terça-feira, 5 de junho de 2012

Para pensar

Segue umas anotações que fiz do livro do geneticista Richard Dawkins (foto acima), professor britânico na Universidade de Oxford, autor de inúmeras obras, onde se inclui “The God delusion”, afamado no Brasil pelo título “Deus, uma ilusão”.

Independente de descrenças ou crenças, sempre é interessante escutar pessoas que nos fazem pensar. No “mundo ufológico” (“Ufo World”... assim como Disney World...), acho bom puxar o apito do trem, alertando os incautos ou bêbados (ou até os potenciais suicidas) para os cuidado nos cruzamentos ferroviários...

Na minha opinião, Dawkins é um bom apito:


- Vejo o esforço humano para entender o universo como um empreendimento de modelismo. Cada um de nós constrói, dentro de nossa cabeça, um modelo do mundo em que vivemos. O modelo mínimo do mundo é o modelo de que nossos ancestrais precisavam para sobreviver  nele. O software da simulação foi construído e aperfeiçoado pela seleção natural, e funciona melhor no mundo que nossos ancestrais da savana africana conheciam: um mundo tridimensional de objetos materiais de dimensões médias, movendo-se em velocidades médias proporcionalmente entre si. Num bônus inesperado, nosso cérebro revelou-se poderoso o suficiente para acomodar um modelo de mundo muito mais rico que o mundo medíocre e utilitarista de que nossos ancestrais precisavam para sobreviver. A arte e a ciência são manifestações desse bônus. p.458

- O que vemos do mundo real não é o mundo real intocado, mas um 'modelo' do mundo real, regulado e ajustado por dados sensoriais – um modelo que é construído para que seja útil para lidar com o mundo real. A natureza desse modelo depende do tipo que somos. Um animal que voa precisa de um modelo de mundo diferente do de um animal que anda, que escala ou que nada. p.471


- [Sam Harris em The end of faith diz que] O perigo da fé religiosa é que ela permite a seres humanos normais colher os frutos da loucura e considerá-los 'sagrados'. Como cada nova geração de crianças aprende que as proposições religiosas não precisam ser justificadas, como todas as outras precisam, a civilização ainda está sitiada pelos exércitos dos irracionais. Estamos, agora mesmo, nos matando por causa de literatura da Antiguidade. Quem imaginaria que uma coisa tão tragicamente absurda seria possível? p.358-359


- [Gore Vidal diz que] O grande e indizível mal no cerne de nossa cultura é o monoteísmo. A partir de um texto bárbaro da Idade do Bronze, conhecido como Antigo Testamento, evoluíram três religiões anti-humanas – o judaísmo, o cristianismo e o islã. São religiões de deus-no-céu. São, literalmente, patriarcais – Deus é o Pai Onipotente –, daí o desprezo às mulheres por 2 mil anos nos países afligidos pelo deus-no-céu e seus enviados masculinos terrestres. [...] A mais antiga das três religiões abraâmicas [ou seja, fundadas pelo patriarca bíblico Abraão], e a clara ancestral das outras duas, é o judaísmo: originalmente um culto tribal a um Deus único e desagradável, que tinha uma obsessão mórbida por restrições sexuais, pelo cheiro de carne queimada, por sua superioridade em relação aos deuses rivais e pelo exclusivismo de sua tribo desértica escolhida. Durante a ocupação romana da Palestina, o cristianismo foi fundado por Paulo de Tarso como uma seita do judaísmo menos intrasigentemente monoteísta e menos exclusivista, que olhou além dos judeus e para o resto do mundo. Vários séculos depois, Maomé e seus seguidores retomaram o monoteísmo inflexível do original judaico, mas não seu exclusivismo, e fundaram o islamismo a partir de um novo livro sagrado, o Corão, ou Qur'an, acresscentando uma forte ideologia de conquista militar à dimensão da fé. O cristianimso também foi disseminado pela espada, primeiro nas mãos romanas, quando o imperador Constantino o elevou de culto excêntrico a religião oficial, depois nas dos cruzados e depois nas dos conquistadores e outros invasores e colonizadores europeus, com acompanhamento missionário. p.63-64


- Os fundamentalistas sabem que estão certos porque leram a verdade num livro sagrado e sabem, desde o começo, que nada os afastará da crença. A verdade do livro sagrado é um axioma, não o produto final de um processo de raciocínio. O livro é a verdade e, se as provas parecem contradizê-lo são as provas que devem ser rejeitadas, não o livro. p.362


***Como um certo contraponto, fiz o seguinte comentário, usando um poucos as ideias de um outro pensador, Alain de Botton:

Acredito que diante da nossas fragilidades, abraçar uma religião é algo muito reconfortante em certas situações ou alturas das nossas vidas. Mas é também aceitar um limite, uma autoridade, e se submeter a ela.

A religião tem isso de agregar as pessoas, fazê-las compartilhar, se sentirem aconchegadas e felizes com um futuro bom e sem fim, nem que seja após a morte.

Estou lendo uns livros de um filósofo (suíço, morando na Inglaterra) chamado Alain de Botton. Excelente. Gostoso de ler. Com erudição, mas sem pedantismo, e abordando coisas como... uma fábrica de biscoito nos arredores de Londres, a pesca de salmão nas maldivas, que é o caso de Prazeres e Desprazeres do Trabalho.

Na cabeceira, degustando aos poucos, o Desejo de Status - um destrinchamento das nossas neuroses advindas da inveja, da competitividade entre pares e do absurdo de pautar a vida em espectativas ditadas pelo consumo...

Na lista desse autor, está o Religião para Ateus...

Quando der, olhem (abaixo) a resenha e já vejam que interessante a abordagem dese Alain, um ateu vendo a religião em sua positividade ou utilidade - até para descrentes totais...


Religião para ateus

Alain de Botton

Em Religião para ateus, o filósofo - e ateu obstinado - Alain de Botton discute o principal erro do ateísmo moderno: negligenciar os aspectos relevantes das religiões após o descarte dos princípios centrais das fés. Embora, em um primeiro momento, a discussão a respeito da existência ou não de Deus possa ser considerada como um divertido exercício, ao observar os ritos e conceitos morais que regem as religiões, o autor propõe um passo adiante. Dissecadas, crenças, como cristianismo, judaísmo e budismo, podem ser compreendidas como arcabouços éticos estruturados por nós para atender à demanda humana de viver em comunidade, controlando sua tendência à violência, estimulando hábitos essenciais, como a compaixão e o perdão, e reconfortando mente e corpo diante do sofrimento.

Com uma linguagem acessível e provocativa, Alain de Botton discute como as religiões são sábias por não esperar que lidemos sozinhos com nossas emoções e sugere como a sociedade contemporânea pode fazer uso dessas ferramentas para mitigar alguns dos males mais persistentes e negligenciados da vida secular. Ao descartar os dogmas e o sobrenatural, o autor propõe o resgate de uma sabedoria que pertence a toda humanidade, inclusive aos mais céticos.


FONTE: www.intrinseca.com.br

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