segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Seres do espaço...


Na leva de revistas “Pesquisa Fapesp”, que peguei semanas atrás, achei outra reportagem que tem tudo a ver com o tema “Ufologia”. O título é instigante: “Seres do espaço”. Claro que a matéria não trata de nenhum homenzinho verde ou algum loiro com roupa prateado ou lesma malévola ao estilo de HG Wells e outros ficionistas. A abordagem se refere a bactérias com super-resistências, podendo sobreviver em ambientes dos mais inóspitos e sob as radiações mais mortais aos seres orgânicos. Esse novo campo do saber, envolvendo o estudo sobre a vida e suas possibilidades além do planeta Terra, surgido por 1998, é denominado Astrobiologia, e reúne diversos ramos acadêmicos, caso da Química, Física, Biologia, Astronomia e até Antropologia e Filosofia.

O link da matéria: http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=4249&bd=1&pg=1&lg=

Penso que há muitos diálogos a serem estabelecidos entre a Astrobiologia e a Ufologia. Se ufólogos se mantiverem como caçadores de mulas sem-cabeça espaciais e os astrobiólogos empinarem o nariz e virarem a cara para tantos relatos de avistamentos e contatos, nada feito! Mas se a postura for de racionalidade e livre argumentação de todos os lados, acredito que as chances são grandes de surgirem trabalhos e ideias conjuntas instigantes.

Na matéria, fala-se no Laboratório de Astrobiologia, vinculado a Universidade de São Paulo. Conferi o site do “AstroLab” e colei abaixo parte do histórico que está lá publicado, além do link para quem quiser conferir mais detalhes.

Também achei muito interessante o site do Centro de Astrobiología, do Instituto Nacional de Técnica Aeroespacial (INTA) da Espanha (http://cab.inta-csic.es). Os caras são vinculados à Nasa, que, por sua vez, também tem um organismo específico dentro da agência, o Astrobiology Institute.


***Não seria interessante se pensar em montar um “Comitê de Astrobiologia” em universidades, instigados por ufólogos? É um meio de pegar esse pessoal da Física, Biologia, Química etc. e discutir “a vida no cosmos” sem necessariamente misturar isso com as linhas da ufologia mais esotérica, que entra por caminhos em franco choque com a ciência acadêmica. Poderia-se também pensar num evento do tipo “Vida no Cosmos: Diálogos entre Astrobiologia e Ufologia – convergências e divergências”.

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Laboratório de Astrobiologia do IAG-USP

http://www.astrobiobrasil.org


Histórico

Escrito por Fabio Rodrigues em dezembro 2010

O Laboratório de Astrobiologia, chamado por nós apenas de AstroLab, surgiu da união de pesquisadores de diferentes áreas, interessados na pesquisa e no ensino de Astrobiologia.

O grupo começou a interagir, ainda informalmente, no ano de 2006, com a realização do I Workshop Brasileiro de Astrobiologia, que uniu pesquisadores de diversos Estados brasileiros e com formações bastante diversificadas.

No ano de 2009 o grupo, com pesquisas e colaborações já consolidadas, ganhou um espaço físico, oferecido pelo Instituto de Astronomia, Geofísica e de Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP). O Local escolhido foi o Observatório Abrahão de Moraes, pertencente ao IAG, e localizado entre as cidades de Valinhos e Vinhedo, nas proximidades de São Paulo e Campinas.

Com projetos de pesquisa já aprovados por agências de fomento à pesquisa, o laboratório começou a se equipar e, em 2010, já possui grande parte da infra-estrutura disponível para pesquisa, mas estamos sempre na procura por aperfeiçoar tanto o espaço físico quanto os equipamentos, possibilitando uma pesquisa científica de qualidade. O trabalho do AstroLab está centrado em três vertentes: microbiologia de ambientes extremos, simulação de ambientes extraterrestres e modelagem teórica.

#Acima, imagem da Nasa (divulgação) - em busca de elementos de vida no cosmos

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Objeto espacial em rota de colisão com a terra - "do tamanho de um ônibus"

Não é brincadeira e nem anúncio apocalíptico. Um objeto voador (identificado!) está em rota de colisão com a Terra. As probabilidades de que cause alguma desgraça maior são bem poucas, felizmente. Mas o fato atesta que o “lixo espacial” está num limite crítico, que pode nos trazer grandes problemas – inclusive para serviços básicos de comunicação e rastreamentos aqui na Terra.

Considere-se também a possibilidade de confundir esses milhares de objetos - pairando no espaço ou entrando na atmosfera terrestre - como ovnis... Não o são, mas talvez devêssemos prestar mais atenção "neles", já que são uma questão que pode nos atingir concretamente a qualquer instante, e evitarmos um pouco mais de nos perdermos em especulações interessantes, mas, muitas delas, evidentemente fantasiosas e que nos aliena dos nossos verdadeiros problemas no Planeta.

Segue a notícia clipada da Folha de São Paulo no boletim Jornal da Ciência (SBPC):


JC e-mail 4346, de 19 de Setembro de 2011.

Queda de satélite aumenta tensão com lixo no espaço

Objeto tem o tamanho de um ônibus e deve cair na Terra nesta semana. Nasa diz que o risco para as pessoas é mínimo; relatório diz que detritos espaciais atingiram "ponto crítico".

Um satélite desativado do tamanho de um ônibus irá cair em algum lugar da Terra nesta semana, provavelmente entre a quinta e a sexta-feira. A informação é da Nasa, que afirma, porém, que as chances de que alguém seja atingido são mínimas - cerca de 1 em 3.200.

Lançado pela agência espacial americana em 1991, o Uars funcionou até 2005, observando a atmosfera. Desde então, ele é apenas um entre vários satélites defuntos e outros objetos que sujam a órbita do planeta. De acordo com a Nasa, há "pelo menos" 20 mil fragmentos com mais de 10 cm nos arredores terrestres.

Nesse "lixão" espacial tem de tudo. Desde satélites inteiros desativados, até peças de foguetes e naves. Também entram na conta câmeras fotográficas e até uma luva "perdidas" por astronautas.

No início do mês, um relatório do Conselho de Pesquisa Nacional dos EUA - entidade privada e sem fins lucrativos que fornece consultoria científica- afirmou que os detritos espaciais chegaram a um "ponto crítico". Em junho, o lixo espacial forçou a evacuação da ISS (Estação Espacial Internacional). Os astronautas tiveram que se refugiar na nave Soyuz porque um pedaço de satélite passaria muito próximo. Felizmente, o objeto se desviou e a tripulação pode retornar logo depois.

O bilionário laboratório flutuante, aliás, já foi projetado para resistir ao impacto de pequenos objetos. Um de grandes proporções, porém, seria desastroso. Por isso, a nave conta com um sistema que permite desviá-la da rota do lixo desgovernado. Para que isso aconteça, porém, é preciso que o objeto seja detectado com antecedência. Com a quantidade crescente de dejetos, monitorar isso tudo é cada vez mais caro e complicado.

Riscos - Embora sempre exista a possibilidade de cair na cabeça de alguém, o maior risco mesmo, diz a Nasa, é o de que o lixo se choque com satélites ou naves, prejudicando e muito a nossa vida. Vagando no espaço, até um fragmento mínimo pode provocar um grande estrago ao colidir com uma nave ou um satélite. Com isso serviços como GPS e transmissões de tevê e internet seriam gravemente prejudicados.

Solução - Apesar de desejável, ainda não é possível fazer uma faxina espacial. Não existe tecnologia para remover todos os fragmentos, especialmente os menores, da órbita terrestre. Os cientistas, porém, continuam tentando. Entre as alternativas apresentadas, há desde a criação de um sistema de redes gigante, que conseguiria capturar a sujeira, além de sistemas de raios laser que desviariam o lixo de sua rota.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

E se “eles” viessem através de um cogumelo, e não em discos voadores?


A mensagem extraterrestre pela chave enteógena

Em dezembro do ano passado postei em meu outro blog o seguinte comentário:

No conto Entrevista com um alienígena, o escritor Alexandre Raposo nos apresenta uma hipótese das mais interessantes. Começa por uma citação do pesquisador norte-americano Terence McKenna:

“Apsilocina, substância em que a psilcibina se transforma assim que entra em nosso metabolismo, é 4-hidroxidimetiltriptamina. Trata-se do único indol com quatro substituições em toda a natureza orgânica. Pensem um pouco nisso. É o único indol que se conhece na Terra com quatro substituições. Acontece que a psilocibina é a substância alucinógena que ocorre em cerca de oitenta espécies de cogumelos, a maioria das quais é nativa do Novo Mundo. A psilocibina tem uma característica única que nos diz: ‘sou artificial; vim do espaço.’ Sugeri que se tratava de um gene – um gene artificial – transmitido talvez por um vírus espacial ou algo que foi trazido artificialmente para este planeta, e que esse vírus insinuou-se na constituição genética desses cogumelos.”

Um camponês latino-americano de origem indígena – ou uma sua imagem e semelhança – está conversando com o protagonista, um arqueólogo acampado em meio a alguma escavação de estudo. Esse “ser” tenta explicar quem ele é, de onde veio, como veio, como está ali; o que ele vai dizendo contraria toda a visão “clássica” sobre ETs, discos-voadores e quejandos.

A “projeção” do camponês diz ao arqueólogo: “Não sou um ser vivo. Não sou um indivíduo. Mas também não sou um deus, nem uma máquina e nem um daqueles extraterrestres invasores de corpos que povoam a imaginação dos seres humanos de hoje em dia.”

Na verdade, o processo começa com um vírus vindo – melhor dizendo, enviado – do longínquo espaço sideral, que chega a Terra – como uma sonda do tipo Viking, mas não com instrumentais eletromecânicos, e sim “biocatalizadores” – com a missão e capacidade de “alterar uma forma de vida primária de base carbono, de modo a fazê-la produzir certas substâncias as quais, assimiladas pelo cérebro de uma criatura superior [um humano, por exemplo], a tornaria capaz de decodificar a informação que queríamos transmitir”.

O “camponês” continua: “Era a única maneira de preservar a imensa experiência cultural da civilização que represento”, desencadeando uma “reencarnação das memórias e, principalmente, das idéias de bilhões e bilhões de indivíduos geniais”. “No momento em que estou ativo em seu cérebro, é como se todos aqueles a quem represento voltassem à vida, para compartilhar conhecimentos, idéias, memórias e sensações muito antigas.”

Assim, a mensagem de civilizações extraterrestres é revelada por uma “chave psicoquímica”, presente em enteógenos – agentes de mutação da consciência ordinária por seu efeito nas funções cerebrais –, como certos cogumelos, entre outras espécies de fungos e vegetais terráqueos.

Ocorre que, costumeiramente, somos induzidos a conceber supostos seres e objetos extraterrestres de uma maneira bastante padronizada, “materializada”. Tanto as publicações especializadas em ufologia, como as ficções literária e cinematográfica – que parecem se retroalimentar (às vezes viciosamente) – constroem um “senso comum” limitado sobre ETs e suas formas de tecnologia de deslocamento e contato com os seres humanos, obliterando outras alternativas.

De outro lado, outra série de preconceitos afugenta-nos de considerar positivamente determinados meios investigativos – mesmo que milenares, presentes em tradições de inúmeros povos e de uso por outros animais além do mamífero humano (há relatos de javalis, que ingerem raízes de forte efeito psicoativo, se refestelando em seu “transe”). Esse “temor” é bem o caso das experimentações proporcionadas pelo tradicional xamanismo ou sua vertente mais contemporânea – e menos ligada a religiosidades instituídas –, a Psiconáutica.

Podemos ir além de vigílias e visões fortuitas de sinais anômalos no céu. O contato também pode estar numa dimensão onde é preciso abrir “as portas da percepção” (Huxley, parafraseando Blake) e adentrar em um espaço inusitado, insuspeito e, quiça, cheio de possibilidades de aprendizados. Mas, como em toda a vivência com sérios propósitos científicos, não se deve esquecer do devido cuidado e preparação, para não “escorregar” em ilusões e usos negativos e deletérios.

O conto Entrevista com um alienígena está na antologia Éden 4 e outras Histórias Fantásticas, publica em 2001 pela editora Record. Raposo possui outras obras, caso da ficção histórica interessantíssima Inca; ele também é tradutor das edições recentes da quadrilogia best-seller Asteca.