quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Na mítica Roswell, uma experiência dos limites humanos...


Mesmo que o assunto da semana seja Sandy, A Tempestade, segue um comentário sobre um outro acontecimento nos EUA:

Vocês devem ter acompanhado isso. Eu li rapidamente o que saiu na imprensa no dia 15 de outubro passado, após o salto do rapaz. Pois achei fantástico– quase uma missão espacial!

O cara atingiu 38,6 mil metros e quebrou a velocidade do som, provando possibilidades humanas, suportando condições extremas de velocidade e altitude.

Só há pouco vi o vídeo e fiquei tenso e emocionado com mais esta “loucura”, buscando superar limites – com, claro, amplos cuidados e testes, como aconteceu nas missões Apollo, chegando-se à superfície lunar a partir de 1969 – embora alguns acreditam que isso não ocorreu, mesmo com todas as evidência, considerando que há, entre esses céticos em relação a alunissagem humana, os que, ao mesmo tempo, acreditam piamente em lobisomens e na concepção imaculada.

Aliás, o paraquedista estratosférico, Felix Baumgharter, bateu uma façanha, o recorde de altitude, estabelecido - assim com a chegada de humanos na Lua pelas missões Apollo - nos anos de 1960 (na verdade, exatamente em 1960), justamente por um dos comandantes da atual operação de paraquedismo no Novo México. O homem se chama Joe Kittinger, aposentado da força aérea Americana. Aí, mais uma evidência de que repetir ou superar feitos tecnológicos dependem de vários fatores, como foi e é o caso da chegada a superfície lunar.

Obvio que o merchandising é grosso (a missão se chamou "Red Bull Stratos"). Mas como viabilizar uma coisa dessas? Aliás, nas missões espaciais, muito da viabilidade financeira vinha também de “verbas de propaganda” das “potências” tecnológicas, EUA e União Soviética, buscando hegemonia político-ideológica mundial.

Ainda na borda da cápsula, mas já na “porta”, antes do “pulo”, olhando daquela altura absurda, o paraquedista disse:

"Às vezes é preciso estar bem acima para perceber o quão pequeno você é."

Uma constatação bem humorada e uma sabedoria que pode ser dita com uma convicção total somente pelos que visitam abismos...

Para quem por acaso ainda não viu, segue o links para a reportagem onde está o vídeo que mencionei. E, a seguir, um utro link de um vídeo editado, sintetizando todo o processo do salto.

http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia/2012-10-14/felix-baumgartner-faz-hoje-salto-da-estratosfera.html

http://tvig.ig.com.br/esporte/outros-esportes/novo-video-mostra-melhores-momentos-de-salto-da-estratosfera-8a49802639368a22013a69d9724430ea.html

***O nosso saudoso Carl Sagan já dizia que aquela foto (acima) tirada em uma das missões Apollo (a numerada de 8), onde aparece a Terra por inteira, em toda a sua beleza e solidão azul e branca, foi quando se inaugurou a era da “Cidadania Cósmica”; foi quando ninguém mais poderia ter dúvidas sobre o fato de vivermos todos numa mesma “Nave Mãe” em meio a um sem-fim e miraculoso universo; todas as fronteiras entre países e até entre espécies se anulava pela imeditada visualização da situação de estarmos TODOS embarcados em Gaya, em Pachamama...

****Aproveito par indicar a leitura de "História da conquista da Lua em imagens" (em três partes) publicado no blog

http://www.tecnoclasta.com/2009/07/24/historia-do-conquista-da-lua-em-imagens-parte-1/

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

“A presença humana no Sistema Solar nunca foi tão ampla”

Algo muito interessante li na coluna Ciência em Pauta da Scientific American Brasil de agosto deste ano (2012), com uma reportagem especial sobre sonda-jipe-robô Curiosity, naquela altura ainda não tendo chegado a superfície de Marte.

Os editores da revista anotam o seguinte na página 17:

Com a chegada [na órbita de Mercúrio em 2011 da sonda] Messenger, a Nasa e agências internacionais similares têm agora espaçonaves estacionadas em Mercúrio, Vênus, Marte e Saturno – sem mencionar a Terra e a Lua. Duas outras naves da Nasa estão a caminho de Júpiter e Plutão; outra deve deve atingir o planeta-anão, Ceres, em 2015. A presença humana no Sistema Solar nunca foi tão ampla.

E poderá ser ainda mais, com robôs espionando luas estranhas, que podem abrigar vida, ou mal compreendidos planetas externos.

É fantástica essa situação que vivemos. Estamos, enquanto humanidade, investigado muito de perto uma quantidade de áreas e objetos espaciais incríveis, produzindo uma quantidade de dados que possibilitam ampliar e qualificar nossos conhecimentos sobre o Universo.

Para os ufólogos e ufologistas, isso pode, absurdamente, ser algo desestimulante. Por quê? Porque embora tantos “olhos no espaço”, embora tantos canais de registro e divulgação de informações, ainda não tivemos UMA SEQUER PROVA de naves ou outro elemento indicando a presença de “alienígenas”. Enquanto ufólogos e ufologistas, continuamos nos “alimentando” de suposições e teorias conspiratórias (tipo “A Nasa esconde informações, porque o caos se instalaria” e outras pérolas que infantilmente divertem muita gente).

Das suposições eu gosto, enquanto hipóteses, enquanto possibilidades; teorias conspiratórias, cada vez mais me dão uma sensação de esvaziamento intelectual e escorregadela para um misticismo retrógrado, que pretende trocar a nossa tremenda angústia e ignorância – mesmo que consideramos todo o corpo de pesquisa e conhecimentos científicos disponíveis nesta segunda década do século XXI – por uma “esperança no além”, seja elas anunciadas por uma Virgem Maria os Asthar Sharan. Talvez isso esteja, como produto da evolução da espécie, registrado em nossa genética – a “vontade” ou “predisposição de acreditar”, para não nos “travar” pelo medo, pelos abismos da existência, auxiliando-nos na sobrevivência em um meio hostil desde os tempos da savana e das cavernas...

No planeta água, comer carne é abusar de um recurso cada vez mais escasso

Numa sessão da revista National Geographic Brasil de setembro (2012) é apresentado uma tabela com o consumo de água na produção de alimentos. Os dados se referem ao consumo do líquido por unidade de valor nutritivo (litro/kcal). E estarrecem: por exemplo, para produzir cereais (trigo, milho, centeio, arroz etc.) se gasta MENOS 10 VEZES água do que para produzir carne bovina. O índice é de 0,5 litro/kcal para 10,3 litro/kcal. Até na produção de carne de porco (2,2) e frango (3) se gasta menos água.  Legumes e outros vegetais não ultrapassam o índice de 1,3 litro/kcal.

Assim é que quem se preocupa realmente com a sustentabilidade do planeta, afora considerações de ordem esotéricas (“espirituais”) ou éticas (a sessação da vida e a dor impingida a seres tão biologicamente próximos ao animal humano) sobre a matança de animais, há um motivo ambientalista evidenciado na absurda “necessidade” da água para que o camarada tenha o seu churrasco dominical.

Também não se está considerando os “custos” ambientais do desmatamento para a expansão das pastagens (como acontece na região amazônica e do pantanal brasileiros) e na produção da carne bovina nos matadouros e frigoríficos. Provavelmente, aí os números seriam ainda mais díspares e preocupantes. Tudo indica que o consumo do “prosaico churrasquinho” ou do “bifinho da mamãe” implica num impacto ambiental medonho. E há, sim, formas alternativas de uma alimentação saudável sem necessidade de tamanha matança e prejuízo ecológico.

Queremos salvar a Terra? Nos importamos com o futuro de nossos semelhantes? Mesmo? Então que tal diminuir o consumo de carne desses nossos irmãos, mamíferos com tantas semelhanças conosco?

***Nos últimos anos, tenho dito que sigo uma orientação vegetariana, e não que eu seja vegetariano restrito.

A razão principal do meu vegetarianismo é que quero evitar ao máximo causar sofrimento desnecessários a outros animais, concebendo que há uma hierarquia, estando os mamíferos no ponto mais alto da consciência e sensibilidade a dores físicas e emocionais. Considero também que há aspectos mais sutis, como a existência do corpo astral (ou algo que se assemelhe), que podem nos trazer prejuízos quando ingerimos a carne.

Mas acho que o humano é biologicamente um animal omnívoro. Ou seja, podemos comer carne. Por nosso livre arbítrio (mesmo que cheio de limitações), podemos nos abster de comê-la em situações de boa oferta de fontes proteicas e outros elementos nutricionais vegetais. Mas sempre me vem à cabeça as populações que vivem em ambientes extremos, como os esquimós daquele livro “No País das Sombras Longas”, onde a carne é completamente indispensável à vida. Obvio que, aí, o sacrifício é feito numa situação de extremo respeito àquele ser (respeito, reverência, agradecimento), e tudo – músculo, ossos, vísceras, couro (e até o conteúdo do estômago e intestino) – é aproveitado para a sobrevivência, sem haver mortes além do estritamente necessário.