sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

“Um objeto bizarro, que desafia a nossa imaginação.”




Mais uma vez, não se trata de um ufo/óvni ou algo do gênero. O “objeto bizarro, que  desafia a nossa imaginação” são os buracos negros – esses fenômenos do nosso universo astrofísico. E o que está entre aspas foi dito por um jovem pesquisador gaúcho, Rodrigo Nemmen da Silva, que está fazendo seu pós-doutorado na Goddard Space Flight Center, Nasa, nos EUA. Ele é um dos cabeças da equipe que está desvendando fenômenos envolvendo substâncias (sim, substâncias) eliminadas pelos buracos negros. O trabalho foi publicado na prestigiada revista Science.

Essas informações estão na reportagem que saiu no jornal Zero Hora de 15/12/12. Mais  abaixo, segue o link.

Nascido em Passo Fundo (aquela cidade que é mencionada no filme “Sinais”, do diretor Shyamalan), Rodrigo diz o seguinte:

“Escolhi estudar os buracos negros, porque é algo fascinante e são laboratórios incríveis para entender a natureza, e que mexe com o imaginário popular. Mas, se eu paro pra pensar, vejo que é um objeto bizarro, que  desafia a nossa imaginação.”

Desafios à imaginação, para mim, seria uma das positividades da ufologia. Desde que não sejamos absorvidos pelo “buraco negro” do obscurantismo, ou seja, da crendice travestida de “ciência”, quando não completamente contaminado por uma postura místico-religiosa estapafúrdia, de fragilíssimas bases e consequências desastrosas, como diz com muita propriedade o ufólogo português Nuno Silveira, em entrevista dada à Revista Ufo (edição 184 – ali Nuno diz ao entrevistador, Paulo Poian, que, ao invés do lema “eu quero acreditar”, o “lema” dos ufólogos, emprestado do filme “Arquivo X”, deveria ser “eu quero saber”).

Talvez antes de nos “meter” a ufólogos, devêssemos estudar bem mais. Quem sabe um pós-doutorado na Goddard Space Flight Center? Teríamos competência para tal? Teríamos paciência e dedicação para chegarmos em tais lonjuras pedregosas? Pois acho que todos nós que nos pretendemos pesquisadores do assunto, sim, deveríamos estudar – diversas matérias acadêmicas – com muito afinco antes de pontificar qualquer coisa. Não uma carteirinha de algum tipo de “Centro Intergaláctico de Estudos Orion”, mas de estruturas sérias, que precisam zelar por suas reputações institucionais.

A reportagem de Zero Hora:

Físico de Passo Fundo que estuda na Nasa faz descoberta sobre os buracos negros

Artigo com os resultados da pesquisa foi publicado nesta sexta-feira na revista Science



Comentários posteriores:

*É isso aí. Ficar na busca. Não desdenhar dos vários caminhos para o saber, não esquecendo que o mentefato cultural (como chama o professor Attico Chassot, aí de PoA) da ciência é uma das grandes chaves que temos, que já deu muitas provas de seu poder (para o bem e para o mal).

**Mas me parece natural as coisas irem se complexificando e que vá surgindo novas concepções, superando ou aumentando as possibilidades de “explicação”. Como acredito que o nível da complexidade do universo é tal, com nossa capacidade de compreensão é limitada em forma e quantidade, jamais saberemos o que é o labirinto onde estamos metidos. Mas o legal é tentar; dar nó em pingo d’água, construir mentefatos (teorias) e outras ferramentas que nos dê mais lampejos sobre as coisas que nos rodeiam tão enigmaticamente. Claro que o primeiro passo é ver as coisas como enigmas, e não cair nesta banalização corriqueiras, onde a pessoa nem mais se espanta com as estrelas num céu esplendoroso, que dirá com o sabor de um espresso bem tirado!

***É sempre um prazer receber tuas ponderações. Me honra muito, embora os elogios a mim, do tipo “inteligência superior”, fique por conta de tua grande generosidade!

Sobre siglas, gostei bastante também da denominação do citado ufólogo Nunes Silveira, FANI, Fenômenos Aéreos Não Identificados, porque mais abrangentes, não se referindo propriamente a “objetos”, ou seja, algum tipo de “sólido” – até porque boa parte dos relatos se referem a luzes...

Um dos meus gostos pela ufologia foi justamente por um FANI (não confundir com FANIquito! Hehe!!), compartilhado com vários amigos, durante uma noite em um acampamento no interior de Venâncio Aires. Anos depois, fui descobrir que o objeto muito provavelmente seria um balão meteorológico, pelo tipo de “deslocamento” e colorações.

Sobre o “querer saber” ao invés do “querer acreditar” me parece muito bem sacado e muito pertinente, mesmo. Acho que o “querer acreditar” nos induz a “ver” – pela ansiedade, pela predisposição mental, pela sede humana de epifanias, pela serie de imagens que podemos estar evocando em nossas mentes influenciáveis (estereótipos da cultura de massa) e cheias de limitações (pelos cinco sentidos e cognitivamente falando). O “querer saber”, numa perspectiva mais científica clássica, impõe ao pesquisador/estudante a autocrítica e constantes revisões – próprias e alheias, sem medo do contraditório, da contestação, do questionamento duro, do abandono de teorias e até paradigmas (aliás, no ano passado, a fundamental obra de Thomas Kuhn, A Estrutura das Revoluções Científicas, completou 50 anos, introduzindo inúmeras formas novas de “se fazer ciência”).

Também acho que uma ufologia acadêmica, com este prefixo “ufo”, não irá prosperar, pela carga de “fantasismos” já incorporados à expressão. Mas temos estas outras disciplinas, como a exobiologia, a astrobiologia, a própria astrofísica e assemelhadas, que podem dar conta pela metodologia científica contemporânea. Também incluiria, aí, disciplinas como a sociologia, antropologia cultural e psicologia focadas nas questões diretas e indiretamente ligadas aos relatos e experiências consideradas “ufológicas”. Para mim, o “fenômeno ufo” precisa uma abordagem interdisciplinar acadêmica. O que restar, não há como evitar, ficará no campo do “ufonismos” ou do paracientífico mais bizarro, que é, como disse, por onde a maioria dos ufólogos e ufologistas transitam com suas “vontade de acreditar” (pior que isso só a “vontade de enganar”, para obter poder ou/e dinheiro, mesmo que em pequena monta).

Nenhum comentário:

Postar um comentário