Mais uma vez, não se trata de um ufo/óvni ou algo do gênero.
O “objeto bizarro, que desafia a nossa imaginação” são os buracos negros
– esses fenômenos do nosso universo astrofísico. E o que está entre aspas foi
dito por um jovem pesquisador gaúcho, Rodrigo Nemmen da Silva, que está fazendo
seu pós-doutorado na Goddard Space Flight Center, Nasa, nos EUA. Ele é um dos
cabeças da equipe que está desvendando fenômenos envolvendo substâncias (sim,
substâncias) eliminadas pelos buracos negros. O trabalho foi publicado na
prestigiada revista Science.
Essas informações estão na reportagem que saiu no jornal
Zero Hora de 15/12/12. Mais abaixo, segue o link.
Nascido em Passo Fundo (aquela cidade que é mencionada no
filme “Sinais”, do diretor Shyamalan), Rodrigo diz o seguinte:
“Escolhi estudar os buracos negros, porque é algo fascinante
e são laboratórios incríveis para entender a natureza, e que mexe com o
imaginário popular. Mas, se eu paro pra pensar, vejo que é um objeto bizarro,
que desafia a nossa imaginação.”
Desafios à imaginação, para mim, seria uma das positividades
da ufologia. Desde que não sejamos absorvidos pelo “buraco negro” do obscurantismo,
ou seja, da crendice travestida de “ciência”, quando não completamente
contaminado por uma postura místico-religiosa estapafúrdia, de fragilíssimas
bases e consequências desastrosas, como diz com muita propriedade o ufólogo
português Nuno Silveira, em entrevista dada à Revista Ufo (edição 184 – ali
Nuno diz ao entrevistador, Paulo Poian, que, ao invés do lema “eu quero
acreditar”, o “lema” dos ufólogos, emprestado do filme “Arquivo X”, deveria ser
“eu quero saber”).
Talvez antes de nos “meter” a ufólogos, devêssemos estudar
bem mais. Quem sabe um pós-doutorado na Goddard Space Flight Center? Teríamos
competência para tal? Teríamos paciência e dedicação para chegarmos em tais
lonjuras pedregosas? Pois acho que todos nós que nos pretendemos pesquisadores
do assunto, sim, deveríamos estudar – diversas matérias acadêmicas – com muito
afinco antes de pontificar qualquer coisa. Não uma carteirinha de algum tipo de
“Centro Intergaláctico de Estudos Orion”, mas de estruturas sérias, que
precisam zelar por suas reputações institucionais.
A reportagem de Zero Hora:
Físico de Passo Fundo que estuda na Nasa faz descoberta
sobre os buracos negros
Artigo com os resultados da pesquisa foi publicado nesta
sexta-feira na revista Science
Comentários posteriores:
*É isso aí. Ficar na busca. Não desdenhar dos vários
caminhos para o saber, não esquecendo que o mentefato cultural (como chama o
professor Attico Chassot, aí de PoA) da ciência é uma das grandes chaves que
temos, que já deu muitas provas de seu poder (para o bem e para o mal).
**Mas me parece natural as coisas irem se complexificando e
que vá surgindo novas concepções, superando ou aumentando as possibilidades de “explicação”.
Como acredito que o nível da complexidade do universo é tal, com nossa
capacidade de compreensão é limitada em forma e quantidade, jamais saberemos o
que é o labirinto onde estamos metidos. Mas o legal é tentar; dar nó em pingo
d’água, construir mentefatos (teorias) e outras ferramentas que nos dê mais
lampejos sobre as coisas que nos rodeiam tão enigmaticamente. Claro que o
primeiro passo é ver as coisas como enigmas, e não cair nesta banalização
corriqueiras, onde a pessoa nem mais se espanta com as estrelas num céu
esplendoroso, que dirá com o sabor de um espresso bem tirado!
***É sempre um prazer receber tuas ponderações. Me honra
muito, embora os elogios a mim, do tipo “inteligência superior”, fique por
conta de tua grande generosidade!
Sobre siglas, gostei bastante também da denominação do
citado ufólogo Nunes Silveira, FANI, Fenômenos Aéreos Não Identificados, porque
mais abrangentes, não se referindo propriamente a “objetos”, ou seja, algum
tipo de “sólido” – até porque boa parte dos relatos se referem a luzes...
Um dos meus gostos pela ufologia foi justamente por um FANI
(não confundir com FANIquito! Hehe!!), compartilhado com vários amigos, durante
uma noite em um acampamento no interior de Venâncio Aires. Anos depois, fui
descobrir que o objeto muito provavelmente seria um balão meteorológico, pelo
tipo de “deslocamento” e colorações.
Sobre o “querer saber” ao invés do “querer acreditar” me
parece muito bem sacado e muito pertinente, mesmo. Acho que o “querer
acreditar” nos induz a “ver” – pela ansiedade, pela predisposição mental, pela
sede humana de epifanias, pela serie de imagens que podemos estar evocando em
nossas mentes influenciáveis (estereótipos da cultura de massa) e cheias de
limitações (pelos cinco sentidos e cognitivamente falando). O “querer saber”,
numa perspectiva mais científica clássica, impõe ao pesquisador/estudante a
autocrítica e constantes revisões – próprias e alheias, sem medo do
contraditório, da contestação, do questionamento duro, do abandono de teorias e
até paradigmas (aliás, no ano passado, a fundamental obra de Thomas Kuhn, A
Estrutura das Revoluções Científicas, completou 50 anos, introduzindo inúmeras
formas novas de “se fazer ciência”).

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