Na segunda-feira passada (18/06/12) li a entrevista do diretor Ridley Scott sobre seu último filme, “Prometheus”, um episódio anterior ao mitológico (e jamais superado nas suas sequencias, dirigidos por outros diretores) “Alien – O Oitavo Passageiro”.
Algo que me chamou a atenção foi a menção ao escritor e ufólogo Erik Von Däniken (ilustração acima: photographed 19-October-2006 por Michal Maňas). Está aí mais uma prova de sobrevivência e fôlego das obras desse famoso estudioso suíço, mais conhecido pelo best-seller mundial “Eram Os Deuses Astronautas?”. E também numa prova da extensão dos leitores Däniken e sua influência na cultura de massas, no pensamento de inúmeras e diversas pessoas, caso do próprio diretor de “Promettheus” e “Alien”.
Gostei do que disse Ridley Scott, porque ao não endossar como “fatos verídicos”, não descarta hipóteses diretas e indiretas derivadas do livro de Däniken.
O repórter indaga Scott sobre o atual filme “Prometheus”:
- Erik Von Däniken escreveu um monte de livros sobre os deuses astronautas. Foi uma influência?
Responde Scott:
- Ninguém o levava a sério, do ponto de vista científico, mas muitas hipóteses que levantou permanecem sem respostas e não podem ser descartadas. Parte disso veio para o filme, sim.
(FONTE: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2012/06/confira-entrevista-com-o-diretor-de-prometheus-ridley-scott-3792939.html)
Também em Zero Hora, numa reportagem de dias anteriores (07/06/12) sobre o lançamento do filme, o jornalista Marcelo Perrone abre o texto justamente com o título do livro de Däniken, ou seja,
Eram os deuses astronautas?
"Prometheus" marca o retorno de Ridley Scott ao universo de "Alien"
Perrone diz que há “enorme expectativa com a volta de Ridley Scott à ficção científica, 30 anos após o diretor se consagrar com duas obras-primas do gênero, Alien – O Oitavo Passageiro e Blade Runner – O Caçador de Androides, [que agora] chega ao fim diante de Prometheus”. (FONTE: http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/cultura-e-lazer/segundo-caderno/noticia/2012/06/prometheus-marca-o-retorno-de-ridley-scott-ao-universo-de-alien-3783177.html)
Na abertura da entrevista mencionada anteriormente, é dito: “Durante muito tempo se falou no retorno do diretor a seu filme mítico, Alien – O Oitavo Passageiro, de 1979. O próprio título, Scott reconhece, é simbólico. Prometeu, o herói mitológico, roubou o fogo de Zeus para dá-lo aos homens e foi punido pelo deus. Prometheus, o filme, parece que vai responder ao enigma de Alien e lança novas perguntas.”
“Lançar perguntas!” Eis, na minha opinião, a principal colaboração da ufologia. Uma pena que tantos “ufólogos”, afoitos (afoitólogos?), já querem trazer as “respostas”, muitas vezes de um primarismo intelectual que nem a pior ficção científica é capaz de conceber. Filmes com os de Ridley Scott fazem da ficção uma prospecção o íntimo do micro e do macrocosmos humanos.
*** Erik Von Däniken, do alto dos seus 76 anos, talvez seja o mais afamado e prototípico ufólogo existente – alguém que não é um pesquisador acadêmico, ne de formação universitária, mas que, pelo autodidatismo, diletantemente se preparou e se empenhou em levantar hipóteses a partir de suas observações, tendo uma enorme produção de livros e outras derivações. Recomendo a entrevista dele, que saiu no SwissInfo no ano passado:
http://www.swissinfo.ch/por/reportagens/Erich_von_Daeniken:_O_mundo_nao_acaba_em_2012.html?cid=30620348
Posto aqui cometários pessoais sobre acontecimentos e outras reflexões que ligo à ufologia - pela qual nutro várias simpatias. Com apreensão, observo cada vez mais o interesse e o estudo sobre vida e a inteligência fora da Terra e além da humanidade derivar, dentro dos meios chamados "ufológicos", para as mais tacanhas formas de crendice e superstição, reforçando o obscurantismo, a irracionalidade, o fundamentalismo religioso e a pseudociência.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
"O melhor filme de alienígenas da história do cinema" completou 30 anos de lançamento
Falando em moldagem do imaginário, completou-se na semana passada 30 anos da estreia nos cinema de ET, O Extraterrestre, outro clássico emplacado pelo diretor Steven Spielberg.
Olha o que diz a reportagem do portal Terra:
“O drama do pequeno extraterrestre E.T., perdido na Terra e empenhado em telefonar para sua casa, comoveu milhões de espectadores há 30 anos, tempo em que se consolidou como o melhor filme de alienígenas da história do cinema. E.T.: O Extraterrestre estreou nos Estados Unidos em 11 de junho de 1982, poucos dias após ser apresentado no Festival de Cannes, entre os aplausos da crítica e do público. A produção foi um sucesso de bilheteria e recebeu nove indicações ao Oscar - entre elas as de melhor filme, direção e roteiro - levando quatro prêmios: melhores efeitos especiais, melhores efeitos sonoros, melhor som e trilha sonora original, com a inesquecível composição de John Williams.”
Definitivamente, pelo tremendo sucesso do filme – e que continua emocionando as pessoas em seus relançamentos periódicos e nos infindávei downloads e locações – , os extraterrestres são incorporados no imaginário da humanidade de uma forma massiva (proporcionado pela abrangência global da indústria cultural americana). Não como seres malignos, mas empaticamente, como já aconteceu através de outro filme do “mago” Spielbeg, o “Contatos Imediatos”. Já, filmes como “Alien, o 8º passageiro” (outro clássico sensacional, este de Ridley Scott), apresentam a figura de um ser extreterrestre de forma assustadora, ameaçadora, cruel. Spielberg constrói a ideia da possibilidade não só do contato, mas da amizade, da colaboração, da harmonia entre humanos e ETs.
No “mundo da ufologia”, a ficção literária e o cinematográfica são uma base psicológica importantíssima para entendermos (e explicarmos) boa parte dos relatos ufológicos – avistamentos, abduções, enfim, contatos.
***Acima, ilustração com a nave que vem regatar o E.T. do filme. Em sua configuração, elementos já estabelecidos do imaginário para um veículo de viagem espacial, e, ao mesmo tempo, que, pela divulgação massiva, estabelece um padrão que bem possivelmente confugura relatados como avistamentos tidos como "reais".
terça-feira, 5 de junho de 2012
Para pensar
Segue umas anotações que fiz do livro do geneticista Richard Dawkins (foto acima), professor britânico na Universidade de Oxford, autor de inúmeras obras, onde se inclui “The God delusion”, afamado no Brasil pelo título “Deus, uma ilusão”.
Independente de descrenças ou crenças, sempre é interessante escutar pessoas que nos fazem pensar. No “mundo ufológico” (“Ufo World”... assim como Disney World...), acho bom puxar o apito do trem, alertando os incautos ou bêbados (ou até os potenciais suicidas) para os cuidado nos cruzamentos ferroviários...
Na minha opinião, Dawkins é um bom apito:
- Vejo o esforço humano para entender o universo como um empreendimento de modelismo. Cada um de nós constrói, dentro de nossa cabeça, um modelo do mundo em que vivemos. O modelo mínimo do mundo é o modelo de que nossos ancestrais precisavam para sobreviver nele. O software da simulação foi construído e aperfeiçoado pela seleção natural, e funciona melhor no mundo que nossos ancestrais da savana africana conheciam: um mundo tridimensional de objetos materiais de dimensões médias, movendo-se em velocidades médias proporcionalmente entre si. Num bônus inesperado, nosso cérebro revelou-se poderoso o suficiente para acomodar um modelo de mundo muito mais rico que o mundo medíocre e utilitarista de que nossos ancestrais precisavam para sobreviver. A arte e a ciência são manifestações desse bônus. p.458
- O que vemos do mundo real não é o mundo real intocado, mas um 'modelo' do mundo real, regulado e ajustado por dados sensoriais – um modelo que é construído para que seja útil para lidar com o mundo real. A natureza desse modelo depende do tipo que somos. Um animal que voa precisa de um modelo de mundo diferente do de um animal que anda, que escala ou que nada. p.471
- [Sam Harris em The end of faith diz que] O perigo da fé religiosa é que ela permite a seres humanos normais colher os frutos da loucura e considerá-los 'sagrados'. Como cada nova geração de crianças aprende que as proposições religiosas não precisam ser justificadas, como todas as outras precisam, a civilização ainda está sitiada pelos exércitos dos irracionais. Estamos, agora mesmo, nos matando por causa de literatura da Antiguidade. Quem imaginaria que uma coisa tão tragicamente absurda seria possível? p.358-359
- [Gore Vidal diz que] O grande e indizível mal no cerne de nossa cultura é o monoteísmo. A partir de um texto bárbaro da Idade do Bronze, conhecido como Antigo Testamento, evoluíram três religiões anti-humanas – o judaísmo, o cristianismo e o islã. São religiões de deus-no-céu. São, literalmente, patriarcais – Deus é o Pai Onipotente –, daí o desprezo às mulheres por 2 mil anos nos países afligidos pelo deus-no-céu e seus enviados masculinos terrestres. [...] A mais antiga das três religiões abraâmicas [ou seja, fundadas pelo patriarca bíblico Abraão], e a clara ancestral das outras duas, é o judaísmo: originalmente um culto tribal a um Deus único e desagradável, que tinha uma obsessão mórbida por restrições sexuais, pelo cheiro de carne queimada, por sua superioridade em relação aos deuses rivais e pelo exclusivismo de sua tribo desértica escolhida. Durante a ocupação romana da Palestina, o cristianismo foi fundado por Paulo de Tarso como uma seita do judaísmo menos intrasigentemente monoteísta e menos exclusivista, que olhou além dos judeus e para o resto do mundo. Vários séculos depois, Maomé e seus seguidores retomaram o monoteísmo inflexível do original judaico, mas não seu exclusivismo, e fundaram o islamismo a partir de um novo livro sagrado, o Corão, ou Qur'an, acresscentando uma forte ideologia de conquista militar à dimensão da fé. O cristianimso também foi disseminado pela espada, primeiro nas mãos romanas, quando o imperador Constantino o elevou de culto excêntrico a religião oficial, depois nas dos cruzados e depois nas dos conquistadores e outros invasores e colonizadores europeus, com acompanhamento missionário. p.63-64
- Os fundamentalistas sabem que estão certos porque leram a verdade num livro sagrado e sabem, desde o começo, que nada os afastará da crença. A verdade do livro sagrado é um axioma, não o produto final de um processo de raciocínio. O livro é a verdade e, se as provas parecem contradizê-lo são as provas que devem ser rejeitadas, não o livro. p.362
***Como um certo contraponto, fiz o seguinte comentário, usando um poucos as ideias de um outro pensador, Alain de Botton:
Acredito que diante da nossas fragilidades, abraçar uma religião é algo muito reconfortante em certas situações ou alturas das nossas vidas. Mas é também aceitar um limite, uma autoridade, e se submeter a ela.
A religião tem isso de agregar as pessoas, fazê-las compartilhar, se sentirem aconchegadas e felizes com um futuro bom e sem fim, nem que seja após a morte.
Estou lendo uns livros de um filósofo (suíço, morando na Inglaterra) chamado Alain de Botton. Excelente. Gostoso de ler. Com erudição, mas sem pedantismo, e abordando coisas como... uma fábrica de biscoito nos arredores de Londres, a pesca de salmão nas maldivas, que é o caso de Prazeres e Desprazeres do Trabalho.
Na cabeceira, degustando aos poucos, o Desejo de Status - um destrinchamento das nossas neuroses advindas da inveja, da competitividade entre pares e do absurdo de pautar a vida em espectativas ditadas pelo consumo...
Na lista desse autor, está o Religião para Ateus...
Quando der, olhem (abaixo) a resenha e já vejam que interessante a abordagem dese Alain, um ateu vendo a religião em sua positividade ou utilidade - até para descrentes totais...
Religião para ateus
Alain de Botton
Em Religião para ateus, o filósofo - e ateu obstinado - Alain de Botton discute o principal erro do ateísmo moderno: negligenciar os aspectos relevantes das religiões após o descarte dos princípios centrais das fés. Embora, em um primeiro momento, a discussão a respeito da existência ou não de Deus possa ser considerada como um divertido exercício, ao observar os ritos e conceitos morais que regem as religiões, o autor propõe um passo adiante. Dissecadas, crenças, como cristianismo, judaísmo e budismo, podem ser compreendidas como arcabouços éticos estruturados por nós para atender à demanda humana de viver em comunidade, controlando sua tendência à violência, estimulando hábitos essenciais, como a compaixão e o perdão, e reconfortando mente e corpo diante do sofrimento.
Com uma linguagem acessível e provocativa, Alain de Botton discute como as religiões são sábias por não esperar que lidemos sozinhos com nossas emoções e sugere como a sociedade contemporânea pode fazer uso dessas ferramentas para mitigar alguns dos males mais persistentes e negligenciados da vida secular. Ao descartar os dogmas e o sobrenatural, o autor propõe o resgate de uma sabedoria que pertence a toda humanidade, inclusive aos mais céticos.
FONTE: www.intrinseca.com.br
Independente de descrenças ou crenças, sempre é interessante escutar pessoas que nos fazem pensar. No “mundo ufológico” (“Ufo World”... assim como Disney World...), acho bom puxar o apito do trem, alertando os incautos ou bêbados (ou até os potenciais suicidas) para os cuidado nos cruzamentos ferroviários...
Na minha opinião, Dawkins é um bom apito:
- Vejo o esforço humano para entender o universo como um empreendimento de modelismo. Cada um de nós constrói, dentro de nossa cabeça, um modelo do mundo em que vivemos. O modelo mínimo do mundo é o modelo de que nossos ancestrais precisavam para sobreviver nele. O software da simulação foi construído e aperfeiçoado pela seleção natural, e funciona melhor no mundo que nossos ancestrais da savana africana conheciam: um mundo tridimensional de objetos materiais de dimensões médias, movendo-se em velocidades médias proporcionalmente entre si. Num bônus inesperado, nosso cérebro revelou-se poderoso o suficiente para acomodar um modelo de mundo muito mais rico que o mundo medíocre e utilitarista de que nossos ancestrais precisavam para sobreviver. A arte e a ciência são manifestações desse bônus. p.458
- O que vemos do mundo real não é o mundo real intocado, mas um 'modelo' do mundo real, regulado e ajustado por dados sensoriais – um modelo que é construído para que seja útil para lidar com o mundo real. A natureza desse modelo depende do tipo que somos. Um animal que voa precisa de um modelo de mundo diferente do de um animal que anda, que escala ou que nada. p.471
- [Sam Harris em The end of faith diz que] O perigo da fé religiosa é que ela permite a seres humanos normais colher os frutos da loucura e considerá-los 'sagrados'. Como cada nova geração de crianças aprende que as proposições religiosas não precisam ser justificadas, como todas as outras precisam, a civilização ainda está sitiada pelos exércitos dos irracionais. Estamos, agora mesmo, nos matando por causa de literatura da Antiguidade. Quem imaginaria que uma coisa tão tragicamente absurda seria possível? p.358-359
- [Gore Vidal diz que] O grande e indizível mal no cerne de nossa cultura é o monoteísmo. A partir de um texto bárbaro da Idade do Bronze, conhecido como Antigo Testamento, evoluíram três religiões anti-humanas – o judaísmo, o cristianismo e o islã. São religiões de deus-no-céu. São, literalmente, patriarcais – Deus é o Pai Onipotente –, daí o desprezo às mulheres por 2 mil anos nos países afligidos pelo deus-no-céu e seus enviados masculinos terrestres. [...] A mais antiga das três religiões abraâmicas [ou seja, fundadas pelo patriarca bíblico Abraão], e a clara ancestral das outras duas, é o judaísmo: originalmente um culto tribal a um Deus único e desagradável, que tinha uma obsessão mórbida por restrições sexuais, pelo cheiro de carne queimada, por sua superioridade em relação aos deuses rivais e pelo exclusivismo de sua tribo desértica escolhida. Durante a ocupação romana da Palestina, o cristianismo foi fundado por Paulo de Tarso como uma seita do judaísmo menos intrasigentemente monoteísta e menos exclusivista, que olhou além dos judeus e para o resto do mundo. Vários séculos depois, Maomé e seus seguidores retomaram o monoteísmo inflexível do original judaico, mas não seu exclusivismo, e fundaram o islamismo a partir de um novo livro sagrado, o Corão, ou Qur'an, acresscentando uma forte ideologia de conquista militar à dimensão da fé. O cristianimso também foi disseminado pela espada, primeiro nas mãos romanas, quando o imperador Constantino o elevou de culto excêntrico a religião oficial, depois nas dos cruzados e depois nas dos conquistadores e outros invasores e colonizadores europeus, com acompanhamento missionário. p.63-64
- Os fundamentalistas sabem que estão certos porque leram a verdade num livro sagrado e sabem, desde o começo, que nada os afastará da crença. A verdade do livro sagrado é um axioma, não o produto final de um processo de raciocínio. O livro é a verdade e, se as provas parecem contradizê-lo são as provas que devem ser rejeitadas, não o livro. p.362
***Como um certo contraponto, fiz o seguinte comentário, usando um poucos as ideias de um outro pensador, Alain de Botton:
Acredito que diante da nossas fragilidades, abraçar uma religião é algo muito reconfortante em certas situações ou alturas das nossas vidas. Mas é também aceitar um limite, uma autoridade, e se submeter a ela.
A religião tem isso de agregar as pessoas, fazê-las compartilhar, se sentirem aconchegadas e felizes com um futuro bom e sem fim, nem que seja após a morte.
Estou lendo uns livros de um filósofo (suíço, morando na Inglaterra) chamado Alain de Botton. Excelente. Gostoso de ler. Com erudição, mas sem pedantismo, e abordando coisas como... uma fábrica de biscoito nos arredores de Londres, a pesca de salmão nas maldivas, que é o caso de Prazeres e Desprazeres do Trabalho.
Na cabeceira, degustando aos poucos, o Desejo de Status - um destrinchamento das nossas neuroses advindas da inveja, da competitividade entre pares e do absurdo de pautar a vida em espectativas ditadas pelo consumo...
Na lista desse autor, está o Religião para Ateus...
Quando der, olhem (abaixo) a resenha e já vejam que interessante a abordagem dese Alain, um ateu vendo a religião em sua positividade ou utilidade - até para descrentes totais...
Religião para ateus
Alain de Botton
Em Religião para ateus, o filósofo - e ateu obstinado - Alain de Botton discute o principal erro do ateísmo moderno: negligenciar os aspectos relevantes das religiões após o descarte dos princípios centrais das fés. Embora, em um primeiro momento, a discussão a respeito da existência ou não de Deus possa ser considerada como um divertido exercício, ao observar os ritos e conceitos morais que regem as religiões, o autor propõe um passo adiante. Dissecadas, crenças, como cristianismo, judaísmo e budismo, podem ser compreendidas como arcabouços éticos estruturados por nós para atender à demanda humana de viver em comunidade, controlando sua tendência à violência, estimulando hábitos essenciais, como a compaixão e o perdão, e reconfortando mente e corpo diante do sofrimento.
Com uma linguagem acessível e provocativa, Alain de Botton discute como as religiões são sábias por não esperar que lidemos sozinhos com nossas emoções e sugere como a sociedade contemporânea pode fazer uso dessas ferramentas para mitigar alguns dos males mais persistentes e negligenciados da vida secular. Ao descartar os dogmas e o sobrenatural, o autor propõe o resgate de uma sabedoria que pertence a toda humanidade, inclusive aos mais céticos.
FONTE: www.intrinseca.com.br
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