sexta-feira, 22 de julho de 2011

"délibáb" ou discos voadores?

Postado em 27/04/2010:

Vocês devem ter visto o último CD lançado pelo compositor Vítor Ramil. Se chama délibáb - escrito assim mesmo, tudo em letras minúsculas.

A palavra é estranha - húngara - e designa um fenômeno dos mais interessantes - até mesmo (ou especialmente) para os ufólogos e ufologistas. Ramil explica em um trecho do seu livro (ele também é escritor, além de músico), o romance Satolep:

“‘Chamam a este fenômeno de délibáb’, expliquei. ‘Esta locomotiva e este vagão que vocês veem, tão nítidos, a correr neste horizonte desértico, não estão aqui onde parecem estar, mas a pelo menos uns cem quilômetros de distância. Acontece em dias de muito calor. Essa imagem atravessou regiões de atmosferas de densidades diferentes e projetou-se assim, clara, plana e não invertida, diante dos meus olhos. Nenhum som a acompanhava. Só depois de muito procurar é que me convenci de que realmente não havia trilhos no lugar.’”

Ramil diz que encontrou esta palavra de sonoridade e escrita exóticas (para nós que não somos húngaros!) no terceiro volume da coleção Nosso Universo Maravailhoso, de Ernesto Sábato, escritor argentino (deve ser uma coleção supimpa!).

Afora todo o sentido poético, de miragem, de projeção, do estranho e do deslumbrante, vejam o que a atmosfera, em determinadas circunstâncias, pode nos "aprontar". Quantas "visões" podem paracer algo "de outro mundo", mas, em verdade, são daqui mesmo, desse nosso planeta - e de nossos pobres, limitados sentidos!!

Os avistamentos dito ufológicos, ou seja, de objetos voadores não-identificados (ovnis), às vezes podem ser "falsificações" naturais, fruto de condições atmosférias - pressão, temperatura, umidade, composição de gazes, luminosidade, entre outras interferências/circunstâncias naturais, produzindo fenômenos visuais (imagens) extraordinários.

Então, mais um alerta, amigos/as: mais cético que o São Tomé, nem em nossos olhos podemos confiar plenamente!

Abraços!

***Link pra uma canção do CD, onde aparce a capa do délibáb:

http://www.youtube.com/watch?v=tbaIlqOvtSU&feature=player_embedded

Jan Val Ellam e Os Miseráveis

Transferindo um especial, postado em 01/03/2009. Reflexões em torno do engodo chamado Jan Val Ellam.

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Na linha da Hipótese Psico-Social (ou Psicossocial), HPS, que busca explicar o Fenômeno Ufo (ou ao menos alguns aspectos) em determinados termos, um elemento surgiu subitamente enquanto lia uma crônica do escritor portoalegrense Augusto Meyer, diretor e grande impulsionador do Instituto Nacional do Livro, no Rio de Janeiro, durante os anos de 1940. A crônica se chama Cinema insônia, publicada em seu livro de memórias No Tempo da Flor (Edições O Cruzeiro, 1966). Nela, deparei-me com a menção a um personagem de um outro escritor, muito mais famoso, o francês Vitor Hugo (ilustração ao lado). Meyer menciona o personagem Jean Valjean, protagonista do maravilhoso Os Miseráveis, originalmente publicada em 1832.

Revolvendo minhas próprias memórias, veio-me todo o gosto da leitura de Os Miseráveis, feita já se vão uns 20 anos. Mas além do ambiente em que eu estava envolto naqueles tempos e as evocações que o livro produzia durante os vários dias que eu fiquei "grudado" no volumoso e gasto volume, outra associação me pinicava: o nome do personagem de Vitor Hugo: "Mas eu já ouvi isso de uma outra forma também", cismava...

Sim! Jan Val Ellam, o pseudônimo ou personagem ou persona mediúnica profetizador da volta de Cristo a bordo de naves gigantescas que se postariam na estratosfera terrestre em 2007, para a comoção mundial! Seria maravilhoso! Mas mostrou-se uma impostura e mais um elemento para desacreditar em tais profetices, que tanto (des)caracterizam a Ufologia. Claro que seguiu-se ao vexame, ao malogro acachapante da previsão, muitas explicações. Como já foi dito, “costumamos inventar histórias para nós mesmos para dormirmos em paz com nossas consciências atormentadas”.

Bem, mas a questão é a seguinte: a enorme semelhança entre as duas denominações dos personagens: “Jean Valjean”, de Vitor Hugo (autor nascido em 1802), e “Jan Val Ellam”, de Rogério de Almeida Freitas (1959). São somente algumas mudanças em letras. O som das palavras e configuração dos nomes nos leva a uma arrasadora conclusão: Trata-se de um processo de plágio. Claro que não necessariamente consciente ou deliberado, mas muito evidente. Vemos o quão humanizada é uma criatura concebida como extra-humana. Tanta semelhança não é um acaso, mesmo que não seja uma arbitrariedade planejada, como já foi dito. Dá um “efeito”, uma “credibilidade”, aproveitando-se de algo que já é do domínio coletivo.

Óbvio: também não faltará algum tipo de elaboração discursiva para “explicar” a “escolha” da denominação para o personagem, hoje caído em descrédito – e, para mim, definitivamente, embora a “vontade de acreditar”, como se refere o título e as falas de Fox Mulder em The X-Files: I Want to Believe, seja algo poderoso, arrebatador, que mantém muita gente apegada em quimeras, em improváveis utopias.

Jean Valjean é um personagem clássico e universal da literatura mundial. Protagonista de um romance que teve enorme sucesso desde a sua primeira publicação em 1862, foi (e ainda está sendo) adaptado para teatro (inclusive radionovelas), cinema, sendo objeto de incontáveis estudos, teses, documentários, artigos na imprensa, afora a abordagem nas aulas de literatura e cultura em escolas, cursos universitários, etc. Ou seja, Jean Valjean é uma denominação que “circula” e “atravessa” à cultura e sociedade humanas contemporâneas. E que foi “pescada” para dar lastro a um outro personagem, que acabou se ligando à massa de elementos que compõem a cultura ufológica brasileira e mundial dos últimos anos.

As denominações de seres extraterrestres foi tratada no excelente artigo OVNIs: A Hipótese Psicossocial, de Steven Novella. O autor observa: “É revelador que os aliens não só tenham nomes que soem humanos, mas que a maioria deles tenham nomes que soem europeus. (...) Ao revisar os nomes aliens listados, está bastante claro que eles seguem os estilos lingüísticos das culturas dos alegados contatados”. Assim, não estou falando nenhuma novidade. Com isso, entretanto, espero estar colaborando para que a advertência já tantas vezes feita seja reforçada: Paremos, como ufólogos e simpatizantes da ufologia, de nos auto-implodir, nos auto-sabotar com idéias e posturas de uma apocalípticas que rotineiramente se revelam estultices de crentões descolados de evidências repetidas: o mundo não vai acabar e mudar tão cedo assim. Tenhamos tranquilidade e que o bom e velho ceticismo nos guie e guarde do ridículo...



***No site do Projeto Orbum é dito que “Jan Val Ellam é o pseudônimo de Rogério de Almeida Freitas. A escolha do pseudônimo deve-se a nomes que expressam páginas do passado espiritual do autor terreno das obras (...). Durante uma entrevista, perguntaram-lhe por que não dizia ser ele mesmo o autor de seus livros? Resposta: ‘poderia dizer simplesmente que sou eu mesmo o real autor disso tudo, mas, estaria faltando com a verdade. Na hora em que tento explicá-la, complico mais ainda a história, pois tenho que me referir aos reais autores intelectuais, ou seja, espíritos desencarnados e extraterrestres (...)’." Em http://orbum.org/index.php?option=com_content&view=article&id=5&Itemid=6


***Pra quem quiser detalhes sobre o romance e o personagem, segue abaixo alguns dados retirados da Wikipédia. Recomendo que leiam todo o artigo em http://pt.wikipedia.org/wiki/Les_Mis%C3%A9rables

Os Miseráveis

Os Miseráveis (Les misérables) é uma das principais obras escritas pelo escritor francês Victor Hugo, publicada em 3 de abril de 1862 simultaneamente em Leipzig, Bruxelas, Budapeste, Milão, Roterdã, Varsóvia, Rio de Janeiro e Paris, nesta última cidade foram vendidos 7 mil exemplares em 24 horas. Victor Hugo é também autor de Os Trabalhadores do mar e O Corcunda de Notre Dame, entre outras obras.

O romance narra a situação política e social francesa no período da Insurreição Democrática ou Revolução de 1830, em 5 de junho de 1832, no reinado de Luís Filipe I de França, através da história de Jean Valjean.

Jean Valjean

Jean Valjean (também conhecido como Monsieur Madeleine e Ultime Fauchelevent) é um homem pobre (antes jardineiro e lavrador), um tanto rude e ignorante, mas de bom coração. Seus pais morreram quando ainda era uma criança (seu pai caiu de uma árvore e sua mãe morreu de uma febre), o que fez com que sua irmã mais velha cuidasse dele. Quando o cunhado morre, assume o cuidado da família da irmã. A família vive miseravelmente, mesmo trabalhando dia e noite. Como os sobrinhos passam fome, Jean Valjean rouba uma padaria para alimentá-los, mas é preso. Assim, é condenado a 5 anos de prisão por roubar um pedaço de pão (pena agravada por possuir uma arma de caça), que acabam se convertendo em 19 anos de prisão, devido as sucessivas tentativas de fuga. Na prisão, revolta-se contra a sociedade que lhe puniu tão gravemente por uma pena tão pequena e planeja vingança contra esta, tornando-se um homem mau e duro. Para tal empresa, aprende a ler, a escrever e a calcular. Ao sair das galés, em liberdade condicional, percebe que nunca será aceito na sociedade. Rejeitado como ex-prisioneiro o Bispo Myriel muda o rumo de sua vida. Assume então uma nova identidade para seguir uma vida honesta. Através de bondade, esforço e inteligência, torna-se um industrial, acumula fortuna e torna-se maire. Em busca de resignação por dua vida passada, e através da influência que a impressão do Bispo lhe traz, torna-se extrememnte caridoso, bom e simples, mesmo possuindo muito dinheiro. Adota e cria a filha de Fantine, Cosette, como se fosse sua própria filha. Morre velho, com mais de 80 anos.


***Na Wikipédia há também um artigo sobre Jan Val Ellan, que me pareceu muito interessante (http://pt.wikipedia.org/wiki/Jan_Val_Ellam), embora esteja indicado que faltam maiores referências sobre fontes que embasem o texto.

Jan Val Ellam

Jan Val Ellam é o pseudônimo usado pelo escritor natalense Rogério de Almeida Freitas (1959-) para escrever sobre pontos de convergência entre o pensamento cristão, a doutrina de Allan Kardec e pesquisas relacionadas à ufologia, no bojo do discurso do espiritualismo universalista e da cidadania planetária.


***Segue abaixo a parte do artigo onde é mencionado aspectos sobre a denominações dos aliens: OVNIs: A Hipótese Psicossocial, de Steven Novella, MD – em The New England Journal of Skepticism, vol., 3 nº 4 (2000):

(...) Os aliens às vezes têm até nomes. Nomes alienígenas deveriam ser alienígenas, e provavelmente não se assemelhariam a nenhuma língua humana. Alguns dos nomes listados são obviamente traduções ao inglês, mas a maioria dos outros são simplesmente nomes. É revelador que os aliens não só tenham nomes que soem humanos, mas que a maioria deles tenham nomes que soem europeus. Ainda, aqueles encontrados por pessoas de culturas hispânicas têm nomes que soam hispânicos. Eles nem mesmo são tão diferentes da estrutura fonética européia quanto os nomes de humanos de outras culturas, como a asiática ou africana. Nomes verdadeiramente aliens deveriam ser mais diferentes de qualquer idioma humano que quaisquer dois idiomas humanos são um do outro.

Para analisar isto um pouco mais, todos os idiomas têm uma certa estrutura fonética, consoantes que são mais comuns que outras, uma certa relação de consoantes para vogais, fonemas únicos, inflexões características e colocação de sílabas tônicas. Estes elementos compõem o caráter de um idioma, como o idioma soa ao ouvido. Por isso é possível e até mesmo fácil reconhecer um idioma que alguém esteja imitando mesmo que esteja falando baboseira e inventando palavras.

Escritores de ficção especulativa (ficção científica e fantasia) às vezes encaram o desafio de inventar culturas alienígenas, incluindo idiomas. Uma das armadilhas desta empreitada é dar nomes aos aliens que sigam as características lingüísticas de sua língua nativa (como Xenu, o Senhor alienígena inventado pelo escritor de ficção científica L. Ron Hubbard para sua religião fabricada, a Cientologia). Escritores experientes tentarão manipular os elementos específicos do idioma para criar nomes com um som genuinamente alienígena. O preço de não fazer isto será criar nomes que soam tolos com um aspecto caipira de ficção científica dos anos 50 ("Klaatu Barada Nikto"). Ao revisar os nomes aliens listados, está bastante claro que eles seguem os estilos lingüísticos das culturas dos alegados contatados. Até hoje, nenhum idioma ou nome verdadeiramente alien resultou de um alegado contato alienígena. Novamente, nós vemos uma falta de descontinuidade e a influência de antecedentes culturais. (...)

Sobre o fenômeno da Ufologia ou "Eu quero acreditar em ETs"

Mais alguns textos postados em meu outro blog e que estou transferindo para cá também. Foram postados num bloco em 15/10/2008, mas escritos antes disso.

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Nos últimos anos, tenho me envolvido com ufólogos, simpatizantes, eventos, debates e literatura ufológica. Trata-se de um fenômeno social e cultural dos mais interessantes, na minha opinião, cheio de facetas, polêmicas, teorias.

E nos últimos meses, me tornei um comentarista sobre assuntos vinculados ao universo (às vezes bizonho) ufológico, além de contribuir na produção do Conexão Ufo, programa na Rádio Comunitária de Santa Cruz do Sul (FM 105,9), capitaneado por Rafael "Bala" Amorim, também coordenador do Núcleo de Estudos Ufológicos de Santa Cruz do Sul, o "famoso" NEUS.

*Exceto o último, os demais textos desta postagem foram publicado no Riovale Jornal, de Santa Cruz do Sul em torno do mês de setembro de 2008.



John Lilly, golfinhos e ETs

Os ufólogos muitas vezes acabam olhando para céu e esquecem da terra – ou, ainda, do mar... Estava lendo esses dias alguns textos sobre um brilhante neurocientista norte-americano, pensador incomum, inovador e, portanto, necessariamente polêmico. John Cunningahm Lilly (1915-2001) pesquisou várias formas de abertura de consciência, como as possibilitadas pela flutuação em cabines de isolamento sensório.

Também pesquisou sobre a inteligência dos golfinhos. Suas afirmações de que “os golfinhos têm uma cultura e que podem pensar como os padrões humanos, tendo uma ética e uma política” causaram revoltas entre religiosos e a ridicularização na imprensa. Nisso nota-se o quanto está arraigado o antropocentrismo, ou seja, a arrogante visão de que o ser humano é o centro de todas as coisas, de todo o planeta e universo, não se admitindo que qualquer outro ser – de que lugar ou espécie – possa ter sequer semelhanças conosco, que dirá algum potencial superior.

Lilly teve muitos seguidores. Um cientista russo, Vladimir Markov, concluiu que o “Idioma Golfinho” seria composto de 51 sons de impulsão e nove tipos de assobios, com uma estruturação tão complexa, que inviabiliza o entendimento de tal linguagem/conceitos pelo cérebro humano, ordinariamente limitado em sua capacidade cognitiva.

Num artigo, Traduzindo golfinhos, sobre a vida e obra de Lilly, Flávio Calazans diz que pesquisas sobre a poderosa inteligência dos golfinhos – entre outros estudos que põe em xeque velhas concepções – “não costumam ser pautadas e divulgadas na mídia internacional por serem chocantes demais para a mentalidade do grande público, e por chocarem-se com dogmas religiosos e políticos vigentes, sendo considerados matéria proibida ou mera curiosidade a ser publicada como assunto exótico ou ridículo, e exposto apenas para escárnio e zombaria.”

Os ufólogos sofrem este descrédito – mesmo aqueles que evitam polemizar com declarações bombásticas sobre a “iminência da chegada de Jesus num disco voador” ou algo do gênero. Mas não é esse o objetivo primeiro do meu insipiente comentário, conforme tentei fazer entender na introdução. O que quero dizer é que somos rodeados de criaturas fantásticas e de potenciais de “contatos imediatos” através de técnicas para além (ou aquém!) de telescópios e outros maquinários.

Os trabalhos de John Lilly são indicadores de universos vastos em nosso interior humano e na consideração de outros seres – caso dos golfinhos – nesta nossa Nave Viva, a Terra. Ao apontarem “luzes estranhas” na abóbada celeste, os ufólogos não deveriam perder de vista os “outros mundos” que vários “psiconautas”, como Lilly, começaram a vislumbrar.

Mais amplamente ainda, acho que tais “revelações”, que questionam nossas formas costumeiras de compreender o mundo, poderiam estar reformulando instituições – escolas, universidades, centros de pesquisas, etc. Entretanto, tais idéias permanecem num limbo, sendo levados adiante por pequenos grupos “alternativos”, “marginais”, sem influência direta em espaços “acadêmicos”, do “saber consagrado”, conservador “por excelência”. Mesmo assim, acredito que, num futuro próximo, os estudos e hipóteses na linha dos de John Lilly são os que nos desviarão da auto-inviabilização enquanto sociedade e raça terráqueas.




Quando os humanos são alienígenas no seu próprio planeta

Vi dias atrás a animação Happy Feet: o Pinguim, produção australiana e americana de 2006. Achei o filme muito interessante em vários aspectos – além de toda a perfeição técnica e das canções (e coreografias) muito bacanas, como aquela do Queen, Somebody to Love. Show à parte.

Dentro da minha linha de reflexões sobre a ufologia, destaco, pelo filme, uma situação que venho tentando abordar: a nossa “dificuldade” de “contato” ou de comunicação não se dá somente em relação aos “extraterrestres”, mas com seres de nossa convivência concreta e cotidiana neste planeta. Caso dos animais e plantas.

No filme, os pingüins concebem os seres humanos como alienígenas "horrorosos". Quando chegam a um vilarejo portuário, na região do Pólo Sul, Antártida (pelo que posso imaginar), um dos membros da "expedição" (de pingüins), para evitar agressões, fala assim: "Nós viemos em paz!" – numa paródia das declarações de “marcianos” quando encontram “terráqueos” em filmes e livros de ficção ufológica de baixa categoria ou humorísticos.

Mano, o pingüim protagonista, não consegue se comunicar com os humanos; ele tenta chamar a atenção para a ação destrutiva desses “ETs” (ou melhor, “EAs” – “Extra-Atártidos”), que estão acabando com a alimentação da nação pingüim.

A cena do aquário é a que achei mais sensacional para apresentar o esforço de comunicação frustrado pela “barreira lingüística”. O discurso desesperado de Mano não é entendido de jeito algum, soando – “obviamente” – como esgares de uma ave que ficou amalucada. E, “surpreendentemente”, o sapateado acaba por ser o meio de "fazer contato" (primeiro com uma criança!). Por essa “via torta", inusitada e inesperada, o pingüim já desesperançado – à beira da falência mental – consegue o almejado meio de comunicação com os “alienígenas". O bater rítmico dos pés – e não a “fala” – é a ponte entre o “mundo pingüim” e o “mundo humano”...

Quem sabe não esteja aí uma dica de como se pode fazer o contato?! (Lembrando que também o filme de Steaven Spielberg, Contatos Imediatos de Terceiro Grau, de 1977, onde a troca de frases musicais indica que está havendo uma compreensão mútua. Demonstra-se que há o reconhecimento da existência uns dos outro, homens e aliens, pela troca de emissões sonoras.)

Talvez não sejam palavras ou outra linguagem desenvolvida por povos humanos o meio de interagirmos com outros seres – desse e de outros planetas ou dimensões. Precisamos estar muito abertos e plenamente conscientes de todas as nossas limitações biológicas, cerebrais, intelectuais e culturais para compreender algo completamente “desassemelhado” a nós mesmos. Nossa “solidão” – às vezes confundida com supremacia – pode ser somente uma incapacidade de entendermos/compreendermos o “outro”. (E isso, aliás, é uma fonte constante de desentendimentos interpessoais e entre grupos humanos.)

Mesmo “filmes de crianças” podem nos trazer reflexões bem sérias sobre “questões ufológicas” e, no caso, sobre o autismo da nação humana sobre a Terra, que, aliás – como denuncia Happy Feet –, está pondo em perigo esta miraculosa nave.




O pensamento e o imaginário de H. G. Wells (1ª parte)

H. G. Wells, ou melhor, Herbert George Wells, inglês nascido em 1866, faleceu em 1946, logo depois das primeiras explosões da bomba atômica no Japão. Dizem que morreu muito pessimista – depressivo, até –, depois de um tempo de euforia e confiança na civilização e ciência ocidentais.

Podemos considerá-lo um dos “pais” da ficção científica e do imaginário dos ufólogos e futuristas até hoje. Suas obras, como A Guerra dos Mundos, continuam rendendo visões que são “referências obrigatórias” em filmes contemporâneos tratando de alienígenas, viagens espaciais, viagens no tempo e outras incursões que se usam da imaginação para tentar retratar o vasto e enigmático desconhecido.

Eu li, não faz muito, justamente o A Guerra dos Mundos, e também A Máquina do Tempo e A Ilha do Dr. Moreau. Livros que a gente devora numa sentada. São muito atrativos e surpreendem, como já disse, pelas imagens que foram concebidas ainda no século XIX. A Guerra dos Mundos, novamente adaptado para o cinema, agora pelo afamado Steven Spielberg, foi originalmente publicado em 1898, ou seja, dez anos após a “Abolição da Escravatura” no Brasil. No entanto, suas concepções e reflexões sobre viagens espaciais, exobiologia, sociologia e futurismo são espantosos – se mantém, em muitos pontos, atualíssimos e insuperáveis.

Quando Wells fala, por exemplo, que a tecnologia desenvolvida pelos marcianos prescinde da roda, dando aos mecanismos desses “ETs” uma performance que se confunde com animais orgânicos (“a máquina de manipular [os discos que se moviam sobre cinco ‘pernas’ mecânicas] não me pareceu uma máquina, mas uma criatura aparentada ao caranguejo”, conforme está na tradução do seu romance publicado em 2000 pela Editora Nova Alexandria, traduzida do Inglês para o Português Brasileiro por Marcos Bagno), tal elucubração é fantástica de boa! E assim se sucedem “sacadas” que estão em diversas produções cinematográficas e literárias – do filme Matrix , passando pelos oito volumes (parei no quarto) de Operação Cavalo de Tróia, de J.J. Benitez (em especial em relação ao A Máquina do Tempo), até a série infanto-juvenil de Philip Pullman, Fronteiras do Universo (donde veio o filme A Bússola de Ouro, primeiro de uma trilogia adaptada dos excelentes livros).



O pensamento e o imaginário de H. G. Wells (final)

A ufologia e seu imaginário devem muito a H. G. Wells. A possível fisiologia e fenótipos de seres alienígenas, plantas; designs de máquinas, ferramentas, aparelhos de comunicação, armas, etc., estão lá no vetusto A Guerra dos Mundos. Sem falar nos termos, como “extraterrestres” e “vigília”, que são largamente usados em publicações especializadas da atualidade, caso da revista brasileira Ufo. O disco voador, “uma coisa parecida com uma tampa de panela”, como é dito na página 53 da tradução para o Português de Marcos Bagno (Editora Nova Alexandria, 2000), tem tudo a ver com a imagem de veículo interplanetário criada pelo escritor.

Os próprios foguetes-cilindros, lançados por “canhões potentíssimos”, são mais do que engenhosidades ficcionais: são ainda a base tecnológica da propulsão dos foguetes americanos, russos, chineses, brasileiros e outros – em pleno oitavo ano do século XXI. “Havia uma convicção geral de que, através das profundezas do espaço, não existia vida senão na ínfima superfície de nossa minúscula esfera”, introduz o narrador, com excelente e perene dose de mistério, no romance que este ano fará 110 anos de sua primeira publicação.

Outra faceta de Wells: o de pensador, mescla de analista ou sociólogo, futurólogo, psicólogo de massas, filósofo e reformador social. Ele traz relativizações, como um professor de introdução à antropologia cultural, fazendo considerações sobre com os civilizados tratam de povos considerados “bárbaros” ou mesmo as sociedades animais. Diz-se que era socialista – dentro de um caudal fértil e diversificado de utopias. Visitou a União Soviética, inclusive, nos anos de 1920, logo após a Revolução Bolchevique (ficou decepcionado, depois de algum tempo, com os governos da Rússia comunista).

Preocupado com situações da sociedade da sua época – como as gritantes diferenças sócio-econômicas entre as classes capitalistas e do operariado –, propõe explicações e prevê efeitos no longo prazo escamoteadas em passagens dos livros que mencionamos aqui.

Interessei-me por Wells a partir da leitura de Aldos Huxley – outro escritor e pensador inglês importante –, que cita o conterrâneo em sua obra As Portas da Percepção. Já havia visto o seu nome em muitos lugares, sem que me “dignasse” a lê-lo. Acabei por gostar de seus escritos e admirar as interconexões das suas idéias e poder imaginativo descortinador, fazendo-o um intelectual de influência mundial. Formado em Biologia pela Universidade de Londres – cidade aonde veio a falecer, e cenário principal dos dois primeiros romances mencionados aqui – H. G. contribuiu, como Júlio Verne e vários outros ficcionistas engenhosos, para compreendermos, com as vertigens da especulação, a vida humana, seus abismos e possibilidades transcendentes.




O cobiçado aroma vegetal e os homenzinhos acinzentados

Numa entrevista, em 1998, para o site Não (http://www.nao-til.com.br/nao-56/entrev.htm), Eduardo Bueno, jornalista e autor da série Terra Brasilis, fez a seguinte declaração: “(...) uma energia tão forte, como aquela dos lamas do Tibet, porque vocês sabem que a terra só não é invadida pelos extraterrenos porque, quando os tibetanos meditam enviam uma energia tão grande que este campo de força os impedem de entrar na terra. Porque os extraterrestres estão atrás do aroma vegetal que é uma coisa raríssima no universo, só tem na Terra, então vêm os seres extraterrestres do mal (...) super-afim de se apoderar da Terra.”

Evidente que essa fala do alcunhado Peninha, jornalista, comentarista cultural, vegetariano militante e ligado em esoterismos, introdutor dos escritores beats no Brasil (foi ele quem traduziu, no começo dos anos de 1980, o clássico On The Road, do referencial escritor norte-americano Jack Kerouac), enfim, a afirmação deve ser lida no contexto de uma longa e quase tresloucada conversa com seus amigos-entrevistadores de Porto Alegre (RS). Mas me pareceu ter um sentido, um potencial, um “fundamento” dos mais interessantes: “o aroma vegetal que é uma coisa raríssima no universo”.

Derivando, poderíamos dizer que – não “apenas” o aroma – os próprios Seres Vegetais são algo raríssimo no universo.

E que tipo de relação, nós, animais humanos, estabelecemos com estes outros seres aqui mesmo no planeta Terra? Se já nos achamos os senhores entre os animais, em relação aos vegetais – que estão ainda mais longe, aparentemente, da estrutura física e outras “características” humanas (não têm olhos, boca, cérebro – como os têm os porcos, o gado, os cães, as galinhas, coelhos, os aracnídeos, etc. –; nem têm uma locomoção mais autônoma, por exemplo, fugindo do perigo, além de, em muitos casos, “verbalizarem” dores, contentamentos, entre outras manifestações tão flagrantemente similares a dos “bípedes com o polegar opositor”, como é definido o Homem naquele curta-metragem Ilha das Flores, de outro gaúcho, o cineasta Jorge Furtado) –, em relação aos vegetais, repetindo, estamos “cagando solenemente”, pra usar uma expressão bem grosseira – que talvez seja mesmo a forma (isto é, grosseiramente) que tratamos uma infinidade de seres que nos rodeiam e, em última instância, nos dão a vida – sem plantas, não teríamos a atmosfera adequada para a existência humana, sem falar na alimentação, que direta ou indiretamente, vêm dos vegetais (comer carne é comer plantas de segunda mão, já que todos os carnívoros dependem de animais herbívoros para suprirem-se de uma energia, que, mais distante ainda, provem do Sol).

Creio que vegetais têm inteligência e, provavelmente (ou seja, se poderá provar algum dia; ou até já se demonstrou isso de algum modo), estabelecem formas de comunicação e interação com outros seres. Nós, humanos, em nossa tremenda arrogância (e isso tem muito a ver com as religiões monoteístas-machistas como o cristianismo, judaísmo e islamismo), que nos achamos “o sal da terra”, as coisinhas mais fofas e espertas da Via Láctea (alguns crêem que é do Cosmos – numa manifestação, me perdoem, de uma imbecilidade transgalática), nos fechamos a este vasto universo.

E para puxar o assunto aqui pra roda de uma vez: Também nós, curiosos e estudiosos de Ufologia, voltamo-nos ao céu, especulando sobre a vinda de veículos discóides com propulsão atômica, pilotados por “homenzinhos” (olha aí o antropocentrismo sempre a moldar nossos modelos de “seres inteligentes”) acinzentados.

Para ir ainda mais direto ao ponto: Suspeito seriamente que as plantas já estabelecem contatos com “seres” extraterrestres há milhões ou bilhões de anos através da recepção da luz (do Sol, por exemplo) e emanações de outras estrelas e planetas, além de outras freqüências cósmicas.
Nós, na nossa patetice travestida de inteligência, não nos damos conta de nada disso e continuamos em vigílias infrutíferas – que, não tenho dúvidas, são um momento bacana, de integração, de compartilhamento, mas, lá no campo, perto de bosques e montanhas, ao mirar a vasta escuridão pontilhada de luzes misteriosas, esquecemos do igual profundo enigma das criaturas ali ao nosso lado, às vezes, em baixo, literalmente, dos nossos pés – gramíneas e outras ervas humildes, das quais nem sabemos a designação, que se curvam sob nosso peso, aceitando tanta ignorância e desconsideração...

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Cilindro sobrevoa região de Santa Cruz do Sul (um caso exemplar... de engano)



*Abaixo, mensagens que enviei a amigos por conta de uma “aparição” nos céus da minha cidade, Santa Cruz do Sul, em agosto do ano passado (2010).


1.

Relato

Avistei um OVNI no caminho de casa ontem [12 de agosto de 2010] próximo ao meio dia! Muito estranho... Parecia um foguete cilíndrico ou um avião em baixa altitude. Mas de cara se via que não havia janela alguma naquilo e a propulsão era na parte traseira do "bicho"... Estava pronto para alertar o Neus e relatar a aparição em um tom eufórico. Foi quando me lembrei que havia uma conversa sobre testes com aeronaves não tripuladas no RS. Então, antes de mais nada, "persegui" o objeto e cheguei no aeroporto da cidade [Santa Cruz do Sul – RS], que é próximo a minha casa [Bairro Linha Santa Cruz]. Lá estava instalada uma parafernália da FAB - radares, antenas, geradores, caminhão, container, sinalizações, barracas, dezenas de pessoas com uniformes etc. - uma verdadeira operação de testes técnicos e militares. E então o ovni deixou de ser ovni...

Fiquei pensando que, num vôo noturno[e isso se confirmou, conforme mensagem mais abaixo], haveria ainda mais possibilidade de se pensar que se trata de uma nave estranha, um ovni de fora do planeta, algo do gênero, extraterreno.

Eis aí mais um objeto voador que entrará no nosso cotidiano e pode se tornar um elemento a confundir ufólogos, ufologistas e "ufomaníacos"...

Até!

Obs.: Recentemente, Santa Cruz foi base de uma operação de testes militares, quando foram instalados potentes radares para a varredura do espaço aéreo.


2.

Luzes no céu de Santa Cruz embasbacaram moradores

E ontem à noite, 16 de agosto de 2010, em torno das 20 horas, sons e luzes no céu de Linha Santa Cruz embasbacaram moradores do bairro... Era algo muito bonito de se ver - ainda mais numa abóbada enluarada, onde várias estrelas brilhavam de forma incomum... Além das luzes e do som, se percebia levemente, com ajuda do brilho lunar, a forma cilíndrica daquele veículo a sobrevoar em baixa altitude... Confirmou-se o que eu disse: à noite, a aeronave não tripulada, em teste aqui em Santa Cruz, causaria furor a desavisados aficionados em ufologia! Um perfeito óvni, não fosse um objeto voador identificado, inclusive com nome: Hermes 450, com seus 10 metros de envergadura e 450 kilos.

Novamente, disparei para o aeroporto. A cena lá era ainda mais impressionante: além da parafernália já descrita (20 toneladas de equipamentos), havia ao longo da pista cerca de 100 tochas indicando o percurso para o pouso e decolagem - totalmente controlados por rádio-transmissores. Caminhonetas circulantes com holofotes e luzes coloridas de sinalização completavam um cenário que me remeteu a cenas de Contatos Imediatos, filme do Spielberg.

Fiz algumas fotos e filmagens muito rústicas, com meu celular. A hora que eu baixar, passo a vocês.

Logo abaixo, o release distribuído pela assessoria da Prefeitura de Santa Cruz.

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Aeroporto de Santa Cruz do Sul sedia testes de avião não tripulado

Representantes da AEL - Aeroeletrônica de Porto Alegre e da Elbit System de Israel visitaram na última segunda-feira, dia 09 de agosto a Prefeitura Municipal de Santa Cruz do Sul e convidam os representantes do Poder Executivo a participarem do evento que está sendo realizado no Aeroporto de Santa Cruz do Sul do dia 09 a 21 de agosto, trata-se de um treinamento em parceria com a Força Aérea Brasileira (FAB) de aviões não tripulados.

O equipamento em avaliação é o Hermes 450, fabricado pela empresa israelense Elbit Systems. A produção do avião não-tripulado tem a participação de uma subsidiária no Brasil, a empresa Aeroeletrônica, de Porto Alegre. Os veículos cedidos pela AEL também serão estados pela Marinha e pelo Exército, em missões de reconhecimento tático e vigilância de fronteiras.

Segundo a Secretaria de Governo e de Turismo, Esportes e Lazer de Santa Cruz do Sul, Marla Hansen, a Prefeitura estará à disposição para ajudar no trabalho. “Estamos felizes por terem escolhido o nosso Aeroporto para fazer essa simulação, dando ainda mais visibilidade a nossa localização estratégica do município no estado” salienta.

A movimentação no Aeroporto é intensa, e o primeiro vôo do VANTs Hermes 450 ocorreu na manhã de ontem, às 11horas. Segundo o Instrutor de vôo, Geison Hallmann tudo ocorreu bem durante o treinamento. ”Estamos simulando uma guerra, este treinamento já foi feito em Santa Maria, e foi um sucesso”, explica.

Para essa operação, que tem o auxilio da Aeronáutica de Santa Maria, a corporação montou um aparato técnico que recebe os dados emitidos pelo Vant e retransmite a uma base em outro ponto estratégico. O objetivo do teste é verificar as condições para empregar o quipamento de fabricação israelense em missões de reconhecimento da Força Aérea Brasileira e também como plataforma intermediária de comunicação. Como não é controlado por um piloto, o Vant pode realizar ações de maior risco, como vôos em altitudes muito baixas.

A AEL é uma empresa brasileira que há mais de duas décadas dedica-se ao projeto, desenvolvimento, fabricação, manutenção e suporte logístico de produtos eletrônicos, militares e civis, para aplicações em veículos aéreos, marítimos, terrestres, tripulados ou não.

O primeiro Hermes 450, cedido pela Elbit, chegou ao país em 9 de dezembro e começou a ser testado em janeiro, na Base Aérea de Santa Maria, onde fica sediado o Esquadrão de VANT da Aeronáutica. A fase de avaliação das aeronaves deverá se estender até o fim desse ano.

O Hermes 450 é um VANT de alto desempenho multimissão, que opera em qualquer condição climática, sem a necessidade de alocar tropas em áreas de risco. Pode permanecer em vôo totalmente carregado por maisde 15 horas, realizando missões de reconhecimento, vigilância e designação de alvos. Tem 6 metros de comprimento e 10 metros de envergadura (da ponta de uma asa a outra). Voa a 110 km por hora e pode atingir cerca de 5 mil metros de altitude.

Fonte: Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Santa Cruz do Sul


3.

Professia

Olá, pessoal!

Sem querer, eu quase "profetizei" o acontecido. Pessoas iriam facilmente relacionar os testes aqui em Santa Cruz da aeronave não tripulada com o avistamento de um ufo.

Confirma-se o alerta constante para evitarmos equívocos na análise e conclusão sobre objetos voadores. De fato, o que eu pude observar, tando no dia, mas especialmente à noite, foi algo impressionante e bacana de se ver - mesmo nada tendo a ver com ETs etc. Por si só, os aspectos tecnológicos, a logística dos testes envolvendo dezenas de pessoas e equipamentos, mais as especulações sobre as possibilidades de uso da aeronave, "só" isso já é suficientes para atiçar a nossa curiosidade e teorizações.

Noutro momento, envio o relato anterior ao feito sobre a noite do avistamento (que está no blog do Neus), quando, voltando do trabalho ao meio dia, fui surpreendido por um estranho objeto cilíndrico, emitindo um som também incomum, pairando muito próximo ao meu carro. Fiquei pasmado, mas a seguir "descobri" que era a uma aeronave não tripulda (outro "caso" de aeronave não tripulada foi o teste no jogo da final da Libertadores, em pleno Beira-Rio lotado - um Quadricóptero, objeto voador circular, bojudo no centro; desavisadamente, poderia também nos pregar uma peça...).

Abraços!

Iuri


4.

Objeto voador estranho sobrevoando o Beira-Rio no jogo de ontem...

Pessoal,

Parece uma "epidemia"! No jornal Zero Hora de ontem, anunciou-se que, no jogo do Internacional à noite - pela Libertadores da América - , no Beira-Rio, previa-se o sobrevôo de outra aeronave não tripulada, desta vez um "quadricópetero".

Segue abaixo a reportagem.

O quadricóptero é um objeto voador de forma circular, composto por quatro hélices em torno de uma cúpula, onde se localizam a bateria de alimentação e mecanismos de controle de voo e equipamentos diversos, como câmeras fotográficas etc. Trata-se de outra "nave" que poderia ser confundida com um óvni...

Até!

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17/08/2010

BM usará aeronave não tripulada no Beira-Rio na final

Avião envia imagens da torcida para um computador portátil no estádio

A Brigada Militar testará amanhã, durante a decisão da Copa Libertadores entre Inter e Chivas, uma nova ferramenta para auxiliar a segurança. Trata-se de um veículo aéreo não tripulado, chamado de quadricóptero, programado por computador e comandado por controle remoto, com câmera que grava imagens e registra fotos aéreas.

Ontem, a aeronave fez um voo de apresentação no campo de futebol da Academia de Polícia Militar. O encontro das unidades do Batalhão de Operações Especiais buscava atualizar técnicas e procedimentos a serem empregados na Copa do Mundo de 2014.

Amanhã, a aeronave sobrevoará por um tempo limitado o Estádio Beira-Rio, enviando imagens para um computador portátil. Poderão ser feitos até três testes: antes do jogo, no intervalo e ao término da partida. O teste avaliará a eficácia do sistema e também se interfere no sinal de transmissão de emissoras de rádio e TV e em celulares.

— Se der certo, queremos adquirir o equipamento e colocar em viaturas para ajudar no policiamento — destacou o coronel João Carlos Trindade, comandante-geral da BM.

O equipamento vem sendo desenvolvido desde setembro de 2009 por especialistas em automação de universidades gaúchas. O quadricóptero é um projeto da empresa Skydrones, integrante do Parque Tecnológico da Unisinos, em São Leopoldo.

Especificações:

1,2kg de peso

40cm de envergadura

Alimentação por ateria elétrica

Autonomia de até 30min de voo

Velocidade de até 80km/h

Até 200m de altitude

FONTE: Zero Hora, 17/08/2010

Serão os ETs de hoje a versão dos monstros do século XVI?


*Cometário de 12/02/2010 postado em meu outro blog.

Mais comentários que elaborei para o debate com meus amigos ligados em ufologia e assuntos correlatos...


Mesmo que isso não seja algo que inviabilize estudos sérios no campo da ufologia – e, pelo contrário, signifique uma interessante linha de investigação para ufólogos –, o meio ufologista está repleto de fabulações. Os relatos extraordinários abundam e, na verdade, acabam por ser uma das características fundamentais daquela que pretende ser a “ciência dos ufos”.

Encontrei subsídios muito úteis para pensar a questão na abordagem feita pela historiadora brasileira Mary Del Priore, professora na Universidade de São Paulo, em seu livro Esquecidos por Deus: monstros do mundo europeu e ibero-americano: uma história dos monstros de Velho e do Novo Mundo (séculos século XVI -XVIII), publicado pela Companhia das Letras em 2000.

Ela diz que, ao vasculhar a produção historiográfica de 200 anos sobre o tema, conseguiu “Resgatar do fundo cultural europeu do século XVI ao XVIII, algumas estruturas mentais por meio das quais se concebiam os monstros e sua diferença.” Del Priore assinala que “‘O possível não se distinguia do impossível’. Os cronistas e viajantes afirmavam, mão sobre o coração, ser verdade o que diziam. Em nome de sua experiência pessoal? Raramente. Com freqüência, em nome da experiência de outrem, de alguém digno de fé, de quem se ouvira falar uma história ‘de verdade’ sobre monstros e monstrengos.”

Tantos relatos resultaram em um consenso geral e sólido, que só foi solapado pela afirmação e investigação “fundada na observação e na experiência”, o que configurou (e configura) a metodologia científica clássica, não mais “confiando” em narrações de “arrepiar o cabelo” – tão prazerosas, tão anunciadoras do empolgante “fora do comum”, mas carentes de sustentação além do “juro que vi” ou “me disseram que enxergaram com os próprios olhos” etc.


Ainda na introdução do seu livro, a historiadora anuncia, quase poeticamente: “Passeio por um universo insólito e ao mesmo tempo cotidiano, passeio pelas ‘marcas de nossos medos’, essa história dos monstros se esforça por penetrar e descobrir no espírito do passado o porquê do imaginário ser tão importante, tão digno de interesse e de poder quanto o visível.” E esta aí, também, um aspecto do respeito que devemos ter em relação aos relatos “ufológicos”, que todos os dias escutamos novos.


IMAGENS – No bestiário, livro com relações de monstros e afins, de Marcotelius, abade e filho de "Felipe, o Bom", príncipe francês nascido em 1396, havia a descrição, com ilustração, de um ser que tem conformações que se assemelham a de gravuras de extraterrestres contemporâneos. Trata-se do "cardeal do mar" (veja acima a reprodução da ilustração) que Del Priory descreve como "imenso peixe dotado de cabeça humana coroada por uma mitra que, segundo uma história relatada por Petrorius, teria aparecido em 1433 no litoral da Polônia. Depois de ter entretido bispos locais, com os quais se comunicara por gestos, abençoou a todos, desaparecendo a seguir num sonoro e elegante mergulho."

Ufologistas poderiam dizer que "está aí mais uma confirmação da existência de seres extraterrestre desde séculos passados". Mas outra argumentação poderá argumentar que os ETs são uma continuidade do atávico motor humano a fabricar suas fabulações, imprimindo nelas seus temores, expectativas, referências culturais e a vontade de emocionar-se com o transcendental, o não-ordinário, o incomum.

Eis o que me parece indicar o texto da professora da USP: Manter-se atento, não descartando, mas também não endossando imediatamente os relatos alheios – ou, mesmo, as nossas próprias visões!

FINALIZANDO – No capítulo de conclusão, a autora lança uma síntese, que também pode servir para as “histórias de ETs”, nos remetendo ainda a mais estudos: “Há nessa trajetória uma quase universalidade de imaginação sobre os monstros em todas as sociedades, do passado e do presente. O que leva a pensar que eles [os monstros ou ETs] têm, aí, um papel importante; os homens, todos eles, obrigam-se a construir mentalmente algo que lhes dê medo. E o medo pode ter suas fontes na religião, na ciência ou na política.”

Iuri J. Azeredo


Algumas outras citações que anotei do livro da Del Priory:

“O domínio do imaginário é constituído pelo conjunto de representações que transbordam do limite imposto pelas constatações da experiência e do encadeamento dedutivo que estas autorizam.”

“[Aquilo que é comum nos humanos:] a curiosidade de longínquos horizontes no espaço e no tempo, terras e mares nunca dantes vistos, angústia inspirada pelo desconhecimento do futuro, em seres extraordinários, atenção aos sonhos.”

“O imaginário [...] servia como contrapeso à regularidade e à banalidade do cotidiano.”



***O texto postado na lista do MGU gerou comentário. Aproveitei para reafirmar o meu ponto de vista. Colo abaixo esta minha “réplica” – com mínimas modificações:

Enviada: terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Para: MGU


Olá, colega!

Agradeço a tua atenção.

Falamos, sim, no Conexão Ufo (programa na Rádio Comunitária de Santa Cruz do Sul) de duas semanas atrás (janeiro 2009), sobre o assunto. Não estava na "pauta", mas surgiu entre as clipagens que eu costumo trazer ao programa, que muitas vezes "rende" um bom debate ou bate-papo.

No texto que rascunhei e passei à lista, tento ligar uma perspectiva sobre "monstros" do século XVI-XVIII, construída pela historiadora Mary Del Priore, para analisarmos os relatos de ETs. Acredito que pode haver, em comum, uma série de componentes sócio-culturais e psicológicos envolvidos.

Acho, sinceramente, que a "vontade de acreditar" (ou o "I Want to believe", subtítulo mui explicativo do último filme Arquivo X) impulsiona ou "contamina" muitos de nós, e aí, não raro, acabamos endossando narrações que não passam de fantasias ou crendices em novas roupagens (prateadas ou verdes... hehe!). Nem por isso, devem ser desrespeitadas, desconsideradas, mas, entretanto, vistas com cautela e também sob um olhar, digamos assim, sociológico ou psicossocial – e sem, muito menos, em princípio, desmerecer as pessoas que trazem tais histórias.

Fora isso, há sempre alguém que gosta de chamar a atenção e então "inventa" algum caso "fantástico". Olha o acontecido, fora da ufologia, com aquela mulher que disse ter vivido um drama durante o “11 de setembro”, perdendo o noivo e blablablá lá nas torres! Também comentamos esse “episódio” no programa, fazendo um "link" com narrações completamente ficcionais e, não raro – o que é pior ainda -, flagrantemente inverídicas, pra não dizer mentirosas, com fins mais ou menos escusos, levando gente respeitável a cair no ridículo...

Aquele abraço!

Iuri



***Ainda envolvendo o debate sobre “monstros & ETs”, segue-se outra mensagem...

Em 5 de fevereiro de 2010, Iuri Azeredo escreveu:


Queridos colegas,

Sobre esses avisos envolvendo Ashtar Sheran...

Pois é... Mandei pra vocês dias atrás um rascunho de um comentário meu com o título “Serão os ETs de hoje a versão dos monstros do século XVI???”. E toda esta preparação para um iminente contato dramático para a salvação do planeta e da humanidade decadente me parece entrar nas fabulações similares às referidas e estudadas pela historiadora Mary Del Priore... Além do “apocalipsismo”, que nos acomete constantemente desde não sei quando, sendo adiado sempre e sempre, mas mantendo o seu vigor, vide as previsões para 2012.

Também está aí, nesses informes e recomendações pomposas, marciais, militarescas até (“comando...", "confederação de mundos...", "tropas dos quadrantes...", "Comandante em Chefe..." etc.), um aspecto messiânico conformador (ou deformador?) da ufologia, que lhe tira, de uma maneira radical, absoluta, do campo científico – mesmo quando falamos de física quântica ou da biologia dos campos morfogenéticos, entre outras linhas pautadas em paradigmas mais abertos, digamos assim. Estamos no campo da religiosidade, da estruturação de seitas “ufologistas” – que, em si, como me referi sobre narrações sobre ETs, merecem toda a atenção do ufólogo, mas não como um engajado ou “crente”. Acho que a postura deveria ser de um estudioso criterioso, que mantém um distanciamento básico, que permita uma abordagem/análise com menos “vícios”.

Abraços!

*Vendo uma ilustração de Ashtar Sheran, comentei com o Rafa que a figura me lembrava o David Bowie em sua melhor forma. Um humano “modelo de beleza”, loiro, forte, alto, olhar inteligente e compassivo, também similar a algumas representações de Jesus – outra referência que se cruza neste “culto ashtariano” e reforça ainda mais os elementos de religiosidade messiânica do caso.

**Ademais, falando em pop, a mencionada pomposidade em designações grandiloquentes como "Comando Ashtar", "Conferderação de Mundos Livres" etc., aludem direto a sagas cinematográficas como Guerra nas Estrelas. O imaginário nesta "cruzada new age espacial" parece não ter nada de muito original...



***Última mensagem envolvendo o assunto:

Enviada: domingo, 7 de fevereiro de 2010
Para: MGU


Prezados colegas,

Agradeço a atenção e deferência dos amigos.

Sim, podem ter certeza de que é com respeito e sincero interesse que me move a debater e externar minhas opiniões sobre temas como Ashtar Sheran e correlatos. Mas não consigo evitar de também tratar com uma certa zombaria, derivada do meu lado cético e pouco afeito a tantas evidências de dubiedades e fraqueza de sustentação –, além da boa vontade ou fé no que é dito.

Aliás, agradeço a vinda da mensagem, porque me provocou a busca de mais informações sobre algo que conhecia alguns poucos fragmentos. Nem suspeitava, por exemplo, que toda esta mobilização no Brasil, que tem a figura de Asthar como centro, desencadeou-se na Bahia, através de um médium Paulo Fernandes, que diz ter estabelecido contato com o “Comandante das Frotas Intergaláticas” e escreveu um relato - “O jovem que se encontrava com extraterrestres” -, fundando, em 1973, o “Ceeas”, Centro de Estudos Exobiológicos Asthar Sheran.

Também não sabia que, antes disso (22 anos), em 1947, houve, na Califórnia, EUA, também a partir de acontecimentos semelhantes (ou semelhantes foram os que aconteceram posteriormente no Brasil...), o surgimento de toda uma organização baseada em supostas mensagens de Asthar, na ocasião intermediadas por um piloto de avião, Van Tassel, e que também fundou um movimento a partir de “orientações” de Asthar.

Aqui e lá, se sucederam “mensageiros” do “comandante em chefe”. (Repito: “ele” vem em paz, mas suas denominações estão ligadas diretamente à guerra, ao belicismo, ao militarismo, por detrás de um discurso “amoroso”, compassivo, como, aliás, acontece em relação à figura de Jesus – em nome do qual já se matou tanta gente neste planeta em cruzadas sanguinolentas –, figura mítica, o Cristo, com a qual Ashtar se “mistura” e até confunde-se...)

Enfim, tudo aí parece remeter a estruturações religioso-messiânicas. E, em específico, remetem a tantas outras proto-seitas ufologistas mais ou menos apocalípticas, caso da recentemente implodida mobilização em torno da figura ficcional (todas as indicações levam a isso) chamada Jan Val Ellan – que, acho eu, não por acaso rima com Ashtar Sheran.

Abraços!

Iuri

Lobisomens e chupa-cabras...

*Cometário de 16/02/2010 postado em meu outro blog.

No romance Fogo Morto, considerado a obra-prima do escritor José Lins do Rego, há um personagem, o mestre celeiro José Amaro, que ganha fama de ser lobisomem, porque, foi visto algumas vezes “suspeitamente” vagando nas proximidades de sua casa à noite – quando, na verdade, apenas buscava se refrescar e espairecer após um dia estafante. Mas a fama espalhou-se e o homem – agora tornado lobisomem – começou a por medo até em sua mulher.

A história ficcional de Lins do Rego, mas nutrida das suas vivências infantis e juvenis no nordeste brasileiro, interiores do estado da Paraíba das primeiras décadas do século 20, na zona de engenhos de cana-de-açúcar, com seus cangaceiros e devoções religiosas, registra, entre outros elementos socioculturais, a permanência viva de crendices de origem européias de séculos passados (500 anos, talvez).

Mary Del Priore, no seu já citado “Esquecidos por Deus: Monstros no mundo Europeu e Ibero-Americano”, diz que, no Concílio Ecumênico de 1414, os lobisomens ganharam o reconhecimento oficial até mesmo da Igreja Católica, em mais uma demonstração de que instituições tidas como fidedignas atestam como verdades o que não passa invento de lenda – gênero literário, de transmissão escrita ou oral (seja formal ou informal), que, acho eu, não devem ser desconsiderados em seus potenciais reveladores de conteúdos mais profundos da psique e das sociedades humanas, quando não de verdades por traz de cortinas de fumaça...

O “reconhecimento” de uma organização como a igreja cristã romana fez com que os casos de “licantropia” – transformação de um homem num híbrido com lobo – subissem vertiginosamente. “Entre 1520 e os meados do século XVII verificaram-se 30 mil casos no continente europeu.” [...] Segundo a concepção corrente, os lobisomens, após sua morte, tornavam-se “famintos mortos-vivos a sugar impiedosamente o sangue de suas vítimas”, anota a historiadora Del Priore.

Novamente me remeti aos relatos de contatos “ufológicos”... Não há aí, mais uma vez, paralelos e continuidades entre os lobisomens do século 13 e o do livro Fogo Morto com os relatos “pavorosos” envolvendo chupa-cabras e outros “monstrengos” tidos como “extraterrestres”??? Sangue, aparições noturnas, marcas e... busca frustrada de provas. Mas, mesmo assim, as narrações continuam e se renovam, “enfeitiçando” a nós, sedentos do miraculoso e do terrificante...

Não deve ser a toa que hoje o chupa-cabras coloca-se como mais um personagem do folclore popular brasileiro (e em vários outros países), junto com o curupira, o saci-pererê, a mula-sem-cabeça etc. E, de novo, há aí o “dedo” de muito “ufólogo” a contribuir para a expansão de um “folclorismo ufológico” em lugar do estudo metódico...

50 anos do INPE - "a nossa NASA"

Pessoal,

O INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em 2011, completa 50 anos de existência, e lançou uma versão comemorativa do seu site, incluindo uma cartilha superbacana para a gurizada (disponível na internet – “INPE 50 anos: Conquistar o espaço para cuidar da Terra”).

Tudo começou em 1961, quando a “corrida espacial” entre EUA e URSS já estava em alta velocidade. Trata-se de uma entidade importantíssima – a nossa NASA, digamos assim – para que o Brasil se mantenha inserido mundialmente no desenvolvimento de pesquisas e tecnologias espaciais, entre outras.

Para ufólogos e simpatizantes abertos a abordagem de fato científica, como a astrofísica e cosmologia, O INPE pode ser um gerador de conhecimentos fundamentais para a compreensão e esclarecimento de fenômenos celestes. Entretanto, aos mistificadores ufologistas, pode ser somente outro órgão a serviço da CONSPIRAÇÃO diabólica contra as EVIDENTES aparições de discos e seres, numa reedição “tecnologizada” de crendices tão velhas (ou bem mais velhas, até) quanto demônios e fantasmas medievais (ver Carl Sagan em “O mundo assombrado pelos demônios”)...

O endereço:

http://www.inpe.br/50anos

Conforme o site, o INPE tem como missão “produzir ciência e tecnologia de alta qualidade nas áreas espacial e do ambiente terrestre e de oferecer produtos e serviços singulares em benefício do Brasil [...] desenvolvendo pesquisa nas áreas de Ciências Espaciais e Atmosféricas, Engenharia e Tecnologia Espacial, Observação da Terra por satélites, Meteorologia e Mudanças Ambientais Globais”. A sede é em São José dos Campos, SP. No RS, temos duas unidades do INPE, em Santa Maria e São Martinho da Serra.

Abraços!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Mais intrigante que ufos...

Pessoal,

A National Geographic de fevereiro passado publicou uma reportagem sobre... as penas das aves. “A evolução da pena, a mais elegante invenção da natureza” é o título.

Impressionante observar a complexidade das penas, suas funções e as hipóteses de seu surgimento e evolução ao longo de bilhões de anos.

As asas de aviões seguem “truques” desse desenvolvimento da pele das aves. As penas são de tal engenhosidade, que nos faz concluir o quão potente é a inteligência que as moldou – afora o mistério do próprio surgimento e desenvolvimento da vida, dos animais, entre eles esse mamífero bípede que consegue registrar seus pensamentos por sinais gráficos numa tela luminosa.

Ouso dizer que uma ave em vôo é algo mais intrigante e fantástico do que qualquer UFO até hoje registrado nos céus do planeta. Sem se deter em entender com mais profundidade o que está à frente de nossa cara, por vezes buscamos o miraculoso e o revelador de maravilhas em supostas luzes estranhas no céu. (Aliás, desdenhamos do profundo poder revelador da ciência contemporânea – como o usado para compreender o vôo das aves – e nos refugiamos em teorias que exigem apenas a credulidade; Carl Sagan, sem deixar de se dedicar a pesquisa sobre seres extraterrestres, denunciou a vida o abandono da metodologia científica, da história e informação científicas atualizadas e de fôlego, por uma coletânea de clichês pseudocientíficos e mistificações baratas, caminho perigoso rumo a indigência mental da massa humana e o domínio do indivíduo por corporações obscurantistas e déspotas carismáticos.)

Abaixo, vou reproduzir os parágrafos iniciais da reportagem, ressaltando em negrito o que achei mais interessante. Recomendo a quem se interessar que leia a reportagem completa no site da revista (ou, melhor ainda, na própria revista, onde há fotos, gráficos e ilustrações bacaníssimas).

Abraços do

Iuri.

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National Geographic

Edição – 131

Fevereiro 2011

A evolução da pena, a mais elegante invenção da natureza

Raros dentre nós têm a oportunidade de ver as grandes maravilhas da natureza. Nunca podemos dar uma espiada no olho de uma lula-colossal, tão grande quanto uma bola de basquete. O mais próximo a que chegamos de uma presa de narval, parecida com a de um unicórnio, é por meio de fotos. Mas há uma maravilha natural acessível a todos, e para presenciá-la basta olhar para o céu.

As aves são de tal modo comuns, até mesmo nos locais mais urbanizados do planeta, que é fácil ficar indiferente. No entanto, elas preservam muito do legado dos dinossauros e são dotadas de uma engenhosa plumagem que lhes permite voar. Para suportar a força das correntes de ar, uma pena de voo tem formato assimétrico, com a borda de ataque fina e rígida e a borda de fuga longa e flexível. A fim de gerar a força de sustentação, a ave só precisa inclinar as asas, ajustando o fluxo de ar tanto embaixo quanto acima delas.

As asas dos aviões aproveitam alguns desses mesmos truques aerodinâmicos. Contudo, uma asa de ave é bem mais complexa do que qualquer coisa feita de placas metálicas e rebites. A partir da raque, o eixo central da asa, projeta-se uma série de barbas mais esguias, cada qual dando origem a bárbulas (filamentos) ainda menores, como ramos de um galho, todas dotadas de minúsculos ganchos. Eles se agarram aos ganchinhos das bárbulas adjacentes, criando uma trama leve e resistente. Quando um pássaro usa o bico para limpar as penas, as barbas se separam com facilidade e logo depois se recompõem.

A origem desse mecanismo admirável é um dos enigmas mais persistentes da evolução. Em 1861, dois anos depois de Darwin ter publicado A Origem das Espécies, os trabalhadores de uma pedreira na Alemanha toparam com fósseis espetaculares de uma ave do tamanho de um corvo, batizada de Archaeopteryx, que viveu há cerca de 150 milhões de anos. Ela tinha penas e outras características de aves vivas mas também resquícios de um passado reptiliano, tais como dentes na boca, garras nas asas e uma cauda óssea comprida. Como os fósseis de baleias com pernas, o Archaeopteryx parecia ser um instantâneo de uma metamorfose evolutiva crucial. "Para mim, é algo notável", confidenciou Darwin a um amigo. (...)