Algo muito interessante li na coluna Ciência em Pauta da Scientific American Brasil de agosto deste ano (2012), com uma reportagem especial sobre sonda-jipe-robô Curiosity, naquela altura ainda não tendo chegado a superfície de Marte.
Os editores da revista anotam o seguinte na página 17:
Com a chegada [na órbita de Mercúrio em 2011 da sonda] Messenger, a Nasa e agências internacionais similares têm agora espaçonaves estacionadas em Mercúrio, Vênus, Marte e Saturno – sem mencionar a Terra e a Lua. Duas outras naves da Nasa estão a caminho de Júpiter e Plutão; outra deve deve atingir o planeta-anão, Ceres, em 2015. A presença humana no Sistema Solar nunca foi tão ampla.
E poderá ser ainda mais, com robôs espionando luas estranhas, que podem abrigar vida, ou mal compreendidos planetas externos.
É fantástica essa situação que vivemos. Estamos, enquanto humanidade, investigado muito de perto uma quantidade de áreas e objetos espaciais incríveis, produzindo uma quantidade de dados que possibilitam ampliar e qualificar nossos conhecimentos sobre o Universo.
Para os ufólogos e ufologistas, isso pode, absurdamente, ser algo desestimulante. Por quê? Porque embora tantos “olhos no espaço”, embora tantos canais de registro e divulgação de informações, ainda não tivemos UMA SEQUER PROVA de naves ou outro elemento indicando a presença de “alienígenas”. Enquanto ufólogos e ufologistas, continuamos nos “alimentando” de suposições e teorias conspiratórias (tipo “A Nasa esconde informações, porque o caos se instalaria” e outras pérolas que infantilmente divertem muita gente).
Das suposições eu gosto, enquanto hipóteses, enquanto possibilidades; teorias conspiratórias, cada vez mais me dão uma sensação de esvaziamento intelectual e escorregadela para um misticismo retrógrado, que pretende trocar a nossa tremenda angústia e ignorância – mesmo que consideramos todo o corpo de pesquisa e conhecimentos científicos disponíveis nesta segunda década do século XXI – por uma “esperança no além”, seja elas anunciadas por uma Virgem Maria os Asthar Sharan. Talvez isso esteja, como produto da evolução da espécie, registrado em nossa genética – a “vontade” ou “predisposição de acreditar”, para não nos “travar” pelo medo, pelos abismos da existência, auxiliando-nos na sobrevivência em um meio hostil desde os tempos da savana e das cavernas...
Posto aqui cometários pessoais sobre acontecimentos e outras reflexões que ligo à ufologia - pela qual nutro várias simpatias. Com apreensão, observo cada vez mais o interesse e o estudo sobre vida e a inteligência fora da Terra e além da humanidade derivar, dentro dos meios chamados "ufológicos", para as mais tacanhas formas de crendice e superstição, reforçando o obscurantismo, a irracionalidade, o fundamentalismo religioso e a pseudociência.
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