Estou lendo com grande interesse o livro “O Mundo Assombrado pelos Demônios: a ciência vista como uma vela no escuro”, do “nosso amigo” de infância e adolescência, Carl “Cosmos” Sagan.
E a obra tem tudo a ver com Ufologia. Mas, tenho quase certeza, não do modo que a esmagadora maioria dos que se declaram ufólogos gostaria de ver retratado. Sagan vai desmascarando as abordagens que ele chama de pseudocientíficas, supersticiosos e obscurantistas – que são uma negação daquilo que os humanos construíram com tanto empenho e que produziu inúmeros avanços à civilização: a ciência, o seu método científico, sempre em desenvolvimento, mas baseando no misto da vontade de saber e na precaução contra aquilo que não se pode provar cabalmente. Ou seja, contra a credulidade cega, a fé sem auto-crítica, as paixões que toldam nossa mente, nosso olhar, nossas conclusões.
Há capítulos específicos tratando da ufologia (ou ufolatria, como diz o Rafa) – um deles com o título “Alienígenas” – e praticamente todos as personalidade e histórias clássicas, como as de Roswell, de George Adamski e do casal Betty e Barney Hill, são tratados – com muito respeito, diga-se, mas levantando muitas dúvidas sobre a veracidade dos relatos e a grande possibilidade de auto-ilusão, inclusive de forma compartilhada. De fato, NÃO HÁ elemento algum que comprove o que não passa de hipóteses extremamente frágeis. Alguns elemento, são risíveis, até, e apostam e dependem da total boa-fé de quem “quer acreditar” por uma compulsão ao miraculoso.
Recomendo a toda pessoa seriamente interessada em ufologia que leia esta obra do Sagan. Mesmo que para alguns revolte a criticidade de Sagan às abordagens insensatas de certos ufólogos e de gente que explora de uma maneira cafajeste o tema, acho que é preciso enfrentar o questionamento, a crítica. Mas não esqueçamos de que tais questionamentos e críticas partem de um dos cientistas mais populares do planeta, e que colaborou para tornar a pesquisa sobre vida e inteligência extraterrestres algo sério e aceito dentro dos institutos e academias cientificamente respeitáveis, não fazendo da ufologia apenas artigo de ficção, de folclore, culto religioso e, pior, piada.
Sagan, ainda no começo de sua carreira, escreveu obras como “Intelligent Life in the Universe” (1966) e “Communication with Extraterrestrial Intelligence” (1973). Ou seja, não é alguém “anti-ufologia”. Eu, na verdade, o considero um cara fundamental para “regenerar”, dar seriedade, retirar do campo místico os estudos reunidos em torno da designação “ufologia”. Caso contrário, vai continuar o descrédito, a zombaria e a justa pecha de que os ufólogos na passam de bizarros crentões em busca de novos deuses, ou seja, de uma “nova igreja” – jamais de uma ciência verdadeira ou, ao meno, um estudo sério, que acrescente conhecimentos reais, que expandam nossos horizontes.
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