Posto aqui cometários pessoais sobre acontecimentos e outras reflexões que ligo à ufologia - pela qual nutro várias simpatias. Com apreensão, observo cada vez mais o interesse e o estudo sobre vida e a inteligência fora da Terra e além da humanidade derivar, dentro dos meios chamados "ufológicos", para as mais tacanhas formas de crendice e superstição, reforçando o obscurantismo, a irracionalidade, o fundamentalismo religioso e a pseudociência.
segunda-feira, 16 de julho de 2012
Bóson, Gleiser e os ufólogos
Olá,
Compartilho com todos o comentário que fiz para o Bala, ajeitando e acrescentando mais algumas informações. É sobre o artigo do Marcelo Gleiser sobre o Bóson de Higgs, publicado esses dias na Folha de São Paulo (em 08/07, “Encontrado o bóson de Higgs” – procurem na internet, por favor), onde o físico é articulista. Havia dito que o texto era “Muito bom. Sintético, claro. Dá para entender de forma muito rápida o que aconteceu, o que é o tal bóson e suas consequências”:
Sei que vários ufólogos e ufologistas têm ojeriza ao Gleiser, por suas contrariedades às teses como a da procedência extraterrestre dos agroglifos. Carl Sagan faz a mesmíssima coisa em seu (excelente!) livro “O mundo Assombrado pelos Demônios”, talvez até com mais veemência, denunciando barbaridades categorizadas como “ufologia”. Acho que Sagan jamais visitou um agroglifo... (Eu tenho aqui o artigo em que o Gleiser fala dos agroglifos, “Agroglifos: mensagens ou fraude?” – mas, mais uma vez, solicito que digitem num procurador na internet se quiserem lê-lo, para evitar problemas de copyrights com a Folha, OK?)
Tanto Sangan como Gleiser são professores e pesquisadores para lá de capacitados. Não dá para esquecer que Gleiser dá aulas de Física e Astronomia numa das mais antigas (fundada em 1789) e importantes universidade dos EUA, a Dartmouth College, instituição à frente, inclusive, da todo-poderosa Harvard. Ele fez seu doutorado no King's College London, sendo pesquisador da Nasa e do Institute for Theoretical Physics da Califórnia, entre vários outros. Ou seja, o cara não é “qualquer coisa”! Hehe!! Ao menos é uma “coisa” com doutorado e conhecedor da Nasa como poucos, agência esta que, como todos sabem, é referência quando se fala em tecnologia, astrobiologia, astrofísica etc.
Concordo que tem gente muito do preconceituosa em relação às hipóteses e teses da ufologia. Gosto de caras como o Erich von Däniken (para mim, o ufólogo prototípico em vários sentidos), que se colocam como um construtor de hipóteses, um provocador do pensamento, e não como alguém que tem uma prova cabal sobre ETs.
Danikem, no seu artigo “Onde fui mal interpretado por meus críticos”, publicado no livro “Vieram os deuses de outras galáxias” (editora Melhoramentos, 1972), coletânea de artigos de 16 cientistas, compiladas pelo jornalista alemão Ernst von Khuon, diz o seguinte:
“A questão primária levantada em minhas obras [caso de “Eram os deuses astronautas?”] não é a de quem tem razão, pois jamais tive a menor dúvida de que, segundo o critério científico, eu ainda não podia estar com a razão, em base do material apresentado. Minha pergunta foi formulada da seguinte maneira: Poderia ter sido assim.”
Como já opinei outras vezes, aí está a principal colaboração da ufologia: trazer elementos apoiando a hipótese de seres extraterrestres inteligentes contatando com a Terra e os terráqueos. Infelizmente, quando as hipóteses são substituídas por “certezas”, sem que se tenha elemento (mínimo que sejam) de comprovação genuinamente científica, os ufólogos acabam entrando (e tem todo o direito de fazerem isso) na seara dos beatos, crentes, pastores e profetas, (porém) abrindo mão de, ao menos, estarem desenvolvendo uma paraciência respeitável e útil para avançar o conhecimento humano, não se somando ao obscurantismo contra o qual caras como Carl Sagan tanto se debateram.
Abraços!
Iuri
PS: Acho que às vezes, para alguns ufologistas, Glaiser (e outros) é como aquele estraga-prazer, que vem para a criança e diz em tom zombeteiro e amargo que Papai Noel não existe... Já Sagan foi um cara tão simpático, inteligente e comunicativo que nem os ufologistas mais “crentões” o afrontam; pelo contrário, há quem queira fazê-lo um ufólogo, atestando que, ou não leram a sua obra, ou agem de má fé, tentando capitalizar-se com o vínculo com um cientista que denunciou as fragilidades e enganações que se fazem, abusando da “vontade de acreditar” de muita gente.
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