sexta-feira, 22 de março de 2013

Somos animais - nem mais nem menos do que animais



“Acima de tudo, deve-se salientar que não há nada de insultante em olhar as pessoas como animais. Afinal de contas, SOMOS animais. O Homo sapiens é uma espécie de primata, um fenômeno biológico dominado por regras biológicas, como qualquer outra espécie. A natureza humana não é mais do que um tipo particular de natureza animal. De acordo, a espécie humana é um animal extraordinário; mas todas as outras espécies também são animais extraordinários, cada uma à sua maneira, e o observador científico de homens poderá trazer muitas revelações novas ao estudo dos assuntos humanos se conseguir conservar essa atitude básica de humildade evolucionária.”

Aí está. É o parágrafo final da introdução de  “Manwatching – A field guide to human behaviour” (traduzido no Brasil como “Você – Um estudo objetivo do comportamento humano” ”, editora Círculo do Livro S.A., São Paulo, 1977), do zoólogo britânico Desmond Morris (autor também do “O Macaco Nu”, obra bem mais afamada, cuja capa de uma edição em inglês está como ilustração acima). As palavras mencionam uma perspectiva que tem me empolgado. Primeiro, porque nos “baixa a bola” – não somos mais (nem menos) do que animais. Uma perspectiva zoológiaca ao invés de antropológica (e/ou antropocêntrica) – ou seja, nós, animais, vertebrados, mamíferos, primatas, nos vendo como... animais, e não como algum ser que está acima biologia, “O HOMEM” – em letras maiúsculas e entre aspas, para ressaltar nossa auto-magnificência –, como se estivéssemos fora da condição de ser biológico; como se fôssemos anjos, querubins ou outras figuras míticas – seres que viveriam pairando além de toda a história astrofísica do cosmos e do longíssimo e complexo processo evolutivo, o qual Charles Darwin começou a esboçar, reforçando-se cada vez mais pelos conhecimentos trazidos pela arqueologia, paleontologia, genética, das profundezas das células e, até, dos átomos.

Isso poderia também nos falar dos limites de nossos poderes – o poder de pensar, inclusive. Talvez aí esteja porque imaginamos ETs como humanoides ou, ao menos, na forma de algum tipo de animal. Simplesmente não temos capacidades cognitivas para lidar com outras possibilidades de vida ou inteligência. Apenas montamos o mundo como nossos cérebros conseguem operar – assim como uma criança de cinco anos, em 1970 (é o meu caso), imaginava que as vozes e músicas do rádio eram produzidas por minúsculas pessoas dentro do aparelho receptor (aquela caixinha mágica, com botões, ponteiro, luzes etc.)... São os limites de compreensão, de elaboração mental própria da infância – limites que continuam existindo, em outras medidas e formas, mesmo agora, quando já somos adultos.

Não é nada fácil vencer esse antropocentrismo, essa autoidolatria humana, esse sentido de que somos o centro de tudo, do universo. Difícil, talvez, porque está na nossa própria base genética, como um mecanismo de preservação e reprodução da espécie humana.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Conexão Ufo - O fim do mundo virou samba



Dia desses voltei a lembrar, saudoso, do programa de rádio, aqui em Santa Cruz do Sul, o “Conexão Ufo” – criado pelo Rafael “Bala” Amorim e pelo querido Xuxu, que já atuava na emissora – a  Rádio Comunitária, FM 105,9MHz.

Várias pessoas participaram da empreitada ao longo da trajetória do programa, sempre capitaneada pelo Rafa. Lembro aqui do Alexandre Fox, que, com sua ponderação característica, dava um lastro técnico ao programa, além de emprestar sua indignação opinativa em relação, por exemplo, aos descalabros em nossa República das Bananas.

No programa, eu fazia alguns comentários, ao estilo desses mails que envio para lista – e posto no blog “Alerta Ufo Brasil”. Aliás, o blog é consequência da minha impossibilidade de continuar no programa, hoje, lamentavelmente, em hibernação. Pois acabei criando o espaço na web para continuar com minhas xaropadas.

Bom, lembrei  do “Conexão” porque fiz uma limpa em minhas pastas de clipagens, que usava como mote às minhas “intervenções” no programa. Ao longo de cerca de três/quatro anos, “juntei” umas dez pastas bem cheias de recortes de jornal, páginas de revistas, folhas impressas de matérias tiradas da internet e anotações sobre uma variedade de assuntos. Me dei conta do quanto era diversificada e rica a nossa (do grupo todo) “abordagem ufológica” no Conexão, onde falávamos até de...

SAMBA!

Lá por março de 2009, trouxe uma matéria sobre uma composição do baiano, radicado no Rio de Janeiro, Assis Valente (na foto acima), chamada “E o mundo Não se Acabou”. Foi composta em 1938, mesmo ano em que Orson Welles causou pânico nos EUA ao veicular na forma de um radioteatro “A Guerra dos Mundos”, ficção aterrorizante de H.G. Wells, como ressaltava o jornalista Renato Mendonça (Segundo Caderno do jornal Zero Hora, de 10/03/2009).

Usei a matéria para falarmos MAIS UMA VEZ sobre profecias e outras fajutagens apocalípticas... A letra se refere a um rapaz, que acaba, por conta de que “anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar”, se metendo em várias confusões, que ele terá de resolver, já que nenhuma catástrofe ocorreu e o planeta continuava em seu giro corriqueiro...

Obviamente que a canção é uma “tiração de sarro”. Já nos anos de 1930 pessoas suficientemente crédulas se apavoravam com vaticínios de profetas do Armagedom.

No campo da ufologia temos vários exemplos desses tipos de pregadores – alguns apenas cômicos, alguns outros, trágicos, por conta de morte de pessoas, caso de suicídios coletivos, à espera de resgate por discos voadores...

Mas voltando ao samba, muitos de nós conhecemos canções de Assis Valente. Ele é autor de “Cai, cai Balão” e Boas Festas (“Já faz tempo que eu pedi / Mas o meu Papai Noel não Vem...”). Abaixo, seguem a letra e o samba na interpretação de Carmen Miranda, que gravou outras composições do mesmo autor (vale também pelo vídeo, que traz trechos de vários musicais da rapariga das frutas tropicais na cabeça).

Até!

Iuri

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Carmem Miranda interpreta O Mundo Não se Acabou, de Assis Valente:

http://www.youtube.com/watch?v=5GxA4Elbx80


Letra:

O Mundo Não Se Acabou

Assis Valente

Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou

segunda-feira, 11 de março de 2013

A façanha de Thor Heyerdahl - a ciência como uma aventura


Vocês já devem ter ouvido falar do cientista-explorador norueguês Thor Heyerdahl. Entre outras façanhas, a mais famosas foi, em 1947, a de ter comandado uma jangada que saiu do Peru até a Polinésia, dando sustentação à evidência de que houve uma migração, via mar, de povos pré-colombianos da América do Sul a arquipélagos em meio ao Oceano Pacífico, caso do Thaiti.

Pois tal feito virou filme, “Kon-Tiki” (nome da embarcação, em referência a um deus Inca) esteve concorrendo ao Oscar. Um treiler está no link abaixo no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=rUnmjQJHRP4

Na matéria que saiu no site da revista Ciência Hoje é dito o seguinte, numa separata da matéria:
“Houve um tempo em que ser cientista era, entre outras coisas, lançar-se a temíveis jornadas de exploração. Essa espécie de ciência-aventura era típica nos séculos 18 e 19, tendo perdurado com razoável vigor até princípios do 20 – afinal, a Terra ainda não havia sido inteiramente explorada. Foi a época áurea dos grandes naturalistas, como Alexander von Humboldt (1769-1859), Alfred Wallace (1823-1913), Johann Baptiste von Spix (1781-1826), Carl von Martius (1794-1868), entre tantos outros. Eram homens de saberes ecléticos, representantes de um tempo em que a ciência ainda não havia sido domada pela ditadura epistemológica da fragmentação do saber.”

A matéria inteira, com vários detalhes sobre “o zoólogo, geógrafo e etnógrafo Thor Heyerdahl” pode ser acessada no seguinte endereço:
http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2013/02/a-epica-travessia-de-thor-heyerdahl

Talvez o filme seja um antídoto ao modo burocrático e comercialesco que boa parte das pesquisas científicas caíram, desestimulando muita gente, jovens, principalmente, que já não vêm aventura alguma em buscar conhecimentos, criar teorias e testar hipóteses.
Além do filme, existe em português o livro “A expedição Kon-Tiki ”, escrita pelo próprio Thor. Pelo que pude ler (e ver pelas fotos), é uma leitura excelente.

Fica a dica de pesquisa, filme e livro.

* Na imagem (divulgação) em anexo, Thor datilografando a bordo da jangada, a embarcação Kon-Tiki, navegando no Pacífico.

** Thor foi, mesmo, um “cientista a moda antiga”, quando buscar o conhecimento era uma aventura que envolvia as “entranhas” e um amplo saber, além de uma imensa curiosidade, antes de tudo, aliás.

Papa das contradições


O papa se despede e parte dos palacetes do Vaticano em um super helicóptero das Forças Armadas italianas para passar alguns meses descansando em Castel Gandolfo, um lugar paradisíaco, “residência de verão dos pontífices”, de arquitetura clássica, decoração primorosa, com grande estafe de serviçais  e uma vista de tirar o fôlego. Toda manobra de deslocamento foi feita dentro de uma logística milimétrica, com um aparato de segurança que movimentou centenas de pessoas altamente treinadas e prontas para abater qualquer um que tivesse loucura suficiente para tentar qualquer agressão ao ex-representante de Deus na Terra...

Mas não é só esses fatos ostentatórios que entram em choque com a instituição que pretende ser a mais antiga, a mais legítima e digna representante de um pobríssimo aprendiz de carpinteiro e seus rudes apóstolos pescadores, iniciadores de uma nova seita judia, que passou a ser conhecida como cristianismo. Todos parecem ter sido paupérrimos a vida inteira, até a hora de suas terríveis mortes, como dão a entender os Evangelhos. O uso do caríssimo helicóptero também é uma contradição para uma instituição que por quase dois milênios tentou/tenta sufocar o pensamento científico, em nome de seu dogmatismo e, mais que isso, pelo controle do poder sobre as mentes e corpos do rebanho humano... Óbvio que chega a certa altura e a Igreja acaba se rendendo, “aderindo” aos avanços tecnológicos, sem abrir mão do seu inerente obscurantismo anticientífico. O uso do helicóptero é um dos muitos exemplos.

É notório que muitíssimos avanços se deram “apesar” da feroz oposição da Igreja ao pensamento livre, à especulação que foge das interpretações oficiais da geriatria machocêntria, ao patriarcalismo que controla algo, observem, fundado por jovens contestadores (Jesus morre no auge dos 33 anos – e os apóstolos, se pode supor, tinham idades em torno disso quando aderiram às ideias de Jesus). Entretanto, um Papa só poderá ter em torno de 70 anos e toda a hierarquia maior está bem além dos 50 anos de vida. Não é só as mulheres que são vetadas radicalmente nos cargos de poder da Igreja; os jovens também estão fora das grandes decisões católicas – são tratadas como seres abestalhados, sem “capacidade suficiente”.

Enfim, para o Papa embarcar no helicóptero e deslocar-se com rapidez, agilidade e segurança até a nababesca propriedade da sua Igreja, muitos pensadores, inventores, filósofos e cientistas foram torturados ou mortos barbaramente, além dos incontáveis que foram calados, amordaçados ou podado antes mesmo de desenvolverem seus potenciais por conta da violência sectária do poder católico. Todas essa repressão cruel, sofrimentos e mortes não parecem constranger o Papa, aboletado no poderoso modelo de aeronave, rumo às férias...

Infelizmente, tais reflexões e tais contradições não são levantadas – nem pelo pontífice e, muito menos, pela maioria de nós, pobres mortais. Como vivemos alienados, sem consciência dos meandros das coisas; até mesmo sem vontade de saber, de conhecer; sem curiosidade em amplo sentido; além de sedentos de acalentos que nos poupem das verdades cruéis do mundo real e do abismo da morte física; como vivemos assim, na superfície das coisas e encagaçados, nos tornamos refratários a qualquer ameaça às recompensas dadas pelas “certezas” de igrejas e instituições assemelhadas. Crer, sem questionar, é, mesmo, bem mais fácil, como diz Michael Shermer.

***Comentário complementar: Eu também fui criado católico, com comunhão e crisma. No final da adolescência, já estava renegando... Minhas duas filhas não são batizadas em igreja alguma e, ao menos isso, vou deixá-las livres para escolher se entram ou não em alguma igreja. Aliás, para as mulheres, a igreja católica é um lugar horripilante, que deveria ser execrado publicamente, pela posição subalterna que são colocadas, submetidas a um “papa”, onde jamais haverá uma “mama”; onde não podem rezar missa, apenas ser serviçais em alguma clausura, como freiras ou monjas, totalmente reprimidas sexual e intelectualmente. O patriarcalismo em sua pior faceta. Triste ver que tal ideologia obscura e opressora da Idade Média ainda perdure com força.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Ameaças do espaço...


Até um tempo atrás, meteoros, satélites avariados ou outros objetos - natuarais ou artificiais - vindos do espaço sideral, atingindo fatalmente a Terra, eram algo considerado como “ficção científica” – uma enorme improbabilidade no “mundo real”.

Mas o acontecido na Rússia dias atrás está colocando nossas barbas de molho... Não, não é só em pocket books e blockboosters (além do bíblico Livro do Apocalipse) que “tragédias vindas do espaço” acontecem.

A própria teoria do meteoro (ou asteroide em rota de colisão) caído na terra há bilhões de anos, que acabou implicando em mudanças climáticas radicais, inviabilizando a continuidade da vida de diversas espécies (caso dos dinossauros), inaugurando um outro cenário da vida no Planeta, ganhou relevância e uma consideração mais séria.

Até mesmo a ONU evidenciou a preocupação. Além de tempestades, furacões, erupção de vulcões, terremotos, enchentes, secas, há outros fenômenos naturais igualmente ameaçadores. E no caso dos meteoros, a situação envolve, necessariamente, o globo terrestre como um todo.

Talvez seja a possibilidade de desgraça que mais uma a humanidade, já que qualquer ponto do planeta pode ser atingido. Ninguém, nenhum lugar está imune.

Também é um tipo de catástrofe que depende imensamente da tecnologia e da ciência para ser detectada e, talvez, evitada – ou ao menos minimizada, retirando-se a população, fragmentando o corpo celeste ainda em voo ou outros tipos de ações que exigem, em primeiro lugar, um grande sistema de vigilância espacial.

A falha na detecção do meteoro russo é um indicativo que existem falhas, furos, ou melhor, rombos. Será preciso aperfeiçoar e coordenar ações. Daí a proposta da ONU. Segue abaixo a notícia com mais detalhes.

*Na foto acima (divulgada pela Nasa), o asteroide Vesta. Abaixo, um post com mais informações interessantes sobre esse corpo celeste e as pesquisas em curso.

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JC e-mail 4670, de 22 de Fevereiro de 2013.


ONU diz que ameaça de meteoros exige coordenação mundial 

A Equipe de Ação recomendou a criação de uma Rede Internacional de Alerta de Asteroide, que reunirá cientistas do mundo inteiro

A ONU afirmou que a ameaça de meteoros que podem atingir a Terra exige uma coordenação internacional para enfrentar o problema. A conclusão é da equipe de ação sobre objetos espaciais do Escritório para Assuntos Espaciais da ONU, Unoosa.

Projeto - Segundo o chefe do grupo, também conhecido como Equipe de Ação 14, Sergio Camacho, se este mecanismo de coordenação estivesse em funcionamento a população não teria sido pega de surpresa no caso do meteoro na Rússia.

Na sexta-feira passada, um asteroide atingiu a região de Chelyabinsk, causando danos e ferindo muitas pessoas.

Sistema - A Equipe de Ação recomendou a criação de uma Rede Internacional de Alerta de Asteroide, que reunirá cientistas do mundo inteiro. A meta é descobrir e acompanhar a trajetória de objetos espaciais que possam atingir o planeta.

Com base nesses dados, os analistas terão condições de alertar a população sobre os possíveis impactos.

Ameaça - No mesmo dia em que um meteoro atingiu a Rússia, um outro asteroide passou perto da Terra e chamou a atenção dos cientistas.

O asteroide, do tamanho de um prédio, chegou a 27 mil km do planeta. A distância pode parecer grande para a população comum mas para os especialistas virou motivo de alerta porque ele atravessou a órbita onde estão vários satélites de comunicação.

Desde 1995, o Escritório da ONU tem demonstrado preocupação com o assunto, dada a devastação potencial que um objeto dessa magnitude pode causar ao se chocar contra a Terra e, também, dos recursos necessários para evitar essa colisão.

(Rádio ONU)

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br


***Sobre o asteroide Vesta:

O asteróide gigante Vesta, que possui 520km de diâmetro e é o terceiro maior do Sistema Solar, passará a 188 milhões de quilômetros da Terra em 16 de julho próximo e será acompanhado pela sonda Dawn. Lançada em setembro de 2007 a Dawn tem por finalidade revelar os segredos ocultos de nosso Sistema Solar e deverá percorrer mais de 5 bilhões de quilômetros até o fim de sua solitária jornada que estudará em primeiro plano o asteróide Vesta e o planeta-anão Ceres, onde chegará em 2015.

Segundo astrônomos e cientistas o objeto não representa risco para a Terra porque passará muito longe de nós. Ainda assim, não se tem leituras totalmente corretas sobre o comportamento do corpo celeste próximo a grandes campos gravitacionais como o da Terra.

No caso remoto de uma colisão, o Vesta seria visto e ouvido com clareza cerca de 1 hora antes do impacto. Sua explosão ao atingir o planeta seria equivalente a mais de 100 milhões de bombas atômicas (o meteoro que exterminou os dinossauros tinha 100km de diâmetro e força de 20 milhões de bombas atômicas).

Postado por Diego Cryptkeeper


FONTE do post: http://21dedezembro2012.blogspot.com.br

Milhões de seres desconhecidos


Nós que temos interesse no campo designado “ufológico” seguidamente não nos damos conta de quanto e como desconhecemos os seres “daqui mesmo”, terráqueos, com os quais convivemos nesta nave-mãe. Desconhecemos não só em termos qualitativos – biologicamente falando – , mas quantitativamente, porque a imensidão de espécies é quase inacreditável e assustadora. Estima-se que ao menos 12 milhões de espécies que não estão sequer catalogadas, que dirá estudadas ao menos em aspectos mais básicos. 70%, ou seja, bem mais do que a metade dos seres vivos da Terra não são conhecidos!

Faltam recursos financeiros e humanos para tal empreendimento. Óbvio que se não se gastasse, por exemplo, em armamentos, isso seria imensamente facilitado. Mas a “vontade de poder” parece dominar uma rede de interesses que implicam num constante e cada vez mais difuso bangue-bangue, sem possibilidades de saber quem são os mocinhos e os bandidos da história. Todos se armam até os dentes e continuamos matando e morrendo por mandos territoriais, acesso a recursos naturais e domínio de populações, como o faziam os caçadores-coletores das savanas por milhares de anos.

Segunda a reportagem abaixo, “seriam necessários de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por ano, durante 50 anos, para descrever a maioria das espécies do planeta”. Uma fábula de dinheiro... Só que tal quantidade “corresponde ao que se gasta no mundo com armamento em apenas cinco dias”... No mundo, apenas contabilizando o ano de 2011, “foram gastos US$ 1,7 trilhão com a compra de armas”...

Civilização é isto! Alguém tem dúvida de que, apesar de Iphones e robôs em Marte, ainda somos tão, ou melhor, bem mais violentos e sanguinários que os chipanzés em suas disputas de liderança e vantagens exclusivistas no grupo?

Segue a matéria clipada pelo site Planeta Universitário.


*Na foto acima (divulgação), uma criatura que habita as partes mais abissais dos ocenaos terráqueos.


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Ao menos 70% das espécies da Terra são desconhecidas

Embora o conhecimento sobre a biodiversidade do planeta ainda esteja muito fragmentado, estima-se que já tenham sido descritos aproximadamente 1,75 milhão de espécies diferentes de seres vivos – incluindo microrganismos, plantas e animais. O número pode impressionar os mais desavisados, mas representa, nas hipóteses mais otimistas, apenas 30% das formas de vida existentes na Terra. “Estima-se que existam outros 12 milhões de espécies ainda por serem descobertas”, disse Thomas Lewinsohn, professor do Departamento de Biologia Animal da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), durante a apresentação que deu início ao Ciclo de Conferências 2013 organizado pelo programa BIOTA-FAPESP com o intuito de contribuir para o aperfeiçoamento do ensino de ciência.

Mas como avaliar o tamanho do desconhecimento sobre a biodiversidade? “Para isso, fazemos extrapolações, tomando como base os grupos de organismos mais bem estudados para avaliar os menos estudados. Regiões ou países em que a biota é bem conhecida para avaliar onde é menos conhecida. Por regra de três chegamos a essas estimativas”, explicou.

Técnicas mais recentes, segundo Lewinsohn, usam fórmulas estatísticas sofisticadas e se baseiam nas taxas de descobertas e de descrição de novas espécies. Os valores são ajustados de acordo com a força de trabalho existente, ou seja, o número de taxonomistas em atividade.

“No entanto, o mais importante a dizer é: não há consenso. As estimativas podem chegar a mais de 100 milhões de espécies desconhecidas. Não sabemos nem a ordem de grandeza e isso é espantoso”, disse.

Lewinsohn avalia que, para descrever todas as espécies que se estima haver no Brasil, seriam necessários cerca de 2 mil anos. “Para descrever todas as espécies do mundo o número seria parecido. Mas não temos esse tempo”, disse.

Algumas técnicas recentes de taxonomia molecular, como código de barras de DNA, podem ajudar a acelerar o trabalho, pois permitem identificar organismos por meio da análise de seu material genético. Por esse método, cadeias diferentes de DNA diferenciam as espécies, enquanto na taxonomia clássica a classificação é baseada na morfologia dos seres vivos, o que é bem mais trabalhoso.

“Dá para fazer? Sim, mas qual é o custo?”, questionou Lewinsohn. Um artigo publicado recentemente na revista Science apontou que seriam necessários de US$ 500 milhões a US$ 1 bilhão por ano, durante 50 anos, para descrever a maioria das espécies do planeta.

Novamente, o número pode assustar os desavisados, mas, de acordo com Lewinsohn, o montante corresponde ao que se gasta no mundo com armamento em apenas cinco dias. “Somente em 2011 foram gastos US$ 1,7 trilhão com a compra de armas. É preciso colocar as coisas em perspectiva”, defendeu.

Definindo prioridades

Muitas dessas espécies desconhecidas, porém, podem desaparecer do planeta antes mesmo que o homem tenha tempo e dinheiro suficiente para estudá-las. Segundo dados apresentados por Jean Paul Metzger, professor do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP), mais de 50% da superfície terrestre já foi transformada pelo homem.

Essa alteração na paisagem tem muitas consequências e Metzger abordou duas delas na segunda apresentação do dia: a perda de habitat e a fragmentação.

“São conceitos diferentes, que muitas vezes se confundem. Fragmentação é a subdivisão de um habitat e pode não ocorrer quando o processo de degradação ocorre nas bordas da mata. Já a construção de uma estrada, por exemplo, cria fragmentos isolados dentro do habitat”, explicou.

Para Metzger, a fragmentação é a principal ameaça à biodiversidade, pois altera o equilíbrio entre os processos naturais de extinção de espécies e de colonização. Quanto menor e mais isolado é o fragmento, maior é a taxa de extinção e menor é a de colonização.

“Cada espécie tem uma quantidade mínima de habitat que precisa para sobreviver e se reproduzir. Não conhecemos bem esses limiares de extinção”, alertou.

Metzger acredita que esse limiar pode variar de acordo com a configuração da paisagem, ou seja, quanto mais fragmentado estiver o habitat, maior o risco de extinção de espécies. Como exemplo, ele citou as áreas remanescentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo, onde 95% dos fragmentos têm menos de 100 hectares.

“Estima-se que ao perder 90% do habitat, deveríamos perder 50% das espécies endêmicas. Na Mata Atlântica, há cerca de 16% de floresta remanescente. O esperado seria uma extinção em massa, mas nosso registro tem poucos casos. Ou nossa teoria está errada, ou não estamos detectando as extinções, pois as espécies nem sequer eram conhecidas”, afirmou Metzger.

Há, no entanto, um fator complicador: o período de latência entre a mudança na estrutura paisagem e mudança na estrutura da comunidade. Enquanto as espécies com ciclo curto de vida podem desaparecer rapidamente, aquelas com ciclo de vida longo podem responder à perda de habitat em escala centenária.

“Cria-se um débito de extinção e, mesmo que a alteração na paisagem seja interrompida, algumas espécies ficam fadadas a desaparecer com o tempo”, disse Metzger.

Mas a boa notícia é que as paisagens também se regeneram naturalmente e além do débito de extinção existe o crédito de recuperação. O período de latência representa, portanto, uma oportunidade de conservação.

“Hoje, temos evidências de que não adianta restaurar em qualquer lugar. É preciso definir áreas prioritárias para restauração que otimizem a conectividade e facilitem o fluxo biológico entre os fragmentos”, defendeu Metzger.

Colhendo frutos

Ao longo dos 13 anos de existência do BIOTA-FAPESP, a definição de áreas prioritárias de conservação e de recuperação no Estado de São Paulo foi uma das principais preocupações dos pesquisadores.

Os resultados desses estudos foram usados pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente para embasar políticas públicas, como lembrou o coordenador do programa e professor do Instituto de Biologia da Unicamp, Carlos Alfredo Joly, na terceira e última apresentação do dia.

“Atualmente, pelo menos 20 instrumentos legais, entre leis, decretos e resoluções, citam nominalmente os resultados do BIOTA-FAPESP”, disse Joly.

Entre 1999 e 2009, disse o coordenador, houve um investimento anual de R$ 8 milhões no programa. Isso ajudou a financiar 94 projetos de pesquisa e resultou em mais de 700 artigos publicados em 181 periódicos, entre eles Nature e Science.

A equipe do programa também publicou 16 livros e dois atlas, descreveu mais de 2 mil novas espécies, produziu e armazenou informações sobre 12 mil espécies, disponibilizou e conectou digitalmente 35 coleções biológicas paulistas.

“Desde que foi renovado o apoio da FAPESP ao programa, em 2009, a questão da educação se tornou prioridade em nosso plano estratégico. O objetivo deste ciclo de conferências é justamente ampliar a comunicação com públicos além do meio científico, especialmente professores e estudantes”, disse Joly.

A segunda etapa do ciclo de palestras está marcada para 21 de março e terá como tema o “Bioma Pampa”. No dia 18 de abril, será a vez do “Bioma Pantanal”. Em 16 de maio, o tema será “Bioma Cerrado”. Em 20 de junho, será abordado o “Bioma Caatinga”.

Em 22 de agosto, será o “Bioma Mata Atlântica”. Em 19 de setembro, é a vez do “Bioma Amazônia”. Em 24 de outubro, o tema será “Ambientes Marinhos e Costeiros”. Finalizando o ciclo, em 21 de novembro, o tema será “Biodiversidade em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais”.

Programação do ciclo: www.fapesp.br/7487

Agência FAPESP

FONTE: http://www.planetauniversitario.com