terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tantos olhos... e nada de ETs!


Um novo telescópio está para ser construído no famoso Deserto do Atacama (foto acima), no Chile, financiado por um consórcio de países, onde está o Brasil.

Como diz na introdução da notícia, publicada no site da revista Ciência Hoje:

“O maior e mais potente telescópio do mundo será construído a 3 mil metros de atitude. Com o equipamento, pesquisadores esperam obter imagens diretas de exoplanetas e observar o surgimento e a expansão do universo”.

Já há centenas ou talvez milhares de telescópios escrutinando os céus a partir da Terra. Há também os que estão em estações espaciais e satélites orbitando o nosso planeta, além das sondas viajando pelos confins do sistema solar e indo além. Há, ainda, os radiotelescópios, como os do Projeto SETI.

Isso foi dito várias vezes, mas é bom realçar: embora todos esses “olhos” de alta potência e grande varredura percorrendo diuturnamente o espaço sideral, não se localizou sequer um indício comprovado de vida inteligente compatível ou similar aos humanos ou outros seres biológicos terráqueos. Não é impressionante? Aos ufólogos tem restado apostar na espiritualidade e até no espiritismo, porque, concretamente, palpavelmente, fisicamente (ou quimicamente) não há nada além de hipóteses interessantes e fantasias, algumas delas incorporadas ao folclore da humanidade como contos recorrentes para assustar e divertir.

Quem sabe o telescópio no Atacama possa revelar, enfim, alguma coisa que evidencie de fato a existência de extraterrestres? Mas talvez o físico Marcelo Glaiser (em seu livro “O Universo Imperfeito”) tenha razão: por tudo que as pesquisas e estudos contemporâneos indicam sobre as possibilidades de vida extraterrestre, devemos, paradoxalmente, em meio a gigantesca do Cosmos, considerar com toda a seriedade a tese de que, sim, os humanos podem ser os únicos seres dotados de uma autoconsciência a habitarem o Cosmos ou, ao menos, os únicos em uma vasta parte dele – tão vasta que, enquanto seres condenados a perecer em poucos bilhões de anos, por conta da natural finitude da estrela-mor do seu sistema, jamais poderemos ter a chance de nos defrontarmos e comunicarmo-nos com algum ET...

E assim Humberto Gesinger, vocalista, compositor e músico da banda gaúcha Engenheiros do Hawai, também estava certo, quando disse, na estrofe da canção Infinita Highway:

“Estamos sós e nenhum de nós
Sabe onde vai parar”

Filosofando, ele conclui, na mesma estrofe:

“Estamos vivos, sem motivos
Que motivos temos pra estar?
Atrás de palavras escondidas
Nas entrelinhas do horizonte dessa highway
Silenciosa highway”

Sileciosa e infinita estrada de velocidade estonteante e curvas incontornáveis. Quem sabe para onde estamos indo de verdade?

“Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos, nem objetivos
Nós estamos vivos e é tudo
É sobretudo a lei
Dessa infinita highway”

Abaixo, o link para a matéria sobre o telescópio.

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/01/visao-alem-do-alcance

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Apocalypse Now


Bem ao contrário do que dizem os catastrofistas, os apocalípticos, esse pessoal sempre de plantão, apavorado e apavorando outros com alarmes sobre um iminente (agora sim!) “fim do mundo”; dizendo que a humanidade vive um período de violências nunca antes acontecidos, com calamidades, conflitos e mortes absurdamente altos e inigualáveis em toda a história dos seres humanos no planeta; bem ao contrário disso, há muitos indícios de que o que ocorre de fato é o contrário.

Observo que muitos desses “profetas” frequentemente estão de mal com o seu tempo, nostálgicos de uma época de ouro perdida (na sua infância ou num passado recente, às vezes puramente ficcional), e sedentos de um fim para suas angústias e frustrações, desejando, assim, um “choque total”, que “zere” a vida – deles mesmo e de todos os demais (já que, na verdade, “o inferno são os outros”).

Com os meus amigos “adeptos” de “O Fim Está Próximo” costumo contra-argumentar que houve períodos e acontecimentos históricos em que a situação foi muito mais terrível, dramática, “apocalíptica” do que o que assistimos nesses nossos anos de vida, ou seja, as décadas que vão dos anos de 1960 até os primeiros anos da segunda década do século XXI (pela contagem gregoriana, obviamente, e considerando a minha geração). Bastaria imaginar-se em meio aos conflitos vividos por milhões de pessoas nos anos da 2ª Guerra Mundial, por exemplo – campos de concentração, bombas atômicas, ataques de aviões à população civil, fome, desespero, assassinatos em alta escala, crueldades mil.

Mas há quem não se convença e continue aferrado em suas “esperanças” de que “a civilização está nas últimas”.

Pois em entrevista para a revista Veja de 04/01/12, o psicólogo canadense Steven Pinker (foto acima, em uma conferência), pesquisador e professor da prestigiosíssima Universidade de Harvard e autor de vários livros, diz que

“a humanidade passa por seu mais pacífico período histórico”.

Sobre a percepção/sensação de que vivemos, enquanto humanidade contemporânea, em meio a muita conturbação, ele observa que

“A mente humana é vulnerável a enganos e ilusões. Nossas impressões sobre o quão violento e cruel é um determinado episódio devem-se à nossa memória, que sempre é contaminada pelas emoções que sentimos quando presenciamos ou vivenciamos algo.”

Pinker quer evitar conclusões baseadas em “impressionismos”, em opiniões sem fundamento científico, que dão vazão a ideias fantasiosas:

“Com ajuda da alta tecnologia podemos agora não apenas teorizar sobre o grau de barbárie da pré-história, mas estimar com precisão o número altíssimo de pessoas que morriam massacradas por inimigos. Nada autoriza a ideia tão disseminada de que o passado humano foi bucólico, pastoril e pacífico. Há poucos séculos matavam-se pessoas com base em superstições avalizadas pela hierarquia religiosa, a escravidão era oficial e apenas discordar da opinião vigente podia equivaler a uma sentença de morte.”

A consolidação da democracia, do estado de direito, da ciência e do desenvolvimento intelectual – em que pese tantas falhas e desgraças ainda existentes e que tanto nos alarmam – têm diminuído a violência interpessoais e grupais (considerando, proporcionalmente, o tamanho da população humana nas diferentes épocas). Concluir que vivemos “tempos apocalípticos”, onde há um “completo desrespeito na convivência”, pode ser até interessante para tomarmos atitudes que não reforcem isso. Mas objetivamente, considerando um todo e não a nossa própria sensação, afirmar que “é o fim da picada” é alarmismo sem consistência.

Na Wikipedia tem um artigo sobre Pinker, com mais detalhes sobre suas biografia e bibliografia, além de links – até mesmo para a entrevista na Veja:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Steven_Pinker

***Uma citação do autor retirada da entrevista e que achei interessante de um modo bem amplo, além do assunto em questão:

“O cérebro humano evolui de forma a sempre advogar a favor de si próprio. Somos os mais devotos defensores de nós mesmo. A primeira reação ao sermos confrontados com o fato de termos feito algo ruim é tentar nos convencer e aos outros de que aquilo não foi tão grave. A segunda é transferir a responsabilidade”.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Influências em nossa visão

Na linha de “o quanto somos profundamente influenciáveis e suscetíveis a auto-ilusões”, li uma reportagem sobre um estudo da Universidade de Oxford. O título da matéria já sintetiza: “Estudo mostra que beleza está mesmo nos olhos de quem vê”. Um mesmo objeto é visto – e sentido – de forma diferente, acionando zonas cerebrais diferentes, conforme a informação prévia que recebemos ou/e acreditamos. No caso, se tratava de uma pintura dita falsa para alguns, e dita como verdadeira para outras pessoas. “Saber que as obras eram verdadeiras aumentou a atividade na região do cérebro dos participantes relacionada a eventos recompensadores, como provar uma boa refeição ou ganhar uma aposta. Já saber que a pintura não tinha sido feita pelo mestre [Rembrant, no caso] desencadeou uma cadeia complexa de respostas nas áreas de cérebro relacionadas a planejamento e estratégia. Os voluntários [participantes do estudo] contaram que ao verem as supostas obras falsas eles tentaram entender por que os especialistas consideraram que elas não eram genuínas”. Assim, poderíamos dizer que, por exemplo, quem acredita que uma imagem ou história sobre discos voadores é verdadeira, reage de uma forma muito mais empática, sentindo prazer na visão ou narrativa, empolgando-se. Já quem não acredita, mantém-se “frio”, analítico, tentando entender “o que está por trás”.

Enxergamos e nos manifestamos movidos por emoções que se moldam de maneira subterrânea, dependendo de inúmeros fatores. Por isso, tanto nos equivocameos quando não tentamos minimizar os efeitos do “irracional”. Ter em mente esses nossos limites, nossas influências internas é algo básico para nos equivocarmos menos, em menor medida. Sim, porque termos uma percepção "perfeita", "objetiva" é praticamente uma utopia, dada nossa condição biológica inescapável.


-----------------

Estudo mostra que beleza está mesmo nos olhos de quem vê


Saber que uma obra de arte é falsa muda a resposta do cérebro a ela, diz pesquisa


RIO - A beleza está mesmo nos olhos de quem vê, diz estudo da Universidade de Oxford. Segundos os cientistas, saber que uma obra de arte é falsa muda a resposta do cérebro sobre o conteúdo visual dela. Primeiro, eles escanearam os cérebros de 14 voluntários enquanto viam obras de “Rembrant”, isto é, algumas genuínas e outras imitações perfeitas feitas por outros artistas. Neste caso, nem os participantes nem seus sinais cérebros puderam distinguir entre as pinturas reais e as falsas.

No entanto, o alerta de que uma obra era autêntica alterou a resposta dos cérebros dos voluntários. O aviso foi eficaz mesmo se a pintura era de fato genuína ou não. Segundo Martin Kemp, professor emérito de História da Arte de Oxford e um dos autores do estudo, ele confirma a percepção de seus colegas, críticos e público em geral de que é sempre melhor crer que estamos vendo obras originais.

- Nosso estudo mostra que a maneira como vemos a arte não é racional, que não podemos nem mesmo distinguir entre dois trabalhos - diz. - Saber que um foi pintado por um artista renomado nos faz responder de maneira bastante diferente. O fato de as pessoas viajarem para galerias e museus ao redor do mundo para ver pinturas originais sugere que esta conclusão é razoável.

Saber que as obras eram verdadeiras aumentou a atividade na região do cérebro dos participantes relacionada a eventos recompensadores, como provar uma boa refeição ou ganhar uma aposta. Já saber que a pintura não tinha sido feita pelo mestre desencadeou uma cadeia complexa de respostas nas áreas de cérebro relacionadas a planejamento e estratégia. Os voluntários contaram que ao verem as supostas obras falsas eles tentaram entender por que os especialistas consideraram que elas não eram genuínas.