Numa troca de e-mail com um amigo escritor, que publicou um livro com relatos sobre golpes do tipo “conto do bilhete”, destaquei (e incrementei) algumas partes das mensagens que enviei a ele. Seguem abaixo.
****************
E é assim mesmo: o cara está “condicionado” a ver discos voadores; ou o cara morre de vontade de ver algo assim, extraordinário, e qualquer fenômeno não imediatamente identificado se torna um “avistamento de ufo”...
Há ufólogos que lutam contra o amadorismo e crendices nas investigações. Mas a esmagadora maioria dos “adeptos”, pelo que noto, são “crentões” das ideias da “nova era” – e estão longe de uma abordagem de fato científica –, sedentos de algo que substitua as velhas religiões, cada vez mais carcomidas (mesmo que o número de adeptos se expanda).
Tenho um blog, que incialmente tinha uma proposta, mas virou um repositório para textos (comentários pessoais) “alertado” para, justamente, uma perspectiva obscurantista de uma certa abordagem sobre ufos/óvnis e assuntos correlatos, além de propor uma atenção a coisas extremamente interessantes, mas bem mais “pé no chão”. O pontapé para publicar os comentários foi a leitura há não muito tempo daquele livro do finado físico Carl Sagan, “O mundo assombrado pelos demônios – A ciência vista como uma vela no escuro”. Os comentários postados são normalmente e-mails levemente adaptados, que envio ou troco com um pessoal de uma lista. [O blog é este “AlertaOvniBrasil”.]
Ainda falando em “171” – as engambelações que estamos sujeitos enquanto seres ávidos e acríticos diante de supostas maravilhas –, estou lendo uma revista Galileu – de outubro de 2012 – cuja reportagem de capa é “Por que você acredita – seu cérebro é programado para crer. Entenda como isso influencia suas atitudes (superstições, conspirações, astrologia, fim do mundo, destino, espíritos, deus)”.
Tenho aqui até um link para a matéria, caso tu queiras dar uma olhada:
http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI320171-17579,00-POR+QUE+VOCE+ACREDITA+EM+HOROSCOPO+ESPIRITOS+ETS+E+RELIGIOES.html
Voltando, tenho esta relação com o tema “ufologia” – muito por conta de amigos queridos. Mas ao mesmo tempo que percebo o interesse pelo assunto como algo positivo e estimulante à busca de conhecimentos, e que também pode propiciar um rompimento do pensamento antropocêntrico (o ser humano como centro de tudo, inclusive como a principal preocupação de um suposto criador de tudo que há no universo), vejo o assunto (ufos ou óvnis) ser encarado como uma crendice (obliterante do livre pensamento), estabelecendo-se como uma nova forma de igreja. Como diz a própria reportagem da revista, substituiu-se anjos e demônios por ETs bons e maus... E até Jesus Cristo teria vindo à Terra num disco voador...
Michael Shermer é citado nesta Galileu. Aliás, o seu último lançamento no Brasil – o livro “Cérebro e Crença” – é o mote da reportagem. Eu li semanas atrás boa parte de um livro anterior dele (dos publicados no Brasil), que se chama “Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas”, com o subtítulo “pseudociência, superstição e outras confusões de nossos tempos”.
Shermer diz que
“Faz parte da natureza humana [acreditar]. Não evoluímos para duvidar ou questionar. Desenvolver um senso crítico e uma visão própria de mundo exige educação, reflexão e tempo. Crer é muito mais fácil. As pessoas preferem ser enganadas”.
Especificamente, sobre ufologia, ele diz que
“Nenhuma fotografia pretensamente tirada de um disco voador sobreviveu a um exame detalhado. São todas alegações falsas, montagens feitas para iludir. Embora seja possível que algumas alegações de eventos paranormais, mediúnicos ou ufológicos possam ser verdadeiras, a verdade é que a maior parte delas é falsa”.
O link para a entrevista completa, que saiu na revista Época no ano passado (2012), onde ele fala isso (acima) está reproduzida logo abaixo.
http://www.michaelshermer.com/2012/01/as-pessoas-gostam-de-ser-enganadas/
Comentário posteriores:
*Voltando ao Shermer, tenho que me penitenciar por ter retirado, para tentar sintetizar, um complemento da fala dele na entrevista da Época. Deixei de fora a seguinte finalização da frase:
“(...) e o mais provável é que todas não passem de pura farsa”.
Assim, o trecho que destaquei fica:
“Nenhuma fotografia pretensamente tirada de um disco voador sobreviveu a um exame detalhado. São todas alegações falsas, montagens feitas para iludir. Embora seja possível que algumas alegações de eventos paranormais, mediúnicos ou ufológicos possam ser verdadeiras, a verdade é que a maior parte delas é falsa, e o mais provável é que todas não passem de pura farsa”.
Como indiquei, para quem quiser confirmar, está aqui a entrevista completa:
http://www.michaelshermer.com/2012/01/as-pessoas-gostam-de-ser-enganadas/
Ou seja, Shermer afirma que a probabilidade indica que todas fotos sejam falsas como indicadoras de “discos voadores”, ou seja, veículos supostamente vindos do espaço, de outros planetas.
Já se sabe, por inúmeras meios, que, sim, a maior parte das fotos são de fato falsas. Shermer vai adiante e diz que “o mais provável é que todas não passem de pura farsa”. “Farsa”, montagens ou indução de interpretação de algo que não é, ou que se está “forçando”, a partir do “eu quero acreditar” ao invés do “eu quero saber”. É duro de se admitir, mas como diz o ufólogo português Nuno Silveira, é preciso considerar seriamente o quanto são precários os nossos indicadores, as nossas “provas”, com um histórico absurdo de engodos, cretinices e, até, canalhices descaradas.
Não sei detalhes sobre os levantamentos, investigações, pesquisas de Shermer sobre o tema “ufo”. Na obra que eu li dele, “Por que as pessoas acreditam em Coisas Estranhas”, há um capítulo específico e uma extensa bibliografia e percebe-se, além de experiência de vida, uma grande erudição, fruto, talvez, de sua longa trajetória de professor de História da Ciência (Claremont University e Chapman Univesrity), palestrante em eventos como o Fronteiras do Pensamento (hoje o maior ciclo de conferências da América Latina, com os expoentes mundiais em artes, filosofia e ciências), articulista da revista Scientific American, entre outras credenciais nada desprezíveis.
Mas é muito bom que a gente tenha contrapontos e me honra muito receber considerações, mesmo quando contrariam as minhas ideias. Só assim se pode “voltar atrás” ou aperfeiçoar as nossas concepções. O pior de tudo, acho eu, é aferrar-se a uma visão, sem a disposição de debate-las francamente, similar a um devoto de uma seita fundamentalista, que se ofende com qualquer tipo de questionamento.
**Para continuar o debate envolvendo a posição de alguns cientistas, a partir da conversa com o Daniel (em 24/01 – conforme a mensagem mais abaixo).
Aliás, falo propositalmente em “alguns cientistas” porque não se pode generalizar. Como tenho conversado com o Rafa, uma coisa é a Ciência e seu “estado da arte” contemporâneo, sua metodologia, sua permanente autofiscalização e mudanças na medida que surgem novas teorias e instrumentos de verificação; outra coisa é a posição de um cientista “a”, “b”, “c” etc. Podem haver opiniões diferentes, equívocos, simpatias, antipatias, afinal são seres humanos naturalmente falíveis e suscetíveis a humores. “Cada cabeça, uma sentença”, diz o ditado. Isso vale para qualquer indivíduo – cientista, pipoqueiro, jogador de futebol, padre etc.
Eu já li algumas coisas do Marcelo Glaser, alguém, um brasileiro que está na ponta mundial quando se fala em astrofísica. Não deve ser por nada que pesquisou para a NASA e Kavli Institute for Theoretical Physics, dando aulas em educandários como o Dartmouth College e a UFRJ. Mas, com certeza, erudição e credenciais acadêmicas não significam estar imune a equívocos. Entretanto, no caso do Glaser, para alguém que a vida toda tem estudado profundamente as questões da física, do espaço, da astronomia, da astrofísica, da própria exobiologia, acho que não dá para desconsiderá-lo em seu ponto de vista, mesmo que frontalmente contrário ao que possamos ter. Qual seria, mesmo, o seu “erro”?
Interessante que outro astrofísico de renome, Carl Sagan, seja visto com simpatia por muitos ufólogos. Sagan se posicionou frontalmente contra a ideia de discos voadores, ETs, abduções conforme os relatos “clássicos” que existem por aí. Para mim, TODA PESSOA INTERESSADA EM UFOLOGIA deveria ler – em especial os capítulos específicos em torno do tema – o livro de Sagan “O MUNDO ASSOMBRADO PELOS DEMÔNIOS: A Ciência Vista como uma Vela no Escuro”.
Eis uma resenha muito boa: http://www.comciencia.br/resenhas/carl.htm
O livro, como todas as obras de Sagan, é muito agradável e acessível, mesmo quando lida com aspectos mais abstratos ou técnicos. E o que ele afirma, em síntese, similarmente ao Shermer, é que não existe evidência concreta alguma sobre naves e seres extraterrestres; ele faz um esforço danado para mostrar o quanto é pernicioso considerar como “certo” o que é apenas “relato” ou “exercício hipotético”, construindo-se uma pseudociência ou endossando crendices travestidas de “algo profundo”; como alega Sagan, isso pode estar nos levando a um retrocesso, a uma volta a um tempo “de trevas”, de irracionalismos, de repressão ao desenvolvimento do pensamento, do conhecimento humano e do próprio desfrute da vida; quando penso no Projeto Portal, é exatamente isso que me parece estar ocorrendo: gente aderindo as mais esfarrapadas teses, sustentadas por armações para pegar incautos “loucos para acreditar”.
***O livro mais bonito do Sagan talvez seja Um Pálido Ponto Azul – até pela encadernação, fotos etc.
Mas “O Mundo Assombrado...”, como eu disse, acho que vale a pena o esforço – pelas argumentações do Sagan, este cara muito cultuado por ufólogos, mas que poucos o leram, a não ser algumas frases soltas e alguns capítulos da série Cosmos. Todo caso, talvez seja cientista mais importante para as pesquisas sobre vida extraterrestre. Uma pena que morreu cedo... Um baita mestre.
Há muitas coisas na vida que não há – nem é preciso – provar, já que são, por exemplo, sentimentos, como a compaixão. Mas quando estamos querendo fazer pesquisa ufológica (assim com se faz pesquisa biológica) não há como escapar da metodologia científica, das comprovações. Caso contrário, será outra coisa que estamos fazendo: culto a ETs, culto a discos voadores, culto a Asthar Sharan etc. É o que eu acho.
Pois é. Copérnico lutou contra o obscurantismo da igreja; lutou contra a crendice, o dogmatismo; teve que vencer a perseguição a quem pensava racionalmente. Estudiosos sérios sobre vida extraterrestre têm de lutar contra a crendice de ufólatras, que não abrem mão da ideia que discos voadores e ETs são reais, irrefutáveis... A Ufologia pode ser a nova igreja repressora do século XXI... Hehe!!
E crer é mais difícil, sim, concordo – em vários casos. Tem coisas “tipo” a concepção de uma virgem, tomada de forma literal, um dos cernes da crença cristã (os católicos chamam isso de “mistérios”, para não dizerem “lorotas”- hehe!!). É preciso muita coragem para defender tal “acontecimento” hoje em dia; de fato, é difícil apoiar disparates tão grandes; no caso, é mais fácil (e mais correto!) não acreditar.
Posto aqui cometários pessoais sobre acontecimentos e outras reflexões que ligo à ufologia - pela qual nutro várias simpatias. Com apreensão, observo cada vez mais o interesse e o estudo sobre vida e a inteligência fora da Terra e além da humanidade derivar, dentro dos meios chamados "ufológicos", para as mais tacanhas formas de crendice e superstição, reforçando o obscurantismo, a irracionalidade, o fundamentalismo religioso e a pseudociência.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
sexta-feira, 18 de janeiro de 2013
“Um objeto bizarro, que desafia a nossa imaginação.”
Mais uma vez, não se trata de um ufo/óvni ou algo do gênero.
O “objeto bizarro, que desafia a nossa imaginação” são os buracos negros
– esses fenômenos do nosso universo astrofísico. E o que está entre aspas foi
dito por um jovem pesquisador gaúcho, Rodrigo Nemmen da Silva, que está fazendo
seu pós-doutorado na Goddard Space Flight Center, Nasa, nos EUA. Ele é um dos
cabeças da equipe que está desvendando fenômenos envolvendo substâncias (sim,
substâncias) eliminadas pelos buracos negros. O trabalho foi publicado na
prestigiada revista Science.
Essas informações estão na reportagem que saiu no jornal
Zero Hora de 15/12/12. Mais abaixo, segue o link.
Nascido em Passo Fundo (aquela cidade que é mencionada no
filme “Sinais”, do diretor Shyamalan), Rodrigo diz o seguinte:
“Escolhi estudar os buracos negros, porque é algo fascinante
e são laboratórios incríveis para entender a natureza, e que mexe com o
imaginário popular. Mas, se eu paro pra pensar, vejo que é um objeto bizarro,
que desafia a nossa imaginação.”
Desafios à imaginação, para mim, seria uma das positividades
da ufologia. Desde que não sejamos absorvidos pelo “buraco negro” do obscurantismo,
ou seja, da crendice travestida de “ciência”, quando não completamente
contaminado por uma postura místico-religiosa estapafúrdia, de fragilíssimas
bases e consequências desastrosas, como diz com muita propriedade o ufólogo
português Nuno Silveira, em entrevista dada à Revista Ufo (edição 184 – ali
Nuno diz ao entrevistador, Paulo Poian, que, ao invés do lema “eu quero
acreditar”, o “lema” dos ufólogos, emprestado do filme “Arquivo X”, deveria ser
“eu quero saber”).
Talvez antes de nos “meter” a ufólogos, devêssemos estudar
bem mais. Quem sabe um pós-doutorado na Goddard Space Flight Center? Teríamos
competência para tal? Teríamos paciência e dedicação para chegarmos em tais
lonjuras pedregosas? Pois acho que todos nós que nos pretendemos pesquisadores
do assunto, sim, deveríamos estudar – diversas matérias acadêmicas – com muito
afinco antes de pontificar qualquer coisa. Não uma carteirinha de algum tipo de
“Centro Intergaláctico de Estudos Orion”, mas de estruturas sérias, que
precisam zelar por suas reputações institucionais.
A reportagem de Zero Hora:
Físico de Passo Fundo que estuda na Nasa faz descoberta
sobre os buracos negros
Artigo com os resultados da pesquisa foi publicado nesta
sexta-feira na revista Science
Comentários posteriores:
*É isso aí. Ficar na busca. Não desdenhar dos vários
caminhos para o saber, não esquecendo que o mentefato cultural (como chama o
professor Attico Chassot, aí de PoA) da ciência é uma das grandes chaves que
temos, que já deu muitas provas de seu poder (para o bem e para o mal).
**Mas me parece natural as coisas irem se complexificando e
que vá surgindo novas concepções, superando ou aumentando as possibilidades de “explicação”.
Como acredito que o nível da complexidade do universo é tal, com nossa
capacidade de compreensão é limitada em forma e quantidade, jamais saberemos o
que é o labirinto onde estamos metidos. Mas o legal é tentar; dar nó em pingo
d’água, construir mentefatos (teorias) e outras ferramentas que nos dê mais
lampejos sobre as coisas que nos rodeiam tão enigmaticamente. Claro que o
primeiro passo é ver as coisas como enigmas, e não cair nesta banalização
corriqueiras, onde a pessoa nem mais se espanta com as estrelas num céu
esplendoroso, que dirá com o sabor de um espresso bem tirado!
***É sempre um prazer receber tuas ponderações. Me honra
muito, embora os elogios a mim, do tipo “inteligência superior”, fique por
conta de tua grande generosidade!
Sobre siglas, gostei bastante também da denominação do
citado ufólogo Nunes Silveira, FANI, Fenômenos Aéreos Não Identificados, porque
mais abrangentes, não se referindo propriamente a “objetos”, ou seja, algum
tipo de “sólido” – até porque boa parte dos relatos se referem a luzes...
Um dos meus gostos pela ufologia foi justamente por um FANI
(não confundir com FANIquito! Hehe!!), compartilhado com vários amigos, durante
uma noite em um acampamento no interior de Venâncio Aires. Anos depois, fui
descobrir que o objeto muito provavelmente seria um balão meteorológico, pelo
tipo de “deslocamento” e colorações.
Sobre o “querer saber” ao invés do “querer acreditar” me
parece muito bem sacado e muito pertinente, mesmo. Acho que o “querer
acreditar” nos induz a “ver” – pela ansiedade, pela predisposição mental, pela
sede humana de epifanias, pela serie de imagens que podemos estar evocando em
nossas mentes influenciáveis (estereótipos da cultura de massa) e cheias de
limitações (pelos cinco sentidos e cognitivamente falando). O “querer saber”,
numa perspectiva mais científica clássica, impõe ao pesquisador/estudante a
autocrítica e constantes revisões – próprias e alheias, sem medo do
contraditório, da contestação, do questionamento duro, do abandono de teorias e
até paradigmas (aliás, no ano passado, a fundamental obra de Thomas Kuhn, A
Estrutura das Revoluções Científicas, completou 50 anos, introduzindo inúmeras
formas novas de “se fazer ciência”).
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
O Word Economic Forum – o todo-poderos Fórum de Davos, na Suíça – alerta para "X Factor": as implicações mundiais da descoberta de vida fora da Terra
Vocês devem ter visto. Achei sensacional. Porque apresentado num evento internacional que congrega os mais poderosos do mundo – pessoas, países, empresas, organismos. O Fórum Internacional de Davos (foto de um momento da edição no ano de 2008).
No jornal Zero Hora, aqui do RS, saiu na quinta-feira passada, 10/01/2013, em destaque na capa, com uma ilustração com discos voadores sobrevoando a montanhas de Davos, nos cinematográficos alpes suíços, a seguinte manchete:
Algo estranho em Davos
O normalmente sisudo encontro dos países ricos traz para a pauta a hipótese de vida extraterrestre
Internamente, na página 20, a reportagem começa assim:
Fórum Econômico Mundial chama atenção para vida extraterrestre
Estudo encomendado pelo encontro de Davos lista entre os fatores de risco não totalmente detectados a existência de vida fora da Terra
Um assunto geralmente confinado a grupos de curiosos e cercado de ceticismo ganhou vitrina de alta exposição e público de enorme influência: a vida extraterrestre. Um relatório divulgado na manhã desta quarta-feira pela organização do Fórum Econômico Mundial, que se realizada de 23 a 27 de janeiro em Davos, na Suíça, coloca em discussão o que chama de "Fatores X" — riscos que podem surpreender, até por passar ao largo das preocupações mais comuns. Muitos desses aspectos, conforme o texto do editor-chefe da revista científica Nature, Tim Appenzeller, colaborador do fórum na análise dos riscos globais de 2013, são consequências dos desafios científicos e tecnológicos.
[...]
Para quem duvida que uma organização tão séria esteja falando coisas de malucos, o próprio jornal indica o link para a matéria que está no site oficial do Fórum de Davos, o Word Economic Forum:
http://reports.weforum.org/global-risks-2013/section-five/x-factors/
A matéria de ZH está aqui:
http://zerohora.clicrbs.com.br/rs/economia/noticia/2013/01/forum-economico-mundial-chama-atencao-para-vida-extraterrestre-4005511.html
Seria um momento privilegiado para a ufologia tomar uma direção de seriedade e viabilidade científica, recuperando-se do mar de crendices, obscurantismos e pseudocientificidade que está a se debater desde muito, com honrosas e salvadoras exceções.
Infelizmente, exercitando o meu ceticismo, acho que os “bruxos da nova era” vão é aproveitar para anunciar que está comprovado que, sim, Jesus virá num disco voador e outras bobagens sempre recicladas, fazendo da ufologia um neoreligião pentecostal com laivos kardecistas e cristãos, misturado com um pouco de Isaac Asimov, George Lucas, Fritjof Capra, Osho, Gandalf e Saci Pererê...
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Seres inteligentes – abertura para aquilo que não é espelho (a majestade das sequoias e outras espécies veneráveis)
Pessoal,
Começando o ano e, no rescaldo de comentários que posto por aqui, tinha um perdido num canto; dei uma penteada nele e vai aqui para entupir vossas mentes, agora que já entrando no 3º ano da segunda década do século XXI.
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Seres inteligentes – abertura para aquilo que não é espelho (a majestade das sequoias e outras espécies veneráveis)
Humanos se vangloriam de suas capacidade mentais, às vezes sem se dar conta que nossas limitações de percepção e “processamento de informações” não vai muito longe. Fiquemos só com o exemplo de nossa visão, que não abarca o que chamamos de ultravioleta e infravermelho, frequências existentes, mas não processáveis por nosso aparato natural – olho/cérebro).
Mas mesmo que enredados em nosso próprio mundo mental e suas limitações biológicas, podemos contar com alguns aparatos que fornecem pistas de onde estamos metidos– uma complexidade tão grande que vai além de qualquer instrumento de sentido e poder de compreensão acessíveis a seres terráqueos como nós, moldados em bilhões de anos de desenvolvimento no processo de seleção natural, como genialmente concluiu Darwin e ampliou a biologia molecular e a genética.
Todo o caso, a inteligência – e a beleza – não precisam ficar tão centradas em nós mesmo, os macacos nus.
Não é a primeira vez que digo isso, mas árvores são seres fantásticos, de uma beleza e inteligência muito explícitas e por vezes desprezadas, tal o nosso antropocentrismo, reforçado por religiões e outras ideologias. Quem disse que não há inteligência em crescer-se seguindo a luz, a água e nutrientes do solo? Observe-se o movimento das folhas, dos galhos, das raízes... Observe-se a convivência com outras plantas e animais, a produção de frutos, sementes, brotos... Com nós, animais da espécie humana, as árvores usam de suas inteligências para sobreviver, crescer, procriar e, assim, “ser feliz”!
Talvez pelo porte, pela “majestade”, pelo contraste de tamanho em relação a outros seres vegetais e animais, as Sequoias sejam uma das mais impressionantes árvores hoje existentes. Quem, diante de um ser destes, de tal magnitude, não fica numa atitude reverencial – abismado, impactado por forma tão colossal e misteriosa?
Numa crônica no caderno Viagem do jornal Zero Hora, em 21 de agosto de 2012, o veterinário Everton Fauth, aqui de Santa Cruz do Sul, conta que visitou parques nos EUA com árvores extraordinárias, como Sequias de 84 metros de altura, oito metros de circunferência e 2,7 mil anos de vida. Há espécies de sequoias ainda mais altas – embora mais “finas” -, caso de uma com 115 metros (veja-se as ilustrações abaixo e acima).
Em termos de longevidade, Everton fala de uma espécie de pinheiro – Bristlecone Pine –, com 4.845 anos... um “ser vivo fantástico que á tinha 2,8 mil anos quando Jesus Cristo ainda pregava”... Ela está em um parque de Sierra Nevada, em local não divulgada, em prevenção a tentativa de imbecis de praticarem alguma “gracinha” destrutiva (sim, nossa espécie é também de uma incrível estupidez, um dos nossos diferenciais em relação a outros animais.)
Enquanto isso, caçamos ETs, Pés Grandes, anjos e gnomos – todos antropomórficos, humanoides, revelando aquela nossa típica necessidade de pensar a inteligência e o extraordinário em algo e em semelhança conosco, os macacos nus referidos.
*Macacos nus faz referência ao livro de Desmond Morris, zoólogo e etólogo inglês, autor do livro “O Macaco Nu”, tornado best-seller, publicado originalmente em 1967. Na resenha para uma edição brasileira de 2001, da Editora Record, é dito o seguinte:
“Ao tratar de temas como sexo, alimentação e relacionamento, Desmond Morris analisa o comportamento humano do ponto de vista animal e mostra como o homem faz questão de negar as características hereditárias de sua própria espécie. E o quanto isso é prejudicial para a compreensão de si mesmo.” (FONTE: http://books.google.com.br/books/about/O_macaco_nu.html?id=PGc_JnnlztwC&redir_esc=y)
**”não é espelho” no título, obviamente, quer se referir ao mito grego de Narciso; não tanto no sentido da vaidade (narcisismo), mas de auto-referência enquanto espécie, de se fazer de parâmetro ideal (ou idealizado) para tudo e todos, e que, me parece, leva ao antropocentrismo e à a antropolatria. Também obviamente, tal centralismo e apologia são, em certa medida, inevitáveis, porque constituintes de nossa linha primata, talvez, até, inicialmente, como um mecanismo de sobrevivência, hipertrofiando-se no convívio e criação de instituições, como igrejas – e salões de beleza, revistas de moda etc...
*** Vídeo de apresentação do Sequoia & Kings Canyon National Park, Califórnia, EUA, onde aparece espécies extraordinárias, entre ouras coisas bacanas:
http://www.youtube.com/watch?v=fAIXjPxbbeY&feature=player_embedded
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