terça-feira, 27 de março de 2012

Terra em perigo! (Céticos e crentes, uni-vos! )


Aproveitando o que eu enviei para uma outra lista, segue abaixo uma entrevista com o biólogo norte-americano Edward Wilson (foto de divulgação acima), que guarda algumas semelhanças com outro cara das ciências biológicas, o Richard Dawkins, de "Deus, um delírio". Apesar de ter saído em lá em 2006 numa Veja, achei interessante repassar. O centro da entrevista é a proposta de “unir forças” entre “crentes e céticos”. Independentes das nossas compreensões, há o planeta Terra em perigo.

Diz Edward: “Faço um apelo às pessoas religiosas. Peço que deixem de lado suas diferenças com as pessoas seculares e os cientistas materialistas, como eu, e se juntem a nós para salvar o planeta. A ciência e a religião são as duas forças mais poderosas do mundo. Para ambas, a natureza é sagrada.”

Entretanto, ele faz uma distinção crucial: “A religião exige fé, uma fé sem questionamentos. A ciência não tem nada parecido com isso. Baseia-se em um conjunto de conhecimentos acumulados e tem uma trajetória de agregar mais e mais informações que explicam o mundo. É um processo de busca, de exploração e descoberta. Totalmente diferente de religião”.

Há outras coisas interessantes na argumentação de Wilson, famoso também por ser um dos desenvolvedores da sociobiologia e uma das maiores autoridades no conhecimento sobre as formigas (entomologista), seres numerosos e diversos que habitam e convivem conosco, humanos, as parte superficiais da Terra.

Ele diz, por exemplo: "Acredito na grande força do espírito humano. Mas não creio em vida após a morte ou em uma alma separada do corpo e da mente. A criatividade, a estética, o sentimento de totalidade e o amor são essencialmente parte do funcionamento da mente. Sabemos que o cérebro se comporta de maneira diferente quando ocorrem mudanças químicas no organismo ou quando nos machucamos. Isso sugere que a essência humana depende de um sistema celular complexo. Não há incoerência alguma em acreditar que os sentimentos têm uma base física e, ao mesmo tempo, ter uma visão espiritual da mente humana".

Edward é um estudioso apaixonado, engajado, que se mantem muito ativo aos seus 83 anos de vida. Uma pessoa de referência nesse mundão de muitas nulidades, apatias, alienação, moralismo caquético e pseudoconhecimentos. E como toda personalidade instigante, muitas das sua afirmações são polêmicas.

Segue a entrevista completa.

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Revista Veja

Edição 1956, de 17 de maio de 2006

Entrevista: Edward Wilson

Salvem o planeta

O biólogo americano diz que a situação é tão grave que ciência e religião deveriam se unir na defesa da biodiversidade


Diogo Schelp


Autor de um celebrado estudo sobre a fartura de seres vivos no planeta, chamado Diversidade da Vida, o biólogo americano Edward Wilson foi um dos pioneiros a alertar sobre a extinção em massa de espécies causada pela atividade humana no século XX. Em sua mais recente empreitada – cujo resultado está no livro A Criação, a ser publicado em setembro [de 2006] nos Estados Unidos –, ele analisou as relações entre religião e ciência e propôs uma solução para o confronto ideológico nesse campo. "Religiosos e cientistas deveriam ter um objetivo comum: defender a natureza, porque dela depende a criação humana", diz Wilson. Fundador da sociobiologia, ciência que estuda as bases genéticas do comportamento social dos animais, inclusive o ser humano, ele ganhou duas vezes o Prêmio Pulitzer – por Formigas, inseto do qual é o maior especialista mundial, e Sobre a Natureza Humana, em que estuda o modo como a evolução se reflete na agressividade, na sexualidade e na ética humana. Aos 76 anos [2006], aposentado mas em plena atividade como professor e escritor, Wilson concedeu a seguinte entrevista de seu escritório na Universidade Harvard, nos Estados Unidos.

Veja – Mais de 80% da população dos Estados Unidos não acredita na teoria da evolução. Trata-se de um fenômeno tipicamente americano?

Wilson – Para 51% dos americanos, a espécie humana foi criada por uma força superior alguns milhares de anos atrás. Outros 34% acreditam que houve uma evolução guiada por Deus. Os 15% restantes dizem que os cientistas estão corretos. Esses números são extraordinários porque representam exatamente o oposto do que pensam os europeus. Na Europa, 40% da população dá razão à tese de que as espécies evoluíram pela seleção natural. Apenas uma minoria concorda com os criacionistas, que descartam a teoria da evolução.

Veja – O que explica o vigor do criacionismo, a ponto de estar em cogitação ensiná-lo nas escolas americanas, em oposição à teoria da evolução das espécies?

Wilson – Algumas organizações religiosas estão conseguindo introduzir no governo americano a tese do design inteligente. Isto é, que foi Deus quem guiou a evolução. Ajuda o fato de termos [em 2006] um presidente, George W. Bush, que acredita que Deus fala com ele quando toma certas decisões ou vai à guerra. Isso fortalece as crenças fundamentalistas mais radicais da população. Para completar, após os atentados de 11 de setembro, a população americana, sentindo-se vulnerável, agarrou-se à idéia de que o país precisa se voltar mais para a religião. Em meu próximo livro, A Criação, faço um apelo às pessoas religiosas. Peço que deixem de lado suas diferenças com as pessoas seculares e os cientistas materialistas, como eu, e se juntem a nós para salvar o planeta. A ciência e a religião são as duas forças mais poderosas do mundo. Para ambas, a natureza é sagrada.

Veja – O senhor sustenta existir uma relação direta entre a seleção natural e o sentimento religioso. Qual é?

Wilson – A religião está sempre dizendo às pessoas que sobrevivam, e esse é um princípio básico da seleção natural. A religião estimula a mente humana a transpor as dificuldades, a juntar-se a outros indivíduos e a se comportar de maneira altruísta em favor do grupo. O objetivo é a sobrevivência do grupo. Isso explica por que as religiões são tão tribalistas.

Veja – Qual é o erro da teoria do design inteligente, a idéia de que a complexidade dos organismos vivos é a melhor prova da existência de um projetista divino?

Wilson – O único argumento dos defensores do design inteligente é que a ciência não consegue explicar todos os detalhes da evolução e dos fenômenos naturais. Para eles, isso é o suficiente para justificar a crença numa força sobrenatural por trás do inexplicável. Obviamente, não se trata de um argumento científico. A motivação dos cientistas é justamente a de descobrir a verdade sobre o que ainda não se consegue explicar. Ao adotar a crença de que a evolução é uma invenção de Deus, a religião coloca em risco sua credibilidade e prestígio. Se os defensores do design inteligente tivessem evidências da existência de forças sobrenaturais nos processos físicos e biológicos, os cientistas seriam os primeiros a estudar esses fenômenos.

Veja – É possível aceitar a teoria da evolução e, ao mesmo tempo, ser religioso?

Wilson – Sim, claro. Eu próprio me considero um espiritualista. Acredito na grande força do espírito humano. Mas não creio em vida após a morte ou em uma alma separada do corpo e da mente. A criatividade, a estética, o sentimento de totalidade e o amor são essencialmente parte do funcionamento da mente. Sabemos que o cérebro se comporta de maneira diferente quando ocorrem mudanças químicas no organismo ou quando nos machucamos. Isso sugere que a essência humana depende de um sistema celular complexo. Não há incoerência alguma em acreditar que os sentimentos têm uma base física e, ao mesmo tempo, ter uma visão espiritual da mente humana.

Veja – O senhor não se sentiria reconfortado se soubesse que existe vida após a morte?

Wilson – Pense no que significaria passar o resto da eternidade no céu. Não fomos feitos para isso. A mente humana foi construída para durar por um tempo limitado. Ultrapassar esse limite seria obrigar o indivíduo a uma existência infernal. Uma pesquisa com a elite científica dos Estados Unidos mostrou que 85% dos pesquisadores não se importam se existe ou não vida após a morte. Eu não me importo.

Veja – O senhor afirmou certa vez que se considera um deísta provisório. O que quer dizer com isso?

Wilson – Primeiro é preciso definir teísmo e deísmo. O teísmo é a crença de que Deus intervém nos assuntos humanos. Deus seria capaz de fazer milagres e está diretamente ligado ao discurso humano. Já o deísta é aquele que aceita a possibilidade de existir uma força superior que estabeleceu as leis responsáveis pela criação do universo. O deísta, no entanto, não acredita que Deus esteja envolvido nos assuntos diários dos seres humanos. Enquanto não soubermos dar uma melhor explicação para o início do universo, considero-me um deísta provisório. A ciência está avançando rapidamente. Quem sabe em breve os físicos já possam explicar de onde viemos.

Veja – Muitos críticos dizem que a ciência é uma espécie de religião e que a teoria da evolução exige devoção. O senhor concorda?

Wilson – Não. Existe uma grande diferença. A religião exige fé, uma fé sem questionamentos. A ciência não tem nada parecido com isso. Baseia-se em um conjunto de conhecimentos acumulados e tem uma trajetória de agregar mais e mais informações que explicam o mundo. É um processo de busca, de exploração e descoberta. Totalmente diferente de religião.

Veja – O senhor vê progresso na evolução?

Wilson – Sim, porque em bilhões de anos a evolução tem produzido espécies cada vez mais complexas, um maior número de organismos e ecossistemas mais sofisticados. Se tomarmos exemplos isolados, no entanto, veremos que nem sempre a evolução significa progresso. Afinal, ela é fruto de mutações e mudanças genéticas aleatórias. Há casos de parasitas que perderam os olhos e de animais que perderam os pés. Se complexidade é progresso, então essas espécies regrediram.

Veja – O fato de o ser humano ter evoluído a ponto de controlar a natureza como nenhum outro animal nos dá o direito de fazer o que quisermos com as outras espécies?

Wilson – A espécie humana sem dúvida é a mais sagrada do planeta. Afinal, é a mais inteligente e a única civilizada. Nos estágios iniciais da nossa evolução, quando os seres humanos viviam da caça e em bandos, o objetivo era derrotar a natureza, porque isso era uma questão de sobrevivência. Hoje, derrotar a natureza significa destruir parte do que resta de vida na Terra. Temos de saber quando parar. Estamos arruinando a natureza só para abrir um pouco de espaço para mais seres humanos. Isso não é progresso, nem sob o aspecto moral, nem como opção para garantir o futuro da humanidade. Nós precisamos da natureza para garantir a produtividade na biosfera. A espécie humana foi bem-sucedida demais.

Veja – Um estudo da ONU estimou que em 2050 a população da Terra atingirá o pico de 9 bilhões de pessoas, para então estabilizar. Como podemos melhorar a situação econômica de tanta gente e, ao mesmo tempo, impedir a destruição da natureza?

Wilson – A maioria dos especialistas acredita que os recursos existentes na Terra suportariam essa superpopulação sem destruir a natureza. É preciso aumentar a produtividade da terra, e, para isso, temos de utilizar sementes geneticamente modificadas. A espécie humana depende de apenas vinte tipos de planta para se alimentar. Arroz, milho e trigo são as principais. Existem, no entanto, mais de 50.000 plantas cultiváveis. Muitas delas podem se tornar viáveis economicamente com a modificação genética. Se soubermos preservar o que restou da natureza e torná-la mais produtiva, conseguiremos alimentar os 9 bilhões de pessoas previstos para 2050.

Veja – Por que existe resistência tão grande aos alimentos geneticamente modificados?

Wilson – O primeiro medo é o de que existam riscos ambientais no uso de transgênicos. Há quem tema, por exemplo, que possam dar origem a superbactérias, resistentes a qualquer tipo de remédio. Essa é uma visão hollywoodiana. Não existem evidências de que isso possa ocorrer. Já há as superbactérias, mas elas são naturais. Em geral são espécies de outros países ou continentes trazidas sem querer em navios ou aviões. Em ambientes sem a competição de outras espécies, essas bactérias se espalham e acabam se tornando pestes sérias. O segundo temor é o de que os alimentos transgênicos possam ser prejudiciais à saúde humana. Até agora também não há evidências disso, apesar dos inúmeros estudos. Nos Estados Unidos, 40% dos alimentos consumidos pela população são geneticamente modificados. Há quem diga que isso não é natural. Bobagem. Na prática, temos feito isso há 10.000 anos. Desde que a agricultura foi inventada, criamos plantas e animais modificando sua genética e escolhendo as melhores espécies. Isso não é diferente de introduzir novos genes diretamente em uma espécie. Não é o gene que interessa, e sim se o produto criado com ele é bom.

Veja – Por que é tão urgente preservar a biodiversidade do planeta?

Wilson – Um cálculo feito em 1997 por biólogos e economistas mostrou que as espécies de todos os ecossistemas contribuíram com 30 trilhões de dólares em "serviços", como limpeza e retenção de água, regeneração de solo e limpeza da atmosfera. Esse valor era, naquele momento, próximo ao de toda a produção humana. Dependemos da biodiversidade mais do que imaginamos. Outro aspecto é que estamos começando a compreender como as espécies que surgiram 1 milhão de anos atrás foram extintas e substituídas por outras. Isso é importante para entendermos a origem da vida. Precisamos desse conhecimento. Os cientistas identificaram apenas 10% das espécies e organismos existentes no planeta. Conhecer os 90% restantes tem um valor inestimável.

Veja – Alguns cientistas dizem que a espécie humana está vivendo uma evolução acelerada. A tese é a de que a humanidade está começando a decidir sobre sua própria evolução. O senhor concorda?

Wilson – Sim, em meu livro dei a esse fenômeno o nome de evolução voluntária. Estamos próximos de atingir um estágio de desenvolvimento em que poderemos escolher o caminho da nossa evolução. Em breve poderemos eliminar totalmente doenças genéticas, como fibroses, simplesmente substituindo os genes defeituosos. Essa é uma forma de conduzir a evolução. A questão é se deveria ser permitido usar a engenharia genética para melhorar indivíduos humanos. Em alguns anos, os pais poderão escolher se o filho será um bom atleta ou um bom músico. Devemos permitir isso? Trata-se de uma questão ética que ainda não foi analisada em profundidade. Simplesmente porque ainda não estamos enfrentando os problemas relacionados a essas possibilidades tecnológicas. Em algum momento, a humanidade deverá decidir sobre isso, e aí teremos a evolução voluntária. Precisaremos ser muito cuidadosos ao mudar a natureza, pois é ela que nos faz humanos.

Veja – Qual o limite?

Wilson – Não sei, está fora do meu alcance. Precisamos de mais conhecimentos sobre genética, saber melhor o que somos, qual é a natureza humana e quais as conseqüências dessas mudanças na organização da nossa sociedade atual. É uma grande pergunta. Nós mal conseguimos entender a nós mesmos nas condições atuais. Tentar entender como seríamos se nos alterássemos geneticamente é um passo gigantesco.

Veja – Em sua opinião, é eticamente aceitável tentar encontrar uma explicação genética para o comportamento homossexual?

Wilson – Sim. Quanto mais soubermos, quanto mais verdades tivermos, mais teremos capacidade de resolver questões que mobilizam a sociedade. Já existem algumas evidências de que a homossexualidade acontece por um componente genético hereditário. Parte da variação da preferência sexual deve-se aos genes. Se soubermos o que está envolvido nisso, poderemos tomar decisões racionais e morais sobre o assunto. Se a ciência provar que a homossexualidade tem uma base genética e que o gene está bem distribuído pela população, os gays vão poder dizer: "A evolução natural nos fez assim, e, por isso, não há nada de errado no que fazemos e no tipo de vida que levamos". Esse é um ótimo argumento. Por outro lado, se descobrirmos que a homossexualidade não tem nenhuma origem genética, ganhará força a tese de que esse comportamento sexual tem como causa um trauma ocorrido na infância. Os defensores dessa tese terão argumentos para querer curar ou corrigir os homossexuais. Até descobrirmos a verdade sobre isso, essa discussão vai continuar indefinidamente. Por isso, quanto mais soubermos, mais livres seremos.

FONTE: http://veja.abril.com.br/170506/entrevista.html

quinta-feira, 15 de março de 2012

Raios Cósmicos


Pode até parecer coisa de gente com sérios transtornos mentais ou assunto de algum tipo de clube bizarro. Mas é algo extremamente sério e de fato importante. Tanto é que no ano que vem (2013), cientistas – físicos em especial – do mundo inteiro estarão no Brasil para uma conferência mundial sobre “raios cósmicos”.

Numa matéria que fala sobre o tal encontro científico é dito que “Os raios cósmicos são partículas com muita energia e que bombardeiam constantemente o planeta Terra. Seu estudo permite uma visão mais íntima da natureza das partículas, bem como a formação e evolução do Universo”, afora outras relações.

Nem precisamos da ficção científica para ficarmos abismados com o que está ao nosso redor – seja visível ou invisível aos olhos. Também não precisamos de nenhum misticismo para nos sentir conectados com o micro e macrocosmos. Um olhar com as ferramentas da ciência já é um poderoso estimulante à vertigem da existência humana e o Universo onde estamos embebidos.

Segue a referida matéria em sua totalidade.

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JC e-mail 4451, de 08 de Março de 2012.


Brasil entra no foco dos raios cósmicos

País se prepara para receber conferência em 2013, onde pesquisadores nacionais terão a oportunidade de discutir e expor seus trabalhos para colegas de vários países.

Todo mundo só fala em Copa do Mundo e Olimpíada, mas nem só de esporte vive o Brasil. O Rio de Janeiro sediará em julho do ano que vem a 33ª Conferência Internacional de Raios Cósmicos, importante evento da União Internacional de Física Pura e Aplicada (IUPAP, na sigla inglesa). Realizado a cada dois anos sob os auspícios da C4 (Comissão sobre Raios Cósmicos), ele irá reunir em sua próxima edição cerca de 1.500 especialistas de várias partes do mundo, para discutir o futuro das pesquisas com radiações de origem cósmica.

Toda a organização da conferência estará a cargo da equipe brasileira, composta por pesquisadores de excelente reputação no exterior. "Isso dará uma boa exposição dos cientistas brasileiros atuando na área", afirma Ronald Cintra Shellard, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Física (SBF) e membro brasileiro da C4. Ele chefiará a conferência realizada no Brasil.

Os raios cósmicos são partículas com muita energia e que bombardeiam constantemente o planeta Terra. Seu estudo permite uma visão mais íntima da natureza das partículas, bem como a formação e evolução do Universo. Devido à complexidade e ao valor gasto na realização de experimentos, o estudo dos raios cósmicos tem demandado competências de vários países, trabalhando de forma conjunta e colaborativa.

Aliás, atualmente, um dos assuntos mais discutidos na comissão sobre raios cósmicos é a mudança do seu próprio nome, pois as ações dela têm abrangido não apenas os chamados raios cósmicos, mas também os raios gama de alta energia (compostos pelas mesmas partículas da luz comum, mas com energia muito acima da luz visível), neutrinos de origem extraterrestre e até mesmo a matéria escura, um dos grandes mistérios da Física atual. Discute-se a mudança do nome para "Comissão de Astropartículas", mas a definição terá de passar pela Assembleia Geral da IUPAP para poder entrar em vigor.

A comunidade de físicos brasileiros na IUPAP tem um perfil jovem, quando se compara às de outros países. Não na idade de seus membros, mas em sua tradição (são cerca de 70 anos apenas) e no vanguardismo de seus cientistas, que têm apontado visões variadas sobre os grandes temas discutidos nessa e em outras comissões.

Segundo Shellard, a comunidade de Física brasileira já tem um amadurecimento que permite contribuir para o debate dos grandes temas que afetam o futuro da Física como disciplina de inquirição intelectual. "O que nos falta ainda é autoconfiança, mas que virá com a experiência dos debates nestes fóruns", diz o físico. Shellard é um dos 11 brasileiros escolhidos como membros de comissões da IUPAP.

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81480

quinta-feira, 1 de março de 2012

E os ufólogos podem ter razão - e desempenharem um papel importante como paracientistas


No site Ciência Hoje On-line saiu um artigo sobre os paracientistas (Os paracientistas, publicada em 23/02/2012 ), que seriam pessoas muito habilidososa, não formadas academicamente em alguma ciência, mas que prestam grande auxílio para o desenvolvimento do conhecimento científico. Um exemplo seria os jogadores eletrônicos, os “gamers”, que, por sua “fissura” e destreza, podem, aproveitando tal “talento”, localizar, por exemplo, padrões muito importantes em estudo de diversas áreas, caso da biologia molecular, auxiliando até mesmo na busca de tratamentos mais eficientes ao câncer.

Mas o que mais me chamou a atenção no texto sobre os paracientistas – de autoria de Franklin Rumjanek – foi o seguinte trecho:

“A associação entre segurança nacional e ciência também pode parecer insólita, mas houve um caso em que, mesmo sem intenção, militares norte-americanos fizeram descobertas importantes em astronomia, embora estas tenham permanecido ocultas por décadas.

“Em 1967, operadores de um radar de vigilância no Alasca, instalado para detectar ogivas nucleares inimigas, localizaram estrelas que emitem sinais de radiopulsantes (chamadas de pulsares), bem antes de estudos realizados por civis. Esses registros, segundo artigo publicado na revista científica Nature (v. 477, p. 388), ficaram sob sigilo até 2007. Não surpreenderia que, sob a égide da segurança, exista um acervo científico incalculável ainda a ser divulgado.”

Notem a última frase:

“Não surpreenderia que, sob a égide da segurança [militar nacional], exista um acervo científico incalculável ainda a ser divulgado.”

Tal conclusão do autor, Franklin Rumjanek, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, me levou direto as alegações e reivindicações de ufólogos pela a abertura de arquivos militares sobre fenômenos aéreos anômalos e congêneres, como o faz o pessoal ligado a Revista Ufo brasileira.

Sem considerar a possibilidade de que existam arquivos com informações que podem respaldar mais concretamente relatos de Ovnis, independente disso, os ufólogos de fato podem atuar como paracientistas, auxiliando na construção de hipóteses consistentes sobre a vida extraterrestre, as possibilidades de contatos, tipologias de “seres” etc. Sinceramente – é a minha opinião dura –, isso seria uma forma de recolocar (ou reposicionar) positivamente a ufologia, hoje (ou desde sempre!) muito vinculada a ideias e posturas religiosas, místicas, “esotéricas”, sem credibilidade além de círculos de “crentes da nova era” e gente demasiado suscetível a histórias com a da Mula-sem-cabeça...

Para quem quer ler toda a matéria supracitada, segue o link:

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/289/os-paracientistas/view

Lá do alto, eles se aprontam para observar o magnetismo da Terra


Fenômenos fantásticos nos cercam. Literalmente. É o caso do magnetismo da Terra. E tal espanto não é só por sua grandiosidade e origem e funcionamento ainda cheio de mistérios... Já se sabe que tais campos, produto, entre outros, do movimento de quantidades fabulosas de ferro líquido circulando nas partes centrais do nosso planeta, nos protegem de partículas eletricamente carregadas e são indispensáveis na manutenção da vida aqui nesta esfera azul. Assim, tão imprescindíveis quanto a luz solar, a água, os alimentos, o ar... é o magnetismo do Planeta – algo que pouco consideramos/conhecemos e que demonstra a existência de incrível interação de inúmeros fatores que possibilitam a existência humana na crosta terrestre.

O magnetismo, a eletricidade, o eletromagnetismo foram revelações dadas por longo, amplo e metódico trabalho de um sequência de muitos homens e mulheres cientistas. Tais revelações levaram ao desenvolvimento de coisas hoje muito prosaicas, como o rádio, a TV, o celular etc. Além, é claro, da bússola! Esse conhecimento também tem levado a uma compreensão sobre o “funcionamento” do cosmos – para além das cosmogonias religiosas, místicas e pseudocientíficas que, não raro, são propaladoras de obscurantismos, que fecham a mente ao invés de levar-nos sempre a novos horizontes.

Abaixo, segue a reportagem e o link para a matéria do site Inovação Tecnológica sobre a missão que vai aprofundar o mapeamento do campo magnético da Terra. Em anexo, uma ilustração bem bacana dos satélites que fazem parte da investigação e que serão lançados em julho próximo.

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Missão Swarm vai mapear campo magnético da Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/02/2012

Escudo magnético da Terra

A missão Swarm (enxame, ou cardume) é uma constelação de satélites de observação da Terra destinados a medir os sinais magnéticos do núcleo, manto, crosta, oceanos, ionosfera e magnetosfera do nosso planeta.

Eles vão fornecer dados que permitirão aos cientistas estudar as complexidades do campo magnético que nos protege.

Essa blindagem magnética protege o planeta das partículas carregadas que vêm com o vento solar.

Sem essa proteção natural, a vida na Terra seria impossível.

Esse escudo é gerado principalmente nas profundezas da Terra, por um verdadeiro oceano de ferro fundido que serpenteia pelo núcleo externo líquido.

Exploradores da Terra

Como o campo magnético terrestre é criado, e como ele se altera ao longo do tempo, é algo complexo e ainda não completamente compreendido.


Esta força está em constante mudança - no momento, ela mostra sinais de um enfraquecimento significativo.

Com uma nova geração de sensores, a constelação Swarm pretende lançar novos conhecimentos sobre estes processos naturais, além de coletar novas informações sobre o clima espacial.

Esta será a quarta missão da série Exploradores da Terra, da agência espacial europeia - as outras são GOCE, que mapeou a gravidade da Terra, o SMOS, mais conhecido como satélite da água, e o CryoSat, o satélite do gelo.

Satélites em formação

Os três satélites da constelação Swarm vão voar em formação, comunicando-se para manter suas distâncias de forma precisa.

Dois satélites vão orbitar muito próximos entre si, na mesma altitude - inicialmente a cerca de 460 km -, enquanto o terceiro estará em uma órbita mais alta, de 530 km.

As diferentes órbitas quase-polares, juntamente com os vários instrumentos a bordo, melhoram a qualidade dos dados coletados, tanto no espaço, quanto no tempo.

Isto vai ajudar a distinguir entre os efeitos de diferentes fontes do magnetismo

FONTE: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=satelites-mapear-campo-magnetico-terra&id=010130120218&ebol=sim


***Me escreveu um amigo:
"Muito interessante. Apesar de um tanto mística, me veio uma questão: será q esta redução do magnetismo em pleno 2012 teria algo a ver com estas mudanças planetárias profetizadas pelos maias? Recém esta semana houve um acidente de trem na Argentina, e ultimamente é notório o acontecimento de desastres naturais - muitos deles creditados às ocupações irregulares feitas por nós, outros em função das alterações climáticas decorrentes da poluição e aquecimento global... Enfim, há indícios para ambos os lados... Não creio em fim do mundo, mas em mudanças graduais, talvez."
E eu escrevi a título de resposta: "O fim do mundo vai acontecer, é certo. Mas daqui uns bilhões de anos, quando o sol entrar em crise dramática, alterando todo o ecossistema da Terra e todo o sistema planetário. Ou todos vamos nos escafeder é com a colisão de um asteroide de grandes proporções, como parece já ter acontecido em eras.
Acidentes como o do trem em Buenos Aires podem ter explicações bem mais prosaicas. Primeiro, o aumento populacional faz com que se tenha uma maior circulação de pessoas por diversos meios de transporte. Mais meios de transporte, mais chances de ocorrerem acidentes. Com o baixo investimento na qualificação, ampliação e manutenção do sistema ferroviário argentino (e etc.), daqui um pouco acontece uma merda dessas proporções. Aqui, por outras das várias excrescências da legislação, que permite superlotação de ônibus, permite gente em pé e sem cinto de segurança – além de veículos em petição de miséria, com dizia minha vó – não raro acontece uma “tragédia” – nada a ver com os maias e o seu calendário cheio de interpretações as mais bizarras, na ânsia de que se tenha alguma base (base?) para se declarar um fim de mundo iminente.
Hoje de novo, descendo o acesso Grasel [Santa Cruz do Sul - RS], vejo que o descuido absurdo com a sinalização de obras (retirada de grande trechos de asfalto) numa rodovia municipal de alta circulação (e grande declives e curvas fechada) pode levar facilmente a um acidente sério. Os índios centro-americanos do século XV e seu calendário não podem ser uma alegação para, em caso de um desastre automobilístico com mortes, a notória e já clássica incompetência da Prefeitura local, que não cobra o serviço correto da empresa contratada, que é paga com grana pública para fazer uma porcaria (com o perdão dos suínos, mais uma vez). Creditemos isso tudo a nossa cretinice cotidiana e não ao Nostradamus, a Maomé, a Virgem Maria, ao Nenéu.
Abraço, meu velho!!!

Um verdadeiro OVNI... até o momento


Abaixo segue notícia da semana passada clipada e divulgada no Jornal da Ciência On-line. É sobre uma “esfera misteriosa” que despencou do céu em uma fazenda no Maranhão. Até o momento é um verdadeiro OVNI - Objeto Voador Não identificado... mas já está sendo identificado – se é que já não o foi completamente nesta altura. Em anexo, uma fotinho do “bicho”.

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JC e-mail 4442, de 24 de Fevereiro de 2012.

Esfera misteriosa cai do céu em fazenda no interior do Maranhão

A suposta queda do espaço de uma esfera de metal com cerca de 30 kg assustou moradores da cidade de Anapurus, no interior do Maranhão. O caso fez sucesso em vários blogs do Maranhão e levou uma legião de curiosos à pequena cidade para ver a "bola" misteriosa. O mais provável é que se trate de lixo espacial.

O objeto caiu em próximo a casas do município, que tem cerca de 13 mil habitantes, na manhã da última quarta-feira. Segundo moradores, antes de cair, a bola ainda teria atingido - e destruído - um cajueiro em uma fazenda. O comandante da Polícia Militar do município determinou que o misterioso objeto fosse levado à delegacia para averiguações. Por meio de sua assessoria, a Aeronáutica afirmou que pretende ir até o local do incidente e recolher o material para estudo.

Gustavo Rojas, astrofísico da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), acredita que a esfera metálica seja parte de um foguete Ariane 4, usado para o lançamento de cargas pesadas pela ESA (Agência Espacial Europeia). Ele consultou a base de dados do Centro de Estudos de Reentrada de Lixo Orbital e verificou que o objeto estava para cair em um local e área compatíveis.

Rojas comunicou o incidente ao centro, que já entrou em contato com a agência europeia. O grupo agora pede mais informações, como o horário exato e a latitude e longitude da queda. "O procedimento correto é chamar as autoridades locais e consultar um especialista para identificar o objeto. É importante fornecer os dados precisos da reentrada porque isso ajuda a previsão de futuras quedas de lixo espacial."

O lixo espacial é um problema crescente, e há milhares de fragmentos orbitando a Terra. Muitos deles são destruídos na reentrada, mas alguns resistem e podem oferecer riscos. Até agora, no entanto, não houve vítimas em acidentes.

(Folha de São Paulo)

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81290