sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Revelações de 225 milhões de anos atrás


Em vários jornais da semana passada (19/12/2012) saiu uma notícia sobre a descoberta, aqui (Santa Cruz do Sul) ao lado, no interior da cidade de Agudo, de fósseis bastante completos do período Triássico, uns 225 milhões de anos atrás. Um deles, de um “sauropodomorfo”, estaria com os ossos todos articulados, o que possibilitará um entendimento ainda mais preciso de como eram e como viviam esses primitivos animais – antepassados dos grandes dinossauros, que depois chegariam a pesar 12 toneladas e medir 30 metros.

Liderados por professores, técnicos e estudantes da Unipampa, os fosseis serão estudados por longa data e deverão produzir uma série de estudos, decifrando um pouco mais o longínquo passado da nossa região e do próprio planeta Terra e seu habitantes. Os materiais ficarão num centro de pesquisa em paleontologia no município de São João do Polêsine (ao lado de Agudo, próximo a Santa Maria, a uns 120km de Santa Cruz).

Não é fascinante isso? E não se trata de alguma “visão”, de algum “relato”. É algo ao mesmo tempo extraordinário e muito concreto, que “fala” sobre a trajetória do nosso planeta, da origem e desenvolvimento da vida.

Os detalhes são tão complexos e as elucubrações intelectuais são tão intensas e emocionantes que chega a ser uma tolice querer achar algo “além”, quando temos tantas possibilidades de ampliar a compreensão sobre o mundo onde estamos, caso dos estudos paleontológicos. Como tudo que quer chegar a respostas factíveis, a “ciência dos fósseis” exige uma dedicação séria, compenetrada, em permanente teste de suas hipóteses, aberta a novos dados que chegam – sem cair em apelos a fantasias, que remetem ao obscurantismo e ao travamento da inteligência.

Lastimável que a ufologia não raro produza esse embotamento, ao tornar-se (ou a manter-se) acientífica – muito mais uma forma de religiosidade ou refúgio existencial em uma ficção. Acredito que ganharíamos muito mais se estudássemos com mais afinco temas como a mencionada paleontologia – um do estudos científicos que vem nos tirando das trevas da ignorância e dogmatismo religioso.

Nas ilustrações (divulgação) acima e abaixo, pesquisadores da Unipampa trabalhando no local da descoberta dos fósseis, em Agudo.





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*Prezado camarada Rafael Amorim, pesquisador do fenômeno e, sem dúvida, referência gaúcha e brasileira no assunto:

Tu tens razão: não dá para generalizar, porque se sabe que há muita gente empenhada em NÃO fazer da ufologia uma “ufolatria”, como tu mesmo dizes, ou seja, uma espécie de “novo culto”, de uma “nova igreja”, com seus rituais, sacerdotes e até “santos”, do tipo Asthar Sharan (no Céu) e Urandir (na Terra). Ou, se não um culto, tem uns que fazem da ufologia um novo folclore, colaborando na consolidação no imaginário popular de novos “seres bizarros”, como o Chupa-Cabra e o ET de Varginha, ao lado da Mula Sem Cabeça, Saci Pererê, o Lobisomem e a Cuca... Ou misturam tudo isso e constroem um ogro de papelão sustentado por um discurso pseudocientífico que parece seduzir muita gente. A vontade é de rir, não fosse a engambelação flagrante, explorando até monetariamente, como costumam fazer tantas igrejas (supostamente) baseadas na coletânea de contos e admoestações chamado Bíblia – e também em outros vários “escritos sagrados”, interessantes como obras históricas, mas perversamente alçadas a “verdades eternas”...

Aliás, meu novo “guru”, o jornalista Christoher Hitchens, recentemente falecido (lamentavelmente, porque era um cara em plena e madura produção intelectual), disse o seguinte sobre nossa propensão a cair no engodo, no “171”:

“Não é esnobismo perceber a forma como as pessoas exibem ingenuidade e seu instinto de rebanho, e seu desejo ou talvez necessidade de serem enganadas. É um problema antigo. A credulidade pode ser uma forma de inocência, e até mesmo inócua em si, mas é um grande convite a que malvados e os espertos explorem seus irmãos e irmãs e, portanto, é uma das grandes vulnerabilidades humanas. Não é possível nenhum relato honesto do crescimento e da persistência da religião sem referências a esse fato inflexível." (p. 149-150, Hitchens, 2006)

Para encerrar, é preciso reconhecer que a ufologia, ao contrário da paleontologia, não possui sequer um objeto material ou outra prova incontestável da existência de naves e seres extraterrestres. Lidamos com hipóteses e relatos (mesmo que documentados, o que não altera a sua pouca ou inexistente materialidade). A paleontologia tem os fósseis (em anexo, duas fotos divulgando o referido achado paleontológico em Agudo, RS) e outras indicações materiais (marcas em paredes, solos, pedras etc.) que formatam a teoria e demonstram a veracidade da existência, por exemplo, de dinossauros – não como fantasias hollywoodianas do tipo “O Parque dos Dinossauros”, mas como seres que habitaram a Terra.

Sobre discos voadores e ETs, temos pouco mais que os filmes de ficção e a “vontade de acreditar”... Mas isso já é algo para impulsionar uma busca! O problema é NÃO fazer de tal busca uma caça infantil travestida de seriedade (o exemplo patente é o que se vê no “Projeto Portal”). Muito bom que tenhamos – como o Rafael cita – gente “pé no chão” e não delirantes e espertalhões a comandar todo cenário da ufologia brasileira e mundial.

Abraço!

Iuri


**Marcelo, Daniel e demais colegas,

Eu sempre acho as falas do Daniel excelentes, de uma ponderação lúcida, aberta e simpática – um camarada extraordinário, literal e sinceramente.

A comparação da ufologia e da bacteriologia é muito boa e me deu vontade de ver esta biografia do Pasteur. Mas, infelizmente, a ufologia, conforme está estabelecida, encabeçada por caras como o XXXXXX [nome omitido, para evitar complicações jurídicas], que se diz “pesquisador e ufólogo”, está cheia de “contaminações”. Acho que será preciso um longo processo para torná-la cientificamente e academicamente reconhecida, porque, pela minha observação, a grande parcela dos que se declaram ufólogos têm um perfil que não se ajusta a um cientista, e estão mais próximos de um estereótipo de guru ou apóstolo de uma congregação de místicos da “Nova Era”. Aposto mais em exobiologia ou astrobiologia e até na exossociologia como caminhos mais seguros e profícuos para a investigação de manifestação de vida e inteligência extraterrestres. A própria denominação “ufologia” está incorporada no imaginário popular como algo da ordem do “fantástico”, na mesma linha do “fenômeno” dos lobisomens...

O Daniel também tem razão sobre o “fundamentalismo científico”. Como também comentei com o Marcelo, a dimensão da fantasia, do fantásticos, do mítico, da imaginação, do próprio devaneio, da especulação aparentemente mais descabida são fundamentais para construirmos as explicações – sempre tentativas, mesmo as “científicas”, já que precisamos considerar todas as indicações de nossas naturais limitações enquanto mamíferos habitando este ecossistema terreno, tendo um cérebro moldado a quase perfeição (como as mãos!) para nossas primatas necessidades de sobrevivência, mas que, miraculosamente (oba!), abriu “fendas” para espiarmos uma imensidão “incomensurável”, como disse Thomas Kuhn, o cara do “A Estrutura das Revoluções Científicas”, que popularizou o hoje quase abusado termo “mudança de paradigma”.

Agradeço o carinho e a consideração dos amigos em seus comentários sobre os textículos (não confundir com testículos! Hehe!) que lhes envio de vez em quando!

Abraços!

Iuri

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