Posto aqui cometários pessoais sobre acontecimentos e outras reflexões que ligo à ufologia - pela qual nutro várias simpatias. Com apreensão, observo cada vez mais o interesse e o estudo sobre vida e a inteligência fora da Terra e além da humanidade derivar, dentro dos meios chamados "ufológicos", para as mais tacanhas formas de crendice e superstição, reforçando o obscurantismo, a irracionalidade, o fundamentalismo religioso e a pseudociência.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Feriado de sangue - aonde nos levam as crendices
Sobre ao último feriado do dia 30 de maio (2013), li uma nota na imprensa que o Corpus Christi se relaciona a um “milagre” ocorrido em 1263 na localidade italiana de Bolsena. Um padre alemão em peregrinação, descrente do dogma católico de que Cristo está presente na hóstia, viu-a “sangrar”, inclusive manchando a toalha do altar, enquanto o sacerdote duvidoso rezava uma missa por lá. Emissários papais teriam confirmado o fenômeno. Na cidade vizinha, Orvieto, onde o pontífice Urbano IV residia, foi exposta a hóstia sangrada, criando-se também uma festividade para marcar o “acontecido”, assim nascendo a tradição comemorativa que propagou-se por todo o mundo católico, assim como um sem número de “histórias extraordinárias”.
Parece-me algo um tanto (um tantão!) macabro isso de verter sangue de uma hóstia... E além do muito improvável (para não dizer completamente fantasioso) transformado em “fato oficial” de abrangência planetária, levado muito a sério – inclusive tornado feriado nacional no catolizado Brasil –, há o reforço do aspecto canibalístico do ritual da eucaristia: o “comer o corpo de Cristo”, que, em certos casos, como lá em Bolsena, há 750 anos, implica não só deglutir simbolicamente a carne, mas também literalmente o sangue de Jesus. Aliás, na falta do sangue real, há o vinho tinto, bebido pelos padres nas missas...
Interessante que o aspecto canibal e outros aspectos sanguinolentos do cristianismo romano (há também milagres que implicam chagas, cruzes e estátuas vertendo sangue etc.), tais alusão a antropofagia, a dores e ferimentos profundos não causam incômodos em muita gente, enquanto estas mesmas pessoas acham um “horror” rituais onde aves e outros animais são “sangrados” para (supostamente) estabelecer contatos transcendentais.
Particularmente, e em certa medida, eu prefiro o sacrifício e a dor simbólicas dos católicos do que a expiação ou consubstanciação de algo através da tortura e morte “terceirizadas” em galinhas, pombos, cabras, cordeiros etc. para o atendimento de demandas e preceitos desse primata inventivo e cheio de empáfia autodenominado humano. Em todo o caso – sejamos católicos, umbandistas, espíritas, judeus, muçulmanos, seisho-no-ies, teósofos etc. –, estamos diante da mesma necessidade de sermos algo mais além do que componentes inseparáveis de um planeta rodeado da mais aterradora escuridão, que nos faz cantar e contar histórias que nos apaziguem em nossa fome e desespero atávicos.
*** Sim, Jesus na cruz é um culto ao sofrer – pregos enormes, mãos furadas, ossos quebrados, coroa de espinhos, vinagre na boca, estocadas de lança, sangue correndo, rosto crispado; um filme de horror completo, prato cheio para masoquistas e sádicos! Um Cristo Solar me parece bem mais edificante. Mas num mundo com tantas disparidades, com poucos com tanto e a massa vivendo a pão e água, é preciso alguma justificação (“Jesus também sofreu!”) e “recompensa” para tanta resignação (a bonança pós-morte depois de uma vida em meio à tempestade inclemente). Compaixão e cooperação parecem ser a essência das mensagens religiosas tradicionais. Mas parece que tudo vira do avesso e nos tornamos sectários odiosos, prontos a esfaquear literal ou metaforicamente quem discordar da “A Verdade”...
***Outra coisa que me ocorre é, comparando eventos fantasiosos e lendários, uma situação onde o "avistamento" de uma Mula-sem-cabeça pudesse transformar-se num feriado nacional... Pareceria absurdo, né? Mas isso de uma hóstia verter sangue não é igualmente algo impossível que se torna "uma verdade incontestável"?!
Ele já esteve em mundos abissais, e agora estará em Santa Cruz do Sul para falar sobre o que aprendeu por lá
Pessoal,
Neste “Planeta Água”, quase erroneamente chamado Planeta Terra, há muito a se descobrir, compreender e, mais que tudo, a se proteger da devastação, fatal para incontáveis vidas vegetais e animais, incluindo o próprio primata autodenominado ser humano, o principal responsávei por tantos barabarismos contra o ecossistema global. Assim, não acho recomendável esperarmos algum disco-voador ou santo extraterrestre para assumir algo que depende da ampla conscientização e ações concretíssimas de nós mesmo, terráqueos "sapiens".
Uma das grandes figuras mundiais da proteção do oceanos e demais mananciais de água e vida aquática é Jean-Michel Cousteau, filho do lendário oceanógrafo francês e documentarista Jaques Cousteau. Pois Jean-Michel, que participou das expedições de seu pais desde os sete anos de idade, continuando e ampliando sua obra pioneira, estará aqui em Santa Cruz do Sul, na Universidade de Santa Cruz – UNISC –, na semana que vem, dia 18 de junho de 2013.
Para mais detalhes sobre Jean-Michel-Cousteau e suas atividades aqui em Santa Cruz, acesse o endereço:
http://www.unisc.br/site/palestra-jean-michel-cousteau/
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Uma curiosidade sobre o pai do palestrante:
Jacques-Yves Cousteau foi tema de um álbum do compositor e tecladista, pioneiro da new age e da música eletrônica pop, Jean Michel Jarre, também francês. Lançadas em 1990, homenageava Cousteau em seus 80 anos de vida e seu ativismo ambiental que atingiu milhões de pessoas pelo mundo afora (programas de TV, documentários, palestras, reuniões com personalidades mundiais etc.). São quatro faixas, uma delas, “Waiting for Cousteau”, também título do disco, possui quase 47 minutos (as outras – mais três faixas – em torno de 7 minutos cada uma).
A canção “Waiting for Cousteau” pode ser acessada no seguinte endereço:
http://www.youtube.com/watch?v=pH2UxxdXAfg
O músico Jean Michel Jarre também se celebrizou por espetáculos ao ar-livre e temáticas humanistas e ambientais de seus álbuns e shows, demonstrando o seu engajamento. A Wikipedia registra algo derivado de suas ligações a preocupações planetárias:
“Em 1986 ele trabalhou num concerto com a NASA: o astronauta Ronald McNair iria tocar o solo de saxofone da música Rendez-Vous VI enquanto estivesse em órbita no Ônibus espacial Challenger3 , enquanto os seus batimentos cardíacos seriam usados como amostras de som na mesma música. Esta seria a primeira música gravada do espaço, a ser incluída no álbum Rendez-Vous. Após o desastre com a espaçonave Challenger em 28 de Janeiro de 1986, a música foi gravada com outro saxofonista, recebeu o nome de Last Rendez-Vous - Ron's Piece e tanto a música, como o álbum foram dedicados aos astronautas mortos no acidente com a Challenger. Ele [Jean Michel Jarre] é um Embaixador da Boa Vontade da UNESCO, dedicado à causa da cultura, informação e liberdade” (em http://pt.wikipedia.org/wiki/Waiting_For_Cousteau).
A discografia, além de dados profissionais e biográficos de Jarre, podem ser acessados por aqui:
http://www.allmusic.com/artist/jean-michel-jarre-mn0000230593
***Comentário de um amigo:
Para completar, concordo plenamente e irrestrita com teus argumentos do primeiro parágrafo [da mensagem acima], pois se fala muito aos quatro cantos do mundo (os esotéricos), mas tambem em grupos ufológicos, que os extraterrestres VÃO SALVAR o planeta Terra. Acho isso inconcebível, pois quem tem consciência dos danos que a fauna e a flora sofrem todos os dias do ano, e só procurar por estas informações de notícias em qualquer lugar do planeta, que encontrará. [...] São atitudes de humanos, e não ETs, que vão salvar a vida na Terra, de pessoas gananciosas e alheias para com o respeito próximo. Certa ocasião, uma amiga, que já pertenceu a grupos ufológicos, deu seu parecer respondendo com críticas duras essa mentalidade de esperar que os ETs de luz estão cuidando de nós para que o planeta não seja agredido. Óra bolas... há décadas que coexistem a devastação e a negligencia por interesses excusos.
N.
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