sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sagan entre demônios e ETs: para dar luz ao obscurantismo que faz da ufologia uma igreja bizarra


Estou lendo com grande interesse o livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro”, do “nosso amigo” de infância e adolescência, Carl “Cosmos” Sagan.

E a obra tem tudo a ver com Ufologia. Mas, tenho quase certeza, não do modo que a esmagadora maioria dos que se declaram ufólogos gostaria de ver retratado. Sagan vai desmascarando as abordagens que ele chama de pseudocientíficas, supersticiosos e obscurantistas – que são uma negação daquilo que os humanos construíram com tanto empenho e que produziu inúmeros avanços à civilização: a ciência, o seu método científico, sempre em desenvolvimento, mas baseando no misto da vontade de saber e na precaução contra aquilo que não se pode provar cabalmente. Ou seja, contra a credulidade cega, a fé sem auto-crítica, as paixões que toldam nossa mente, nosso olhar, nossas conclusões.

Há capítulos específicos tratando da ufologia (ou ufolatria, como diz o Rafa) – um deles com o título “Alienígenas” – e praticamente todos as personalidade e histórias clássicas, como as de Roswell, de George Adamski e do casal Betty e Barney Hill, são tratados – com muito respeito, diga-se, mas levantando muitas dúvidas sobre a veracidade dos relatos e a grande possibilidade de auto-ilusão, inclusive de forma compartilhada. De fato, NÃO HÁ elemento algum que comprove o que não passa de hipóteses extremamente frágeis. Alguns elemento, são risíveis, até, e apostam e dependem da total boa-fé de quem “quer acreditar” por uma compulsão ao miraculoso.

Recomendo a toda pessoa seriamente interessada em ufologia que leia esta obra do Sagan. Mesmo que para alguns revolte a criticidade de Sagan às abordagens insensatas de certos ufólogos e de gente que explora de uma maneira cafajeste o tema, acho que é preciso enfrentar o questionamento, a crítica. Mas não esqueçamos de que tais questionamentos e críticas partem de um dos cientistas mais populares do planeta, e que colaborou para tornar a pesquisa sobre vida e inteligência extraterrestres algo sério e aceito dentro dos institutos e academias cientificamente respeitáveis, não fazendo da ufologia apenas artigo de ficção, de folclore, culto religioso e, pior, piada.

Sagan, ainda no começo de sua carreira, escreveu obras como “Intelligent Life in the Universe” (1966) e “Communication with Extraterrestrial Intelligence” (1973). Ou seja, não é alguém “anti-ufologia”. Eu, na verdade, o considero um cara fundamental para “regenerar”, dar seriedade, retirar do campo místico os estudos reunidos em torno da designação “ufologia”. Caso contrário, vai continuar o descrédito, a zombaria e a justa pecha de que os ufólogos na passam de bizarros crentões em busca de novos deuses, ou seja, de uma “nova igreja” – jamais de uma ciência verdadeira ou, ao meno, um estudo sério, que acrescente conhecimentos reais, que expandam nossos horizontes.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Blecaute no Canadá em 1989 - causas extraterrestres


Em 1989, parte do Canadá ficou às escuras “misteriosamente”, num apagão fenomenal. Várias “teorias” poderiam ser aventadas, entre elas, é claro... a influência de Óvnis e ETs... semelhante ao que aconteceria em tempos idos, quando terremotos eram explicados pela presença de demônios ou por força do descontentamentos de divindades.

Mas, no caso, a causa do blecaute no Canadá era, mesmo, vinda do espaço, de uma estrela, o Sol.

Periódicas explosões solares ejetam materiais, produzindo, neste deslocamento, poderosos campos magnéticos, que, ao interagir com os campos da terra, geram as “tempestades magnéticas” (vejam em anexo a imagem do bacaníssimo fenômeno físico dos campos magnéticos do Sol e da Terra – ilustração da Nasa).

A matéria de onde eu retirei essas informações – Revista Pesquisa FAPESP, do mês de junho passado – diz que

“O fenômeno pode causar problemas para a navegação, a aviação, para astronautas em serviço no espaço e até se manifestar de forma mais prosaica, interferindo no funcionamento da rede elétrica”.

O interesse nos fenômenos solares é óbvio, já que se trata do astro fundamental para a existência da vida na Terra. No Brasil, pesquisas têm buscado esclarecer os processos:

“Diminuir o desconhecimento, descrever as consequências dessas explosões e avaliar como elas afetam este planeta é o que ocupa a geofísica espacial Cristiane Loesch, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)”.

Dias atrás, já havia comentado essas interferências “vindas do espaço” (literalmente), muitas vezes interpretadas como “miraculosas”. Sim, podem ser algo grandioso e cheio de incógnitas, mas são destrincháveis, sem necessidade de apelar a explicações pseudocientíficas ou místicas (e mistificadoras).

Abaixo, a matéria por inteiro, e o endereço para quem quiser acessar diretamente o site da (ótima) revista.

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Ciência/Astronomia

Choques solares

Estudo detalha relação entre explosões no Sol e tempestades magnéticas na Terra

POR Maria Guimarães

Edição Impressa 184 - Junho 2011

Com aquela aparência de uma imensa bola de fogo no céu, o Sol de fato está longe de ser um astro brando. Ali acontecem explosões – de uma por semana nos períodos mais calmos até duas ou três por dia quando a atividade está mais intensa – que lançam partículas e gases superaquecidos para longe do Sol a velocidades de até 2.500 quilômetros por segundo e perturbam o vento solar. Assim como uma pedra jogada na água gera ondas concêntricas, essas explosões ejetam material e dão origem a ondas de choque que podem chegar à Terra. O fenômeno impressiona e é deslumbrante quando capturado em imagens, mas, nessa área da astronomia, o surpreendente é o pouco que se conhece. Diminuir o desconhecimento, descrever as consequências dessas explosões e avaliar como elas afetam este planeta é o que ocupa a geofísica espacial Cristiane Loesch, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entender a atividade solar é um objetivo cada vez mais crucial, como lembra Sir John Bed-dington na entrevista desta edição (ver entrevista "John Beddington: O Sir da ciência").

O material ejetado do Sol durante as explosões carrega campo magnético que, ao aproximar-se da Terra, por sua vez altera o campo magnético do planeta, causando as chamadas tempestades magnéticas. O fenômeno pode causar problemas para a navegação, a aviação, para astronautas em serviço no espaço e até se manifestar de forma mais prosaica, interferindo no funcionamento da rede elétrica e causando apagões como o que deixou parte do Canadá no escuro em 1989. Um dos problemas para descrever o fenômeno com exatidão é que não basta apontar um telescópio para o Sol, já que sua luminosidade ofusca o que acontece logo em torno. A pesquisadora do Inpe, então, recorre a simulações baseadas em modelos que descrevem os efeitos dessas explosões de gases solares, conhecidas como ejeções de massa coronal (CMEs, na sigla em inglês). “Ninguém sabe ainda exatamente como funciona a erupção delas no Sol”, explica. Por meio desse recurso teórico, ela volta os olhos para a região da atmosfera solar mais próxima do Sol, conhecida como baixa coroa solar, uma zona até agora muito pouco explorada.

Durante o doutorado, com orientação de Maria Virginia Alves, também do Inpe, e em colaboração com Merav Opher, uma astrofísica brasileira radicada nos Estados Unidos, Cristiane comparou as previsões de dois desses modelos teóricos para estudar, naquela região, as assinaturas de duas CMEs com configurações distintas. Observou que a energia magnética da CME é convertida em térmica e cinética à medida que se afasta da origem e que as características magnéticas iniciais importam pouco para as velocidades de choque que se seguem. Além disso, os dois modelos se revelaram bastante parecidos no que diz respeito às consequências das CMEs bem próximo ao Sol, numa distância entre duas e seis vezes o raio do astro, conforme mostra em artigo publicado em abril deste ano no Journal of Geophysical Research. “Ali o vento ainda tem uma estrutura muito solar, com características típicas dos arredores do astro”, ela justifica a escolha, “e mais junto à superfície acontece muita coisa que não se entende”. Para se ter uma noção da escala, a distância entre a Terra e o Sol é de cerca de 212 raios solares.

Na teoria - A semelhança dos resultados obtidos com os dois modelos foi uma surpresa, porque eles partem de premissas que deveriam gerar interações distintas entre a CME e o vento solar. Mas, nos dois casos, as CMEs geram uma onda de choque que se propaga mais depressa do que a própria explosão e caminha em direção à Terra, e empurram diante de si uma zona de vento solar perturbado conhecida como bainha. Essa bainha se alarga à medida que se afasta do Sol e, Cristiane conta, pode aumentar em até 29% a entrada de energia na magnetosfera. É isso que pode contribuir para tempestades magnéticas na Terra.

Cristiane verificou que o tamanho dessa bainha é diferente nos dois modelos e observou nelas uma segunda onda de choque. Ainda falta entender melhor o porquê. Para investigar o que gera esse choque posterior, que aparece a pouco menos de 2,5 raios solares, Merav sugeriu a Indajit Das, na época seu doutorando, que examinasse as CMEs como um todo e analisasse o que pode gerar uma compressão atrás do choque. A compressão é especialmente alta na baixa coroa solar, onde a densidade do vento solar é mais alta, de acordo com o trabalho de Das, publicado em março no Astrophysical Journal. O artigo tem coautoria de Cristiane e mostra que, quando a CME se afasta do Sol, o campo magnético à sua frente se comprime e o plasma entre as linhas de campo sai para os lados, criando uma região pouco densa na bainha. “É como um barco empurrando a água”, compara a pesquisadora do Inpe, “a água passa pelas laterais”. O estudo mostra também que a CME pode dar origem ao choque posterior quando empurra o plasma da bainha, acumulando massa.

Ainda falta muito para se descrever em detalhes como os fenômenos se comportam e por quê. Parece certo que, até três raios de distância do astro que ilumina a Terra, os choques causados pelas CMEs estão associados à aceleração de partículas. Agora Cristiane busca compreender o que ocorre no restante do espaço que separa o Sol da Terra. Ela quer acompanhar a perturbação causada pelas bainhas das ejeções de massa coronal até este planeta para ver que variações elas causam no campo magnético terrestre e como isso pode ser relacionado ao que acontece no Sol. É um longo trajeto.

FONTE: http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=4440&bd=1&pg=1&lg

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Uma viajante espacial alerta aos humanos: A Terra corre sério perigo...


Uma notícia bacana: a Fundação Roberto Marinho, em parceria com a instituição francesa Universcience (http://www.universcience.fr/fr/accueil/), que é comandada pela astronauta Claudie Haigneré, está montando o Museu do Amanhã no Rio de Janeiro, previsto para funcionar em 2014.

A idéia é estruturar um grande centro (em anexo, foto de parte do projeto), com exposições interativas e outras atividades que provoquem a reflexão e engajamento das pessoas nos problemas radicais da nossa civilização. Uma equipe multiprofissional está empenhada no planejamento do “Museu”, entre neurocientistas, urbanistas, sociólogos, astrofísicos etc. Temas como o clima do planeta, a longevidade do ser humano e as novas formas de trabalho serão abordados.

Em 2001, Claudie esteve na Estação Espacial Internacional (ISS). A experiência foi impactante. Na reportagem, que segue no final, a astronauta francesa diz o seguinte:

– Vi a Terra à distância. Vi um planeta frágil, com recursos limitados. E os únicos responsáveis pela perenidade deste planeta são os seres humanos. Temos uma mensagem: sejamos responsáveis, preocupados e vamos agir por este planeta.

Não precisamos de capitães de frotas estelares de outras dimensões ou galáxias para nos “alertar” sobre a fragilidade da vida na Terra. Podemos ter o testemunho de uma terráquea, que viajou em uma nave espacial de tecnologia totalmente desenvolvida por humanos. E então cair na realidade: o futuro do mundo depende do esforço de todos nós, habitantes de Gaia, no aqui e agora.

Abraços!

Iuri

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JC e-mail 4311, de 29 de Julho de 2011.

Museu do Amanhã com sotaque francês

Fundação Roberto Marinho assina convênio para fazer parceria com instituição de Paris.

Primeira astronauta europeia a visitar, em 2001, a Estação Espacial Internacional, a francesa Claudie Haigneré conta que, lá do alto do espaço, viu como a Terra é fragil. Seu sonho? Ver surgir uma nova geração engajada na defesa do planeta e da ciência. No comando da Universcience - instituição que reúne os dois maiores museus de ciência de Paris -, a astronauta deu ontem um passo na direção do Brasil: assinou com a Fundação Roberto Marinho uma parceria para ajudar a desenvolver o espaço que tem a ambição de fazer as pessoas pensarem o futuro: o Museu do Amanhã, previsto para ser inaugurado na Praça Mauá, em 2014.

- Vi a Terra à distância. Vi um planeta frágil, com recursos limitados. E os únicos responsáveis pela perenidade deste planeta são os seres humanos. Temos uma mensagem: sejamos responsáveis, preocupados e vamos agir por este planeta - disse a astronauta.

Ao firmarem o acordo, ontem, na Cidade das Ciências e da Indústria, em Paris, o presidente da Fundação Roberto Marinho, José Roberto Marinho, e Haigneré tinham o mesmo discurso: numa época marcada pela aceleração das inovações tecnológicas, é preciso colocar o cidadão para participar desta mudança.

José Roberto Marinho defendeu um "museu engajado" e foi mais longe.

- A única solução para o futuro é que as pessoas aprendam a ver a causa e a consequência do que fazem. Hoje temos uma educação totalmente desconectada do que acontece na realidade. Temos que repensar a educação e fazer com que ela seja mais baseada na prática do dia a dia, com poder de decisão para que os governantes não trabalhem sozinhos.

O projeto, segundo ele, é revolucionário: entre 40 e 50 cientistas, arquitetos, neurocientistas, urbanistas e outros profissionais estão refletindo sobre temas do Museu do Amanhã, que vão incluir desde questões climáticas e longevidade do ser humano às novas formas de emprego.

O Museu do Amanhã terá um espaço de exposições temporárias. A Fundação Roberto Marinho está interessada em trazer do museu parisiense a mostra chamada "Habitat" - uma discussão sobre a habitação do futuro. José Roberto Marinho, por outro lado, sonha em levar uma mostra brasileira para os museus de ciência de Paris:

- Vamos trazer uma certa experiência tropical. Por exemplo, toda a parte de energia sustentável, energias vegetais e novas formas de habitação.

(O Globo)