sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Seres inteligentes – abertura para aquilo que não é espelho (a majestade das sequoias e outras espécies veneráveis)


Pessoal,

Começando o ano e, no rescaldo de comentários que posto por aqui, tinha um perdido num canto; dei uma penteada nele e vai aqui para entupir vossas mentes, agora que já entrando no 3º ano da segunda década do século XXI.


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Seres inteligentes – abertura para aquilo que não é espelho (a majestade das sequoias e outras espécies veneráveis)

Humanos se vangloriam de suas capacidade mentais, às vezes sem se dar conta que nossas limitações de percepção e “processamento de informações” não vai muito longe. Fiquemos só com o exemplo de nossa visão, que não abarca o que chamamos de ultravioleta e infravermelho, frequências existentes, mas não processáveis por nosso aparato natural – olho/cérebro).

Mas mesmo que enredados em nosso próprio mundo mental e suas limitações biológicas, podemos contar com alguns aparatos que fornecem pistas de onde estamos metidos– uma complexidade tão grande que vai além de qualquer instrumento de sentido e poder de compreensão acessíveis a seres terráqueos como nós, moldados em bilhões de anos de desenvolvimento no processo de seleção natural, como genialmente concluiu Darwin e ampliou a biologia molecular e a genética.

Todo o caso, a inteligência – e a beleza – não precisam ficar tão centradas em nós mesmo, os macacos nus.

Não é a primeira vez que digo isso, mas árvores são seres fantásticos, de uma beleza e inteligência muito explícitas e por vezes desprezadas, tal o nosso antropocentrismo, reforçado por religiões e outras ideologias. Quem disse que não há inteligência em crescer-se seguindo a luz, a água e nutrientes do solo? Observe-se o movimento das folhas, dos galhos, das raízes... Observe-se a convivência com outras plantas e animais, a produção de frutos, sementes, brotos... Com nós, animais da espécie humana, as árvores usam de suas inteligências para sobreviver, crescer, procriar e, assim, “ser feliz”!

Talvez pelo porte, pela “majestade”, pelo contraste de tamanho em relação a outros seres vegetais e animais, as Sequoias sejam uma das mais impressionantes árvores hoje existentes. Quem, diante de um ser destes, de tal magnitude, não fica numa atitude reverencial – abismado, impactado por forma tão colossal e misteriosa?

Numa crônica no caderno Viagem do jornal Zero Hora, em 21 de agosto de 2012, o veterinário Everton Fauth, aqui de Santa Cruz do Sul, conta que visitou parques nos EUA com árvores extraordinárias, como Sequias de 84 metros de altura, oito metros de circunferência e 2,7 mil anos de vida. Há espécies de sequoias ainda mais altas – embora mais “finas” -, caso de uma com 115 metros (veja-se as ilustrações abaixo e acima).

Em termos de longevidade, Everton fala de uma espécie de pinheiro – Bristlecone Pine –, com 4.845 anos... um “ser vivo fantástico que á tinha 2,8 mil anos quando Jesus Cristo ainda pregava”... Ela está em um parque de Sierra Nevada, em local não divulgada, em prevenção a tentativa de imbecis de praticarem alguma “gracinha” destrutiva (sim, nossa espécie é também de uma incrível estupidez, um dos nossos diferenciais em relação a outros animais.)

Enquanto isso, caçamos ETs, Pés Grandes, anjos e gnomos – todos antropomórficos, humanoides, revelando aquela nossa típica necessidade de pensar a inteligência e o extraordinário em algo e em semelhança conosco, os macacos nus referidos.







*Macacos nus faz referência ao livro de Desmond Morris, zoólogo e etólogo inglês, autor do livro “O Macaco Nu”, tornado best-seller, publicado originalmente em 1967. Na resenha para uma edição brasileira de 2001, da Editora Record, é dito o seguinte:

“Ao tratar de temas como sexo, alimentação e relacionamento, Desmond Morris analisa o comportamento humano do ponto de vista animal e mostra como o homem faz questão de negar as características hereditárias de sua própria espécie. E o quanto isso é prejudicial para a compreensão de si mesmo.” (FONTE: http://books.google.com.br/books/about/O_macaco_nu.html?id=PGc_JnnlztwC&redir_esc=y)

**”não é espelho” no título, obviamente, quer se referir ao mito grego de Narciso; não tanto no sentido da vaidade (narcisismo), mas de auto-referência enquanto espécie, de se fazer de parâmetro ideal (ou idealizado) para tudo e todos, e que, me parece, leva ao antropocentrismo e à a antropolatria. Também obviamente, tal centralismo e apologia são, em certa medida, inevitáveis, porque constituintes de nossa linha primata, talvez, até, inicialmente, como um mecanismo de sobrevivência, hipertrofiando-se no convívio e criação de instituições, como igrejas – e salões de beleza, revistas de moda etc...

*** Vídeo de apresentação do Sequoia & Kings Canyon National Park, Califórnia, EUA, onde aparece espécies extraordinárias, entre ouras coisas bacanas:

http://www.youtube.com/watch?v=fAIXjPxbbeY&feature=player_embedded

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