segunda-feira, 29 de outubro de 2012

No planeta água, comer carne é abusar de um recurso cada vez mais escasso

Numa sessão da revista National Geographic Brasil de setembro (2012) é apresentado uma tabela com o consumo de água na produção de alimentos. Os dados se referem ao consumo do líquido por unidade de valor nutritivo (litro/kcal). E estarrecem: por exemplo, para produzir cereais (trigo, milho, centeio, arroz etc.) se gasta MENOS 10 VEZES água do que para produzir carne bovina. O índice é de 0,5 litro/kcal para 10,3 litro/kcal. Até na produção de carne de porco (2,2) e frango (3) se gasta menos água.  Legumes e outros vegetais não ultrapassam o índice de 1,3 litro/kcal.

Assim é que quem se preocupa realmente com a sustentabilidade do planeta, afora considerações de ordem esotéricas (“espirituais”) ou éticas (a sessação da vida e a dor impingida a seres tão biologicamente próximos ao animal humano) sobre a matança de animais, há um motivo ambientalista evidenciado na absurda “necessidade” da água para que o camarada tenha o seu churrasco dominical.

Também não se está considerando os “custos” ambientais do desmatamento para a expansão das pastagens (como acontece na região amazônica e do pantanal brasileiros) e na produção da carne bovina nos matadouros e frigoríficos. Provavelmente, aí os números seriam ainda mais díspares e preocupantes. Tudo indica que o consumo do “prosaico churrasquinho” ou do “bifinho da mamãe” implica num impacto ambiental medonho. E há, sim, formas alternativas de uma alimentação saudável sem necessidade de tamanha matança e prejuízo ecológico.

Queremos salvar a Terra? Nos importamos com o futuro de nossos semelhantes? Mesmo? Então que tal diminuir o consumo de carne desses nossos irmãos, mamíferos com tantas semelhanças conosco?

***Nos últimos anos, tenho dito que sigo uma orientação vegetariana, e não que eu seja vegetariano restrito.

A razão principal do meu vegetarianismo é que quero evitar ao máximo causar sofrimento desnecessários a outros animais, concebendo que há uma hierarquia, estando os mamíferos no ponto mais alto da consciência e sensibilidade a dores físicas e emocionais. Considero também que há aspectos mais sutis, como a existência do corpo astral (ou algo que se assemelhe), que podem nos trazer prejuízos quando ingerimos a carne.

Mas acho que o humano é biologicamente um animal omnívoro. Ou seja, podemos comer carne. Por nosso livre arbítrio (mesmo que cheio de limitações), podemos nos abster de comê-la em situações de boa oferta de fontes proteicas e outros elementos nutricionais vegetais. Mas sempre me vem à cabeça as populações que vivem em ambientes extremos, como os esquimós daquele livro “No País das Sombras Longas”, onde a carne é completamente indispensável à vida. Obvio que, aí, o sacrifício é feito numa situação de extremo respeito àquele ser (respeito, reverência, agradecimento), e tudo – músculo, ossos, vísceras, couro (e até o conteúdo do estômago e intestino) – é aproveitado para a sobrevivência, sem haver mortes além do estritamente necessário.

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