçando o obscurantismo, a irracionalidade, o fundamentalismo religioso e a pseudociência.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Conexão Ufo - O fim do mundo virou samba
Dia desses voltei a lembrar, saudoso, do programa de rádio, aqui em Santa Cruz do Sul, o “Conexão Ufo” – criado pelo Rafael “Bala” Amorim e pelo querido Xuxu, que já atuava na emissora – a Rádio Comunitária, FM 105,9MHz.
Várias pessoas participaram da empreitada ao longo da trajetória do programa, sempre capitaneada pelo Rafa. Lembro aqui do Alexandre Fox, que, com sua ponderação característica, dava um lastro técnico ao programa, além de emprestar sua indignação opinativa em relação, por exemplo, aos descalabros em nossa República das Bananas.
No programa, eu fazia alguns comentários, ao estilo desses mails que envio para lista – e posto no blog “Alerta Ufo Brasil”. Aliás, o blog é consequência da minha impossibilidade de continuar no programa, hoje, lamentavelmente, em hibernação. Pois acabei criando o espaço na web para continuar com minhas xaropadas.
Bom, lembrei do “Conexão” porque fiz uma limpa em minhas pastas de clipagens, que usava como mote às minhas “intervenções” no programa. Ao longo de cerca de três/quatro anos, “juntei” umas dez pastas bem cheias de recortes de jornal, páginas de revistas, folhas impressas de matérias tiradas da internet e anotações sobre uma variedade de assuntos. Me dei conta do quanto era diversificada e rica a nossa (do grupo todo) “abordagem ufológica” no Conexão, onde falávamos até de...
SAMBA!
Lá por março de 2009, trouxe uma matéria sobre uma composição do baiano, radicado no Rio de Janeiro, Assis Valente (na foto acima), chamada “E o mundo Não se Acabou”. Foi composta em 1938, mesmo ano em que Orson Welles causou pânico nos EUA ao veicular na forma de um radioteatro “A Guerra dos Mundos”, ficção aterrorizante de H.G. Wells, como ressaltava o jornalista Renato Mendonça (Segundo Caderno do jornal Zero Hora, de 10/03/2009).
Usei a matéria para falarmos MAIS UMA VEZ sobre profecias e outras fajutagens apocalípticas... A letra se refere a um rapaz, que acaba, por conta de que “anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar”, se metendo em várias confusões, que ele terá de resolver, já que nenhuma catástrofe ocorreu e o planeta continuava em seu giro corriqueiro...
Obviamente que a canção é uma “tiração de sarro”. Já nos anos de 1930 pessoas suficientemente crédulas se apavoravam com vaticínios de profetas do Armagedom.
No campo da ufologia temos vários exemplos desses tipos de pregadores – alguns apenas cômicos, alguns outros, trágicos, por conta de morte de pessoas, caso de suicídios coletivos, à espera de resgate por discos voadores...
Mas voltando ao samba, muitos de nós conhecemos canções de Assis Valente. Ele é autor de “Cai, cai Balão” e Boas Festas (“Já faz tempo que eu pedi / Mas o meu Papai Noel não Vem...”). Abaixo, seguem a letra e o samba na interpretação de Carmen Miranda, que gravou outras composições do mesmo autor (vale também pelo vídeo, que traz trechos de vários musicais da rapariga das frutas tropicais na cabeça).
Até!
Iuri
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Carmem Miranda interpreta O Mundo Não se Acabou, de Assis Valente:
http://www.youtube.com/watch?v=5GxA4Elbx80
Letra:
O Mundo Não Se Acabou
Assis Valente
Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou
segunda-feira, 11 de março de 2013
A façanha de Thor Heyerdahl - a ciência como uma aventura
Vocês já devem ter ouvido falar do cientista-explorador norueguês Thor Heyerdahl. Entre outras façanhas, a mais famosas foi, em 1947, a de ter comandado uma jangada que saiu do Peru até a Polinésia, dando sustentação à evidência de que houve uma migração, via mar, de povos pré-colombianos da América do Sul a arquipélagos em meio ao Oceano Pacífico, caso do Thaiti.
Pois tal feito virou filme, “Kon-Tiki” (nome da embarcação, em referência a um deus Inca) esteve concorrendo ao Oscar. Um treiler está no link abaixo no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=rUnmjQJHRP4
Na matéria que saiu no site da revista Ciência Hoje é dito o seguinte, numa separata da matéria:
“Houve um tempo em que ser cientista era, entre outras coisas, lançar-se a temíveis jornadas de exploração. Essa espécie de ciência-aventura era típica nos séculos 18 e 19, tendo perdurado com razoável vigor até princípios do 20 – afinal, a Terra ainda não havia sido inteiramente explorada. Foi a época áurea dos grandes naturalistas, como Alexander von Humboldt (1769-1859), Alfred Wallace (1823-1913), Johann Baptiste von Spix (1781-1826), Carl von Martius (1794-1868), entre tantos outros. Eram homens de saberes ecléticos, representantes de um tempo em que a ciência ainda não havia sido domada pela ditadura epistemológica da fragmentação do saber.”
A matéria inteira, com vários detalhes sobre “o zoólogo, geógrafo e etnógrafo Thor Heyerdahl” pode ser acessada no seguinte endereço:
http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2013/02/a-epica-travessia-de-thor-heyerdahl
Talvez o filme seja um antídoto ao modo burocrático e comercialesco que boa parte das pesquisas científicas caíram, desestimulando muita gente, jovens, principalmente, que já não vêm aventura alguma em buscar conhecimentos, criar teorias e testar hipóteses.
Além do filme, existe em português o livro “A expedição Kon-Tiki ”, escrita pelo próprio Thor. Pelo que pude ler (e ver pelas fotos), é uma leitura excelente.
Fica a dica de pesquisa, filme e livro.
* Na imagem (divulgação) em anexo, Thor datilografando a bordo da jangada, a embarcação Kon-Tiki, navegando no Pacífico.
** Thor foi, mesmo, um “cientista a moda antiga”, quando buscar o conhecimento era uma aventura que envolvia as “entranhas” e um amplo saber, além de uma imensa curiosidade, antes de tudo, aliás.
Papa das contradições
O papa se despede e parte dos palacetes do Vaticano em um super helicóptero das Forças Armadas italianas para passar alguns meses descansando em Castel Gandolfo, um lugar paradisíaco, “residência de verão dos pontífices”, de arquitetura clássica, decoração primorosa, com grande estafe de serviçais e uma vista de tirar o fôlego. Toda manobra de deslocamento foi feita dentro de uma logística milimétrica, com um aparato de segurança que movimentou centenas de pessoas altamente treinadas e prontas para abater qualquer um que tivesse loucura suficiente para tentar qualquer agressão ao ex-representante de Deus na Terra...
Mas não é só esses fatos ostentatórios que entram em choque com a instituição que pretende ser a mais antiga, a mais legítima e digna representante de um pobríssimo aprendiz de carpinteiro e seus rudes apóstolos pescadores, iniciadores de uma nova seita judia, que passou a ser conhecida como cristianismo. Todos parecem ter sido paupérrimos a vida inteira, até a hora de suas terríveis mortes, como dão a entender os Evangelhos. O uso do caríssimo helicóptero também é uma contradição para uma instituição que por quase dois milênios tentou/tenta sufocar o pensamento científico, em nome de seu dogmatismo e, mais que isso, pelo controle do poder sobre as mentes e corpos do rebanho humano... Óbvio que chega a certa altura e a Igreja acaba se rendendo, “aderindo” aos avanços tecnológicos, sem abrir mão do seu inerente obscurantismo anticientífico. O uso do helicóptero é um dos muitos exemplos.
É notório que muitíssimos avanços se deram “apesar” da feroz oposição da Igreja ao pensamento livre, à especulação que foge das interpretações oficiais da geriatria machocêntria, ao patriarcalismo que controla algo, observem, fundado por jovens contestadores (Jesus morre no auge dos 33 anos – e os apóstolos, se pode supor, tinham idades em torno disso quando aderiram às ideias de Jesus). Entretanto, um Papa só poderá ter em torno de 70 anos e toda a hierarquia maior está bem além dos 50 anos de vida. Não é só as mulheres que são vetadas radicalmente nos cargos de poder da Igreja; os jovens também estão fora das grandes decisões católicas – são tratadas como seres abestalhados, sem “capacidade suficiente”.
Enfim, para o Papa embarcar no helicóptero e deslocar-se com rapidez, agilidade e segurança até a nababesca propriedade da sua Igreja, muitos pensadores, inventores, filósofos e cientistas foram torturados ou mortos barbaramente, além dos incontáveis que foram calados, amordaçados ou podado antes mesmo de desenvolverem seus potenciais por conta da violência sectária do poder católico. Todas essa repressão cruel, sofrimentos e mortes não parecem constranger o Papa, aboletado no poderoso modelo de aeronave, rumo às férias...
Infelizmente, tais reflexões e tais contradições não são levantadas – nem pelo pontífice e, muito menos, pela maioria de nós, pobres mortais. Como vivemos alienados, sem consciência dos meandros das coisas; até mesmo sem vontade de saber, de conhecer; sem curiosidade em amplo sentido; além de sedentos de acalentos que nos poupem das verdades cruéis do mundo real e do abismo da morte física; como vivemos assim, na superfície das coisas e encagaçados, nos tornamos refratários a qualquer ameaça às recompensas dadas pelas “certezas” de igrejas e instituições assemelhadas. Crer, sem questionar, é, mesmo, bem mais fácil, como diz Michael Shermer.
***Comentário complementar: Eu também fui criado católico, com comunhão e crisma. No final da adolescência, já estava renegando... Minhas duas filhas não são batizadas em igreja alguma e, ao menos isso, vou deixá-las livres para escolher se entram ou não em alguma igreja. Aliás, para as mulheres, a igreja católica é um lugar horripilante, que deveria ser execrado publicamente, pela posição subalterna que são colocadas, submetidas a um “papa”, onde jamais haverá uma “mama”; onde não podem rezar missa, apenas ser serviçais em alguma clausura, como freiras ou monjas, totalmente reprimidas sexual e intelectualmente. O patriarcalismo em sua pior faceta. Triste ver que tal ideologia obscura e opressora da Idade Média ainda perdure com força.
segunda-feira, 4 de março de 2013
Ameaças do espaço...
Até um tempo atrás, meteoros, satélites avariados ou outros objetos - natuarais ou artificiais - vindos do espaço sideral, atingindo fatalmente a Terra, eram algo considerado como “ficção científica” – uma enorme improbabilidade no “mundo real”.
Mas o acontecido na Rússia dias atrás está colocando nossas barbas de molho... Não, não é só em pocket books e blockboosters (além do bíblico Livro do Apocalipse) que “tragédias vindas do espaço” acontecem.
A própria teoria do meteoro (ou asteroide em rota de colisão) caído na terra há bilhões de anos, que acabou implicando em mudanças climáticas radicais, inviabilizando a continuidade da vida de diversas espécies (caso dos dinossauros), inaugurando um outro cenário da vida no Planeta, ganhou relevância e uma consideração mais séria.
Até mesmo a ONU evidenciou a preocupação. Além de tempestades, furacões, erupção de vulcões, terremotos, enchentes, secas, há outros fenômenos naturais igualmente ameaçadores. E no caso dos meteoros, a situação envolve, necessariamente, o globo terrestre como um todo.
Talvez seja a possibilidade de desgraça que mais uma a humanidade, já que qualquer ponto do planeta pode ser atingido. Ninguém, nenhum lugar está imune.
Também é um tipo de catástrofe que depende imensamente da tecnologia e da ciência para ser detectada e, talvez, evitada – ou ao menos minimizada, retirando-se a população, fragmentando o corpo celeste ainda em voo ou outros tipos de ações que exigem, em primeiro lugar, um grande sistema de vigilância espacial.
A falha na detecção do meteoro russo é um indicativo que existem falhas, furos, ou melhor, rombos. Será preciso aperfeiçoar e coordenar ações. Daí a proposta da ONU. Segue abaixo a notícia com mais detalhes.
*Na foto acima (divulgada pela Nasa), o asteroide Vesta. Abaixo, um post com mais informações interessantes sobre esse corpo celeste e as pesquisas em curso.
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JC e-mail 4670, de 22 de Fevereiro de 2013.
ONU diz que ameaça de meteoros exige coordenação mundial
A Equipe de Ação recomendou a criação de uma Rede Internacional de Alerta de Asteroide, que reunirá cientistas do mundo inteiro
A ONU afirmou que a ameaça de meteoros que podem atingir a Terra exige uma coordenação internacional para enfrentar o problema. A conclusão é da equipe de ação sobre objetos espaciais do Escritório para Assuntos Espaciais da ONU, Unoosa.
Projeto - Segundo o chefe do grupo, também conhecido como Equipe de Ação 14, Sergio Camacho, se este mecanismo de coordenação estivesse em funcionamento a população não teria sido pega de surpresa no caso do meteoro na Rússia.
Na sexta-feira passada, um asteroide atingiu a região de Chelyabinsk, causando danos e ferindo muitas pessoas.
Sistema - A Equipe de Ação recomendou a criação de uma Rede Internacional de Alerta de Asteroide, que reunirá cientistas do mundo inteiro. A meta é descobrir e acompanhar a trajetória de objetos espaciais que possam atingir o planeta.
Com base nesses dados, os analistas terão condições de alertar a população sobre os possíveis impactos.
Ameaça - No mesmo dia em que um meteoro atingiu a Rússia, um outro asteroide passou perto da Terra e chamou a atenção dos cientistas.
O asteroide, do tamanho de um prédio, chegou a 27 mil km do planeta. A distância pode parecer grande para a população comum mas para os especialistas virou motivo de alerta porque ele atravessou a órbita onde estão vários satélites de comunicação.
Desde 1995, o Escritório da ONU tem demonstrado preocupação com o assunto, dada a devastação potencial que um objeto dessa magnitude pode causar ao se chocar contra a Terra e, também, dos recursos necessários para evitar essa colisão.
(Rádio ONU)
FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br
***Sobre o asteroide Vesta:
O asteróide gigante Vesta, que possui 520km de diâmetro e é o terceiro maior do Sistema Solar, passará a 188 milhões de quilômetros da Terra em 16 de julho próximo e será acompanhado pela sonda Dawn. Lançada em setembro de 2007 a Dawn tem por finalidade revelar os segredos ocultos de nosso Sistema Solar e deverá percorrer mais de 5 bilhões de quilômetros até o fim de sua solitária jornada que estudará em primeiro plano o asteróide Vesta e o planeta-anão Ceres, onde chegará em 2015.
Segundo astrônomos e cientistas o objeto não representa risco para a Terra porque passará muito longe de nós. Ainda assim, não se tem leituras totalmente corretas sobre o comportamento do corpo celeste próximo a grandes campos gravitacionais como o da Terra.
No caso remoto de uma colisão, o Vesta seria visto e ouvido com clareza cerca de 1 hora antes do impacto. Sua explosão ao atingir o planeta seria equivalente a mais de 100 milhões de bombas atômicas (o meteoro que exterminou os dinossauros tinha 100km de diâmetro e força de 20 milhões de bombas atômicas).
Postado por Diego Cryptkeeper
FONTE do post: http://21dedezembro2012.blogspot.com.br
Milhões de seres desconhecidos
Nós que temos interesse no campo designado “ufológico” seguidamente não nos damos conta de quanto e como desconhecemos os seres “daqui mesmo”, terráqueos, com os quais convivemos nesta nave-mãe. Desconhecemos não só em termos qualitativos – biologicamente falando – , mas quantitativamente, porque a imensidão de espécies é quase inacreditável e assustadora. Estima-se que ao menos 12 milhões de espécies que não estão sequer catalogadas, que dirá estudadas ao menos em aspectos mais básicos. 70%, ou seja, bem mais do que a metade dos seres vivos da Terra não são conhecidos!
Faltam recursos financeiros e humanos para tal empreendimento. Óbvio que se não se gastasse, por exemplo, em armamentos, isso seria imensamente facilitado. Mas a “vontade de poder” parece dominar uma rede de interesses que implicam num constante e cada vez mais difuso bangue-bangue, sem possibilidades de saber quem são os mocinhos e os bandidos da história. Todos se armam até os dentes e continuamos matando e morrendo por mandos territoriais, acesso a recursos naturais e domínio de populações, como o faziam os caçadores-coletores das savanas por milhares de anos.
Segunda a reportagem abaixo, “seriam necessários de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por ano, durante 50 anos, para descrever a maioria das espécies do planeta”. Uma fábula de dinheiro... Só que tal quantidade “corresponde ao que se gasta no mundo com armamento em apenas cinco dias”... No mundo, apenas contabilizando o ano de 2011, “foram gastos US$ 1,7 trilhão com a compra de armas”...
Civilização é isto! Alguém tem dúvida de que, apesar de Iphones e robôs em Marte, ainda somos tão, ou melhor, bem mais violentos e sanguinários que os chipanzés em suas disputas de liderança e vantagens exclusivistas no grupo?
Segue a matéria clipada pelo site Planeta Universitário.
*Na foto acima (divulgação), uma criatura que habita as partes mais abissais dos ocenaos terráqueos.
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Ao menos 70% das espécies da Terra são desconhecidas
Embora o conhecimento sobre a biodiversidade do planeta ainda esteja muito fragmentado, estima-se que já tenham sido descritos aproximadamente 1,75 milhão de espécies diferentes de seres vivos – incluindo microrganismos, plantas e animais. O número pode impressionar os mais desavisados, mas representa, nas hipóteses mais otimistas, apenas 30% das formas de vida existentes na Terra. “Estima-se que existam outros 12 milhões de espécies ainda por serem descobertas”, disse Thomas Lewinsohn, professor do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante a apresentação que deu início ao Ciclo de Conferências 2013 organizado pelo programa BIOTA-FAPESP com o intuito de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência.
Mas como avaliar o tamanho do desconhecimento sobre a biodiversidade? “Para isso, fazemos extrapolações, tomando como base os grupos de organismos mais bem estudados para avaliar os menos estudados. Regiões ou países em que a biota é bem conhecida para avaliar onde é menos conhecida. Por regra de três chegamos a essas estimativas”, explicou.
Técnicas mais recentes, segundo Lewinsohn, usam fórmulas estatísticas sofisticadas e se baseiam nas taxas de descobertas e de descrição de novas espécies. Os valores são ajustados de acordo com a força de trabalho existente, ou seja, o número de taxonomistas em atividade.
“No entanto, o mais importante a dizer é: não há consenso. As estimativas podem chegar a mais de 100 milhões de espécies desconhecidas. Não sabemos nem a ordem de grandeza e isso é espantoso”, disse.
Lewinsohn avalia que, para descrever todas as espécies que se estima haver no Brasil, seriam necessários cerca de 2 mil anos. “Para descrever todas as espécies do mundo o número seria parecido. Mas não temos esse tempo”, disse.
Algumas técnicas recentes de taxonomia molecular, como código de barras de DNA, podem ajudar a acelerar o trabalho, pois permitem identificar organismos por meio da análise de seu material genético. Por esse método, cadeias diferentes de DNA diferenciam as espécies, enquanto na taxonomia clássica a classificação é baseada na morfologia dos seres vivos, o que é bem mais trabalhoso.
“Dá para fazer? Sim, mas qual é o custo?”, questionou Lewinsohn. Um artigo publicado recentemente na revista Science apontou que seriam necessários de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por ano, durante 50 anos, para descrever a maioria das espécies do planeta.
Novamente, o número pode assustar os desavisados, mas, de acordo com Lewinsohn, o montante corresponde ao que se gasta no mundo com armamento em apenas cinco dias. “Somente em 2011 foram gastos US$ 1,7 trilhão com a compra de armas. É preciso colocar as coisas em perspectiva”, defendeu.
Definindo prioridades
Muitas dessas espécies desconhecidas, porém, podem desaparecer do planeta antes mesmo que o homem tenha tempo e dinheiro suficiente para estudá-las. Segundo dados apresentados por Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), mais de 50% da superfície terrestre já foi transformada pelo homem.
Essa alteração na paisagem tem muitas consequências e Metzger abordou duas delas na segunda apresentação do dia: a perda de habitat e a fragmentação.
“São conceitos diferentes, que muitas vezes se confundem. Fragmentação é a subdivisão de um habitat e pode não ocorrer quando o processo de degradação ocorre nas bordas da mata. Já a construção de uma estrada, por exemplo, cria fragmentos isolados dentro do habitat”, explicou.
Para Metzger, a fragmentação é a principal ameaça à biodiversidade, pois altera o equilíbrio entre os processos naturais de extinção de espécies e de colonização. Quanto menor e mais isolado é o fragmento, maior é a taxa de extinção e menor é a de colonização.
“Cada espécie tem uma quantidade mínima de habitat que precisa para sobreviver e se reproduzir. Não conhecemos bem esses limiares de extinção”, alertou.
Metzger acredita que esse limiar pode variar de acordo com a configuração da paisagem, ou seja, quanto mais fragmentado estiver o habitat, maior o risco de extinção de espécies. Como exemplo, ele citou as áreas remanescentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo, onde 95% dos fragmentos têm menos de 100 hectares.
“Estima-se que ao perder 90% do habitat, deveríamos perder 50% das espécies endêmicas. Na Mata Atlântica, há cerca de 16% de floresta remanescente. O esperado seria uma extinção em massa, mas nosso registro tem poucos casos. Ou nossa teoria está errada, ou não estamos detectando as extinções, pois as espécies nem sequer eram conhecidas”, afirmou Metzger.
Há, no entanto, um fator complicador: o período de latência entre a mudança na estrutura paisagem e mudança na estrutura da comunidade. Enquanto as espécies com ciclo curto de vida podem desaparecer rapidamente, aquelas com ciclo de vida longo podem responder à perda de habitat em escala centenária.
“Cria-se um débito de extinção e, mesmo que a alteração na paisagem seja interrompida, algumas espécies ficam fadadas a desaparecer com o tempo”, disse Metzger.
Mas a boa notícia é que as paisagens também se regeneram naturalmente e além do débito de extinção existe o crédito de recuperação. O período de latência representa, portanto, uma oportunidade de conservação.
“Hoje, temos evidências de que não adianta restaurar em qualquer lugar. É preciso definir áreas prioritárias para restauração que otimizem a conectividade e facilitem o fluxo biológico entre os fragmentos”, defendeu Metzger.
Colhendo frutos
Ao longo dos 13 anos de existência do BIOTA-FAPESP, a definição de áreas prioritárias de conservação e de recuperação no Estado de São Paulo foi uma das principais preocupações dos pesquisadores.
Os resultados desses estudos foram usados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente para embasar políticas públicas, como lembrou o coordenador do programa e professor do Instituto de Biologia da Unicamp, Carlos Alfredo Joly, na terceira e última apresentação do dia.
“Atualmente, pelo menos 20 instrumentos legais, entre leis, decretos e resoluções, citam nominalmente os resultados do BIOTA-FAPESP”, disse Joly.
Entre 1999 e 2009, disse o coordenador, houve um investimento anual de R$ 8 milhões no programa. Isso ajudou a financiar 94 projetos de pesquisa e resultou em mais de 700 artigos publicados em 181 periódicos, entre eles Nature e Science.
A equipe do programa também publicou 16 livros e dois atlas, descreveu mais de 2 mil novas espécies, produziu e armazenou informações sobre 12 mil espécies, disponibilizou e conectou digitalmente 35 coleções biológicas paulistas.
“Desde que foi renovado o apoio da FAPESP ao programa, em 2009, a questão da educação se tornou prioridade em nosso plano estratégico. O objetivo deste ciclo de conferências é justamente ampliar a comunicação com públicos além do meio científico, especialmente professores e estudantes”, disse Joly.
A segunda etapa do ciclo de palestras está marcada para 21 de março e terá como tema o “Bioma Pampa”. No dia 18 de abril, será a vez do “Bioma Pantanal”. Em 16 de maio, o tema será “Bioma Cerrado”. Em 20 de junho, será abordado o “Bioma Caatinga”.
Em 22 de agosto, será o “Bioma Mata Atlântica”. Em 19 de setembro, é a vez do “Bioma Amazônia”. Em 24 de outubro, o tema será “Ambientes Marinhos e Costeiros”. Finalizando o ciclo, em 21 de novembro, o tema será “Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais”.
Programação do ciclo: www.fapesp.br/7487
Agência FAPESP
FONTE: http://www.planetauniversitario.com
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
“Crer é muito mais fácil”
Numa troca de e-mail com um amigo escritor, que publicou um livro com relatos sobre golpes do tipo “conto do bilhete”, destaquei (e incrementei) algumas partes das mensagens que enviei a ele. Seguem abaixo.
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E é assim mesmo: o cara está “condicionado” a ver discos voadores; ou o cara morre de vontade de ver algo assim, extraordinário, e qualquer fenômeno não imediatamente identificado se torna um “avistamento de ufo”...
Há ufólogos que lutam contra o amadorismo e crendices nas investigações. Mas a esmagadora maioria dos “adeptos”, pelo que noto, são “crentões” das ideias da “nova era” – e estão longe de uma abordagem de fato científica –, sedentos de algo que substitua as velhas religiões, cada vez mais carcomidas (mesmo que o número de adeptos se expanda).
Tenho um blog, que incialmente tinha uma proposta, mas virou um repositório para textos (comentários pessoais) “alertado” para, justamente, uma perspectiva obscurantista de uma certa abordagem sobre ufos/óvnis e assuntos correlatos, além de propor uma atenção a coisas extremamente interessantes, mas bem mais “pé no chão”. O pontapé para publicar os comentários foi a leitura há não muito tempo daquele livro do finado físico Carl Sagan, “O mundo assombrado pelos demônios – A ciência vista como uma vela no escuro”. Os comentários postados são normalmente e-mails levemente adaptados, que envio ou troco com um pessoal de uma lista. [O blog é este “AlertaOvniBrasil”.]
Ainda falando em “171” – as engambelações que estamos sujeitos enquanto seres ávidos e acríticos diante de supostas maravilhas –, estou lendo uma revista Galileu – de outubro de 2012 – cuja reportagem de capa é “Por que você acredita – seu cérebro é programado para crer. Entenda como isso influencia suas atitudes (superstições, conspirações, astrologia, fim do mundo, destino, espíritos, deus)”.
Tenho aqui até um link para a matéria, caso tu queiras dar uma olhada:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI320171-17579,00-POR+QUE+VOCE+ACREDITA+EM+HOROSCOPO+ESPIRITOS+ETS+E+RELIGIOES.html
Voltando, tenho esta relação com o tema “ufologia” – muito por conta de amigos queridos. Mas ao mesmo tempo que percebo o interesse pelo assunto como algo positivo e estimulante à busca de conhecimentos, e que também pode propiciar um rompimento do pensamento antropocêntrico (o ser humano como centro de tudo, inclusive como a principal preocupação de um suposto criador de tudo que há no universo), vejo o assunto (ufos ou óvnis) ser encarado como uma crendice (obliterante do livre pensamento), estabelecendo-se como uma nova forma de igreja. Como diz a própria reportagem da revista, substituiu-se anjos e demônios por ETs bons e maus... E até Jesus Cristo teria vindo à Terra num disco voador...
Michael Shermer é citado nesta Galileu. Aliás, o seu último lançamento no Brasil – o livro “Cérebro e Crença” – é o mote da reportagem. Eu li semanas atrás boa parte de um livro anterior dele (dos publicados no Brasil), que se chama “Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas”, com o subtítulo “pseudociência, superstição e outras confusões de nossos tempos”.
Shermer diz que
“Faz parte da natureza humana [acreditar]. Não evoluímos para duvidar ou questionar. Desenvolver um senso crítico e uma visão própria de mundo exige educação, reflexão e tempo. Crer é muito mais fácil. As pessoas preferem ser enganadas”.
Especificamente, sobre ufologia, ele diz que
“Nenhuma fotografia pretensamente tirada de um disco voador sobreviveu a um exame detalhado. São todas alegações falsas, montagens feitas para iludir. Embora seja possível que algumas alegações de eventos paranormais, mediúnicos ou ufológicos possam ser verdadeiras, a verdade é que a maior parte delas é falsa”.
O link para a entrevista completa, que saiu na revista Época no ano passado (2012), onde ele fala isso (acima) está reproduzida logo abaixo.
http://www.michaelshermer.com/2012/01/as-pessoas-gostam-de-ser-enganadas/
Comentário posteriores:
*Voltando ao Shermer, tenho que me penitenciar por ter retirado, para tentar sintetizar, um complemento da fala dele na entrevista da Época. Deixei de fora a seguinte finalização da frase:
“(...) e o mais provável é que todas não passem de pura farsa”.
Assim, o trecho que destaquei fica:
“Nenhuma fotografia pretensamente tirada de um disco voador sobreviveu a um exame detalhado. São todas alegações falsas, montagens feitas para iludir. Embora seja possível que algumas alegações de eventos paranormais, mediúnicos ou ufológicos possam ser verdadeiras, a verdade é que a maior parte delas é falsa, e o mais provável é que todas não passem de pura farsa”.
Como indiquei, para quem quiser confirmar, está aqui a entrevista completa:
http://www.michaelshermer.com/2012/01/as-pessoas-gostam-de-ser-enganadas/
Ou seja, Shermer afirma que a probabilidade indica que todas fotos sejam falsas como indicadoras de “discos voadores”, ou seja, veículos supostamente vindos do espaço, de outros planetas.
Já se sabe, por inúmeras meios, que, sim, a maior parte das fotos são de fato falsas. Shermer vai adiante e diz que “o mais provável é que todas não passem de pura farsa”. “Farsa”, montagens ou indução de interpretação de algo que não é, ou que se está “forçando”, a partir do “eu quero acreditar” ao invés do “eu quero saber”. É duro de se admitir, mas como diz o ufólogo português Nuno Silveira, é preciso considerar seriamente o quanto são precários os nossos indicadores, as nossas “provas”, com um histórico absurdo de engodos, cretinices e, até, canalhices descaradas.
Não sei detalhes sobre os levantamentos, investigações, pesquisas de Shermer sobre o tema “ufo”. Na obra que eu li dele, “Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas”, há um capítulo específico e uma extensa bibliografia e percebe-se, além de experiência de vida, uma grande erudição, fruto, talvez, de sua longa trajetória de professor de História da Ciência (Claremont University e Chapman Univesrity), palestrante em eventos como o Fronteiras do Pensamento (hoje o maior ciclo de conferências da América Latina, com os expoentes mundiais em artes, filosofia e ciências), articulista da revista Scientific American, entre outras credenciais nada desprezíveis.
Mas é muito bom que a gente tenha contrapontos e me honra muito receber considerações, mesmo quando contrariam as minhas ideias. Só assim se pode “voltar atrás” ou aperfeiçoar as nossas concepções. O pior de tudo, acho eu, é aferrar-se a uma visão, sem a disposição de debate-las francamente, similar a um devoto de uma seita fundamentalista, que se ofende com qualquer tipo de questionamento.
**Para continuar o debate envolvendo a posição de alguns cientistas, a partir da conversa com o Daniel (em 24/01 – conforme a mensagem mais abaixo).
Aliás, falo propositalmente em “alguns cientistas” porque não se pode generalizar. Como tenho conversado com o Rafa, uma coisa é a Ciência e seu “estado da arte” contemporâneo, sua metodologia, sua permanente autofiscalização e mudanças na medida que surgem novas teorias e instrumentos de verificação; outra coisa é a posição de um cientista “a”, “b”, “c” etc. Podem haver opiniões diferentes, equívocos, simpatias, antipatias, afinal são seres humanos naturalmente falíveis e suscetíveis a humores. “Cada cabeça, uma sentença”, diz o ditado. Isso vale para qualquer indivíduo – cientista, pipoqueiro, jogador de futebol, padre etc.
Eu já li algumas coisas do Marcelo Glaser, alguém, um brasileiro que está na ponta mundial quando se fala em astrofísica. Não deve ser por nada que pesquisou para a NASA e Kavli Institute for Theoretical Physics, dando aulas em educandários como o Dartmouth College e a UFRJ. Mas, com certeza, erudição e credenciais acadêmicas não significam estar imune a equívocos. Entretanto, no caso do Glaser, para alguém que a vida toda tem estudado profundamente as questões da física, do espaço, da astronomia, da astrofísica, da própria exobiologia, acho que não dá para desconsiderá-lo em seu ponto de vista, mesmo que frontalmente contrário ao que possamos ter. Qual seria, mesmo, o seu “erro”?
Interessante que outro astrofísico de renome, Carl Sagan, seja visto com simpatia por muitos ufólogos. Sagan se posicionou frontalmente contra a ideia de discos voadores, ETs, abduções conforme os relatos “clássicos” que existem por aí. Para mim, TODA PESSOA INTERESSADA EM UFOLOGIA deveria ler – em especial os capítulos específicos em torno do tema – o livro de Sagan “O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS: A Ciência Vista como uma Vela no Escuro”.
Eis uma resenha muito boa: http://www.comciencia.br/resenhas/carl.htm
O livro, como todas as obras de Sagan, é muito agradável e acessível, mesmo quando lida com aspectos mais abstratos ou técnicos. E o que ele afirma, em síntese, similarmente ao Shermer, é que não existe evidência concreta alguma sobre naves e seres extraterrestres; ele faz um esforço danado para mostrar o quanto é pernicioso considerar como “certo” o que é apenas “relato” ou “exercício hipotético”, construindo-se uma pseudociência ou endossando crendices travestidas de “algo profundo”; como alega Sagan, isso pode estar nos levando a um retrocesso, a uma volta a um tempo “de trevas”, de irracionalismos, de repressão ao desenvolvimento do pensamento, do conhecimento humano e do próprio desfrute da vida; quando penso no Projeto Portal, é exatamente isso que me parece estar ocorrendo: gente aderindo as mais esfarrapadas teses, sustentadas por armações para pegar incautos “loucos para acreditar”.
***O livro mais bonito do Sagan talvez seja Um Pálido Ponto Azul – até pela encadernação, fotos etc.
Mas “O Mundo Assombrado...”, como eu disse, acho que vale a pena o esforço – pelas argumentações do Sagan, este cara muito cultuado por ufólogos, mas que poucos o leram, a não ser algumas frases soltas e alguns capítulos da série Cosmos. Todo caso, talvez seja cientista mais importante para as pesquisas sobre vida extraterrestre. Uma pena que morreu cedo... Um baita mestre.
Há muitas coisas na vida que não há – nem é preciso – provar, já que são, por exemplo, sentimentos, como a compaixão. Mas quando estamos querendo fazer pesquisa ufológica (assim com se faz pesquisa biológica) não há como escapar da metodologia científica, das comprovações. Caso contrário, será outra coisa que estamos fazendo: culto a ETs, culto a discos voadores, culto a Asthar Sharan etc. É o que eu acho.
Pois é. Copérnico lutou contra o obscurantismo da igreja; lutou contra a crendice, o dogmatismo; teve que vencer a perseguição a quem pensava racionalmente. Estudiosos sérios sobre vida extraterrestre têm de lutar contra a crendice de ufólatras, que não abrem mão da ideia que discos voadores e ETs são reais, irrefutáveis... A Ufologia pode ser a nova igreja repressora do século XXI... Hehe!!
E crer é mais difícil, sim, concordo – em vários casos. Tem coisas “tipo” a concepção de uma virgem, tomada de forma literal, um dos cernes da crença cristã (os católicos chamam isso de “mistérios”, para não dizerem “lorotas”- hehe!!). É preciso muita coragem para defender tal “acontecimento” hoje em dia; de fato, é difícil apoiar disparates tão grandes; no caso, é mais fácil (e mais correto!) não acreditar.
****************
E é assim mesmo: o cara está “condicionado” a ver discos voadores; ou o cara morre de vontade de ver algo assim, extraordinário, e qualquer fenômeno não imediatamente identificado se torna um “avistamento de ufo”...
Há ufólogos que lutam contra o amadorismo e crendices nas investigações. Mas a esmagadora maioria dos “adeptos”, pelo que noto, são “crentões” das ideias da “nova era” – e estão longe de uma abordagem de fato científica –, sedentos de algo que substitua as velhas religiões, cada vez mais carcomidas (mesmo que o número de adeptos se expanda).
Tenho um blog, que incialmente tinha uma proposta, mas virou um repositório para textos (comentários pessoais) “alertado” para, justamente, uma perspectiva obscurantista de uma certa abordagem sobre ufos/óvnis e assuntos correlatos, além de propor uma atenção a coisas extremamente interessantes, mas bem mais “pé no chão”. O pontapé para publicar os comentários foi a leitura há não muito tempo daquele livro do finado físico Carl Sagan, “O mundo assombrado pelos demônios – A ciência vista como uma vela no escuro”. Os comentários postados são normalmente e-mails levemente adaptados, que envio ou troco com um pessoal de uma lista. [O blog é este “AlertaOvniBrasil”.]
Ainda falando em “171” – as engambelações que estamos sujeitos enquanto seres ávidos e acríticos diante de supostas maravilhas –, estou lendo uma revista Galileu – de outubro de 2012 – cuja reportagem de capa é “Por que você acredita – seu cérebro é programado para crer. Entenda como isso influencia suas atitudes (superstições, conspirações, astrologia, fim do mundo, destino, espíritos, deus)”.
Tenho aqui até um link para a matéria, caso tu queiras dar uma olhada:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI320171-17579,00-POR+QUE+VOCE+ACREDITA+EM+HOROSCOPO+ESPIRITOS+ETS+E+RELIGIOES.html
Voltando, tenho esta relação com o tema “ufologia” – muito por conta de amigos queridos. Mas ao mesmo tempo que percebo o interesse pelo assunto como algo positivo e estimulante à busca de conhecimentos, e que também pode propiciar um rompimento do pensamento antropocêntrico (o ser humano como centro de tudo, inclusive como a principal preocupação de um suposto criador de tudo que há no universo), vejo o assunto (ufos ou óvnis) ser encarado como uma crendice (obliterante do livre pensamento), estabelecendo-se como uma nova forma de igreja. Como diz a própria reportagem da revista, substituiu-se anjos e demônios por ETs bons e maus... E até Jesus Cristo teria vindo à Terra num disco voador...
Michael Shermer é citado nesta Galileu. Aliás, o seu último lançamento no Brasil – o livro “Cérebro e Crença” – é o mote da reportagem. Eu li semanas atrás boa parte de um livro anterior dele (dos publicados no Brasil), que se chama “Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas”, com o subtítulo “pseudociência, superstição e outras confusões de nossos tempos”.
Shermer diz que
“Faz parte da natureza humana [acreditar]. Não evoluímos para duvidar ou questionar. Desenvolver um senso crítico e uma visão própria de mundo exige educação, reflexão e tempo. Crer é muito mais fácil. As pessoas preferem ser enganadas”.
Especificamente, sobre ufologia, ele diz que
“Nenhuma fotografia pretensamente tirada de um disco voador sobreviveu a um exame detalhado. São todas alegações falsas, montagens feitas para iludir. Embora seja possível que algumas alegações de eventos paranormais, mediúnicos ou ufológicos possam ser verdadeiras, a verdade é que a maior parte delas é falsa”.
O link para a entrevista completa, que saiu na revista Época no ano passado (2012), onde ele fala isso (acima) está reproduzida logo abaixo.
http://www.michaelshermer.com/2012/01/as-pessoas-gostam-de-ser-enganadas/
Comentário posteriores:
*Voltando ao Shermer, tenho que me penitenciar por ter retirado, para tentar sintetizar, um complemento da fala dele na entrevista da Época. Deixei de fora a seguinte finalização da frase:
“(...) e o mais provável é que todas não passem de pura farsa”.
Assim, o trecho que destaquei fica:
“Nenhuma fotografia pretensamente tirada de um disco voador sobreviveu a um exame detalhado. São todas alegações falsas, montagens feitas para iludir. Embora seja possível que algumas alegações de eventos paranormais, mediúnicos ou ufológicos possam ser verdadeiras, a verdade é que a maior parte delas é falsa, e o mais provável é que todas não passem de pura farsa”.
Como indiquei, para quem quiser confirmar, está aqui a entrevista completa:
http://www.michaelshermer.com/2012/01/as-pessoas-gostam-de-ser-enganadas/
Ou seja, Shermer afirma que a probabilidade indica que todas fotos sejam falsas como indicadoras de “discos voadores”, ou seja, veículos supostamente vindos do espaço, de outros planetas.
Já se sabe, por inúmeras meios, que, sim, a maior parte das fotos são de fato falsas. Shermer vai adiante e diz que “o mais provável é que todas não passem de pura farsa”. “Farsa”, montagens ou indução de interpretação de algo que não é, ou que se está “forçando”, a partir do “eu quero acreditar” ao invés do “eu quero saber”. É duro de se admitir, mas como diz o ufólogo português Nuno Silveira, é preciso considerar seriamente o quanto são precários os nossos indicadores, as nossas “provas”, com um histórico absurdo de engodos, cretinices e, até, canalhices descaradas.
Não sei detalhes sobre os levantamentos, investigações, pesquisas de Shermer sobre o tema “ufo”. Na obra que eu li dele, “Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas”, há um capítulo específico e uma extensa bibliografia e percebe-se, além de experiência de vida, uma grande erudição, fruto, talvez, de sua longa trajetória de professor de História da Ciência (Claremont University e Chapman Univesrity), palestrante em eventos como o Fronteiras do Pensamento (hoje o maior ciclo de conferências da América Latina, com os expoentes mundiais em artes, filosofia e ciências), articulista da revista Scientific American, entre outras credenciais nada desprezíveis.
Mas é muito bom que a gente tenha contrapontos e me honra muito receber considerações, mesmo quando contrariam as minhas ideias. Só assim se pode “voltar atrás” ou aperfeiçoar as nossas concepções. O pior de tudo, acho eu, é aferrar-se a uma visão, sem a disposição de debate-las francamente, similar a um devoto de uma seita fundamentalista, que se ofende com qualquer tipo de questionamento.
**Para continuar o debate envolvendo a posição de alguns cientistas, a partir da conversa com o Daniel (em 24/01 – conforme a mensagem mais abaixo).
Aliás, falo propositalmente em “alguns cientistas” porque não se pode generalizar. Como tenho conversado com o Rafa, uma coisa é a Ciência e seu “estado da arte” contemporâneo, sua metodologia, sua permanente autofiscalização e mudanças na medida que surgem novas teorias e instrumentos de verificação; outra coisa é a posição de um cientista “a”, “b”, “c” etc. Podem haver opiniões diferentes, equívocos, simpatias, antipatias, afinal são seres humanos naturalmente falíveis e suscetíveis a humores. “Cada cabeça, uma sentença”, diz o ditado. Isso vale para qualquer indivíduo – cientista, pipoqueiro, jogador de futebol, padre etc.
Eu já li algumas coisas do Marcelo Glaser, alguém, um brasileiro que está na ponta mundial quando se fala em astrofísica. Não deve ser por nada que pesquisou para a NASA e Kavli Institute for Theoretical Physics, dando aulas em educandários como o Dartmouth College e a UFRJ. Mas, com certeza, erudição e credenciais acadêmicas não significam estar imune a equívocos. Entretanto, no caso do Glaser, para alguém que a vida toda tem estudado profundamente as questões da física, do espaço, da astronomia, da astrofísica, da própria exobiologia, acho que não dá para desconsiderá-lo em seu ponto de vista, mesmo que frontalmente contrário ao que possamos ter. Qual seria, mesmo, o seu “erro”?
Interessante que outro astrofísico de renome, Carl Sagan, seja visto com simpatia por muitos ufólogos. Sagan se posicionou frontalmente contra a ideia de discos voadores, ETs, abduções conforme os relatos “clássicos” que existem por aí. Para mim, TODA PESSOA INTERESSADA EM UFOLOGIA deveria ler – em especial os capítulos específicos em torno do tema – o livro de Sagan “O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS: A Ciência Vista como uma Vela no Escuro”.
Eis uma resenha muito boa: http://www.comciencia.br/resenhas/carl.htm
O livro, como todas as obras de Sagan, é muito agradável e acessível, mesmo quando lida com aspectos mais abstratos ou técnicos. E o que ele afirma, em síntese, similarmente ao Shermer, é que não existe evidência concreta alguma sobre naves e seres extraterrestres; ele faz um esforço danado para mostrar o quanto é pernicioso considerar como “certo” o que é apenas “relato” ou “exercício hipotético”, construindo-se uma pseudociência ou endossando crendices travestidas de “algo profundo”; como alega Sagan, isso pode estar nos levando a um retrocesso, a uma volta a um tempo “de trevas”, de irracionalismos, de repressão ao desenvolvimento do pensamento, do conhecimento humano e do próprio desfrute da vida; quando penso no Projeto Portal, é exatamente isso que me parece estar ocorrendo: gente aderindo as mais esfarrapadas teses, sustentadas por armações para pegar incautos “loucos para acreditar”.
***O livro mais bonito do Sagan talvez seja Um Pálido Ponto Azul – até pela encadernação, fotos etc.
Mas “O Mundo Assombrado...”, como eu disse, acho que vale a pena o esforço – pelas argumentações do Sagan, este cara muito cultuado por ufólogos, mas que poucos o leram, a não ser algumas frases soltas e alguns capítulos da série Cosmos. Todo caso, talvez seja cientista mais importante para as pesquisas sobre vida extraterrestre. Uma pena que morreu cedo... Um baita mestre.
Há muitas coisas na vida que não há – nem é preciso – provar, já que são, por exemplo, sentimentos, como a compaixão. Mas quando estamos querendo fazer pesquisa ufológica (assim com se faz pesquisa biológica) não há como escapar da metodologia científica, das comprovações. Caso contrário, será outra coisa que estamos fazendo: culto a ETs, culto a discos voadores, culto a Asthar Sharan etc. É o que eu acho.
Pois é. Copérnico lutou contra o obscurantismo da igreja; lutou contra a crendice, o dogmatismo; teve que vencer a perseguição a quem pensava racionalmente. Estudiosos sérios sobre vida extraterrestre têm de lutar contra a crendice de ufólatras, que não abrem mão da ideia que discos voadores e ETs são reais, irrefutáveis... A Ufologia pode ser a nova igreja repressora do século XXI... Hehe!!
E crer é mais difícil, sim, concordo – em vários casos. Tem coisas “tipo” a concepção de uma virgem, tomada de forma literal, um dos cernes da crença cristã (os católicos chamam isso de “mistérios”, para não dizerem “lorotas”- hehe!!). É preciso muita coragem para defender tal “acontecimento” hoje em dia; de fato, é difícil apoiar disparates tão grandes; no caso, é mais fácil (e mais correto!) não acreditar.
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
“Um objeto bizarro, que desafia a nossa imaginação.”
Mais uma vez, não se trata de um ufo/óvni ou algo do gênero.
O “objeto bizarro, que desafia a nossa imaginação” são os buracos negros
– esses fenômenos do nosso universo astrofísico. E o que está entre aspas foi
dito por um jovem pesquisador gaúcho, Rodrigo Nemmen da Silva, que está fazendo
seu pós-doutorado na Goddard Space Flight Center, Nasa, nos EUA. Ele é um dos
cabeças da equipe que está desvendando fenômenos envolvendo substâncias (sim,
substâncias) eliminadas pelos buracos negros. O trabalho foi publicado na
prestigiada revista Science.
Essas informações estão na reportagem que saiu no jornal
Zero Hora de 15/12/12. Mais abaixo, segue o link.
Nascido em Passo Fundo (aquela cidade que é mencionada no
filme “Sinais”, do diretor Shyamalan), Rodrigo diz o seguinte:
“Escolhi estudar os buracos negros, porque é algo fascinante
e são laboratórios incríveis para entender a natureza, e que mexe com o
imaginário popular. Mas, se eu paro pra pensar, vejo que é um objeto bizarro,
que desafia a nossa imaginação.”
Desafios à imaginação, para mim, seria uma das positividades
da ufologia. Desde que não sejamos absorvidos pelo “buraco negro” do obscurantismo,
ou seja, da crendice travestida de “ciência”, quando não completamente
contaminado por uma postura místico-religiosa estapafúrdia, de fragilíssimas
bases e consequências desastrosas, como diz com muita propriedade o ufólogo
português Nuno Silveira, em entrevista dada à Revista Ufo (edição 184 – ali
Nuno diz ao entrevistador, Paulo Poian, que, ao invés do lema “eu quero
acreditar”, o “lema” dos ufólogos, emprestado do filme “Arquivo X”, deveria ser
“eu quero saber”).
Talvez antes de nos “meter” a ufólogos, devêssemos estudar
bem mais. Quem sabe um pós-doutorado na Goddard Space Flight Center? Teríamos
competência para tal? Teríamos paciência e dedicação para chegarmos em tais
lonjuras pedregosas? Pois acho que todos nós que nos pretendemos pesquisadores
do assunto, sim, deveríamos estudar – diversas matérias acadêmicas – com muito
afinco antes de pontificar qualquer coisa. Não uma carteirinha de algum tipo de
“Centro Intergaláctico de Estudos Orion”, mas de estruturas sérias, que
precisam zelar por suas reputações institucionais.
A reportagem de Zero Hora:
Físico de Passo Fundo que estuda na Nasa faz descoberta
sobre os buracos negros
Artigo com os resultados da pesquisa foi publicado nesta
sexta-feira na revista Science
Comentários posteriores:
*É isso aí. Ficar na busca. Não desdenhar dos vários
caminhos para o saber, não esquecendo que o mentefato cultural (como chama o
professor Attico Chassot, aí de PoA) da ciência é uma das grandes chaves que
temos, que já deu muitas provas de seu poder (para o bem e para o mal).
**Mas me parece natural as coisas irem se complexificando e
que vá surgindo novas concepções, superando ou aumentando as possibilidades de “explicação”.
Como acredito que o nível da complexidade do universo é tal, com nossa
capacidade de compreensão é limitada em forma e quantidade, jamais saberemos o
que é o labirinto onde estamos metidos. Mas o legal é tentar; dar nó em pingo
d’água, construir mentefatos (teorias) e outras ferramentas que nos dê mais
lampejos sobre as coisas que nos rodeiam tão enigmaticamente. Claro que o
primeiro passo é ver as coisas como enigmas, e não cair nesta banalização
corriqueiras, onde a pessoa nem mais se espanta com as estrelas num céu
esplendoroso, que dirá com o sabor de um espresso bem tirado!
***É sempre um prazer receber tuas ponderações. Me honra
muito, embora os elogios a mim, do tipo “inteligência superior”, fique por
conta de tua grande generosidade!
Sobre siglas, gostei bastante também da denominação do
citado ufólogo Nunes Silveira, FANI, Fenômenos Aéreos Não Identificados, porque
mais abrangentes, não se referindo propriamente a “objetos”, ou seja, algum
tipo de “sólido” – até porque boa parte dos relatos se referem a luzes...
Um dos meus gostos pela ufologia foi justamente por um FANI
(não confundir com FANIquito! Hehe!!), compartilhado com vários amigos, durante
uma noite em um acampamento no interior de Venâncio Aires. Anos depois, fui
descobrir que o objeto muito provavelmente seria um balão meteorológico, pelo
tipo de “deslocamento” e colorações.
Sobre o “querer saber” ao invés do “querer acreditar” me
parece muito bem sacado e muito pertinente, mesmo. Acho que o “querer
acreditar” nos induz a “ver” – pela ansiedade, pela predisposição mental, pela
sede humana de epifanias, pela serie de imagens que podemos estar evocando em
nossas mentes influenciáveis (estereótipos da cultura de massa) e cheias de
limitações (pelos cinco sentidos e cognitivamente falando). O “querer saber”,
numa perspectiva mais científica clássica, impõe ao pesquisador/estudante a
autocrítica e constantes revisões – próprias e alheias, sem medo do
contraditório, da contestação, do questionamento duro, do abandono de teorias e
até paradigmas (aliás, no ano passado, a fundamental obra de Thomas Kuhn, A
Estrutura das Revoluções Científicas, completou 50 anos, introduzindo inúmeras
formas novas de “se fazer ciência”).
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