segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Influências em nossa visão

Na linha de “o quanto somos profundamente influenciáveis e suscetíveis a auto-ilusões”, li uma reportagem sobre um estudo da Universidade de Oxford. O título da matéria já sintetiza: “Estudo mostra que beleza está mesmo nos olhos de quem vê”. Um mesmo objeto é visto – e sentido – de forma diferente, acionando zonas cerebrais diferentes, conforme a informação prévia que recebemos ou/e acreditamos. No caso, se tratava de uma pintura dita falsa para alguns, e dita como verdadeira para outras pessoas. “Saber que as obras eram verdadeiras aumentou a atividade na região do cérebro dos participantes relacionada a eventos recompensadores, como provar uma boa refeição ou ganhar uma aposta. Já saber que a pintura não tinha sido feita pelo mestre [Rembrant, no caso] desencadeou uma cadeia complexa de respostas nas áreas de cérebro relacionadas a planejamento e estratégia. Os voluntários [participantes do estudo] contaram que ao verem as supostas obras falsas eles tentaram entender por que os especialistas consideraram que elas não eram genuínas”. Assim, poderíamos dizer que, por exemplo, quem acredita que uma imagem ou história sobre discos voadores é verdadeira, reage de uma forma muito mais empática, sentindo prazer na visão ou narrativa, empolgando-se. Já quem não acredita, mantém-se “frio”, analítico, tentando entender “o que está por trás”.

Enxergamos e nos manifestamos movidos por emoções que se moldam de maneira subterrânea, dependendo de inúmeros fatores. Por isso, tanto nos equivocameos quando não tentamos minimizar os efeitos do “irracional”. Ter em mente esses nossos limites, nossas influências internas é algo básico para nos equivocarmos menos, em menor medida. Sim, porque termos uma percepção "perfeita", "objetiva" é praticamente uma utopia, dada nossa condição biológica inescapável.


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Estudo mostra que beleza está mesmo nos olhos de quem vê


Saber que uma obra de arte é falsa muda a resposta do cérebro a ela, diz pesquisa


RIO - A beleza está mesmo nos olhos de quem vê, diz estudo da Universidade de Oxford. Segundos os cientistas, saber que uma obra de arte é falsa muda a resposta do cérebro sobre o conteúdo visual dela. Primeiro, eles escanearam os cérebros de 14 voluntários enquanto viam obras de “Rembrant”, isto é, algumas genuínas e outras imitações perfeitas feitas por outros artistas. Neste caso, nem os participantes nem seus sinais cérebros puderam distinguir entre as pinturas reais e as falsas.

No entanto, o alerta de que uma obra era autêntica alterou a resposta dos cérebros dos voluntários. O aviso foi eficaz mesmo se a pintura era de fato genuína ou não. Segundo Martin Kemp, professor emérito de História da Arte de Oxford e um dos autores do estudo, ele confirma a percepção de seus colegas, críticos e público em geral de que é sempre melhor crer que estamos vendo obras originais.

- Nosso estudo mostra que a maneira como vemos a arte não é racional, que não podemos nem mesmo distinguir entre dois trabalhos - diz. - Saber que um foi pintado por um artista renomado nos faz responder de maneira bastante diferente. O fato de as pessoas viajarem para galerias e museus ao redor do mundo para ver pinturas originais sugere que esta conclusão é razoável.

Saber que as obras eram verdadeiras aumentou a atividade na região do cérebro dos participantes relacionada a eventos recompensadores, como provar uma boa refeição ou ganhar uma aposta. Já saber que a pintura não tinha sido feita pelo mestre desencadeou uma cadeia complexa de respostas nas áreas de cérebro relacionadas a planejamento e estratégia. Os voluntários contaram que ao verem as supostas obras falsas eles tentaram entender por que os especialistas consideraram que elas não eram genuínas.

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