terça-feira, 5 de julho de 2011

Mais intrigante que ufos...

Pessoal,

A National Geographic de fevereiro passado publicou uma reportagem sobre... as penas das aves. “A evolução da pena, a mais elegante invenção da natureza” é o título.

Impressionante observar a complexidade das penas, suas funções e as hipóteses de seu surgimento e evolução ao longo de bilhões de anos.

As asas de aviões seguem “truques” desse desenvolvimento da pele das aves. As penas são de tal engenhosidade, que nos faz concluir o quão potente é a inteligência que as moldou – afora o mistério do próprio surgimento e desenvolvimento da vida, dos animais, entre eles esse mamífero bípede que consegue registrar seus pensamentos por sinais gráficos numa tela luminosa.

Ouso dizer que uma ave em vôo é algo mais intrigante e fantástico do que qualquer UFO até hoje registrado nos céus do planeta. Sem se deter em entender com mais profundidade o que está à frente de nossa cara, por vezes buscamos o miraculoso e o revelador de maravilhas em supostas luzes estranhas no céu. (Aliás, desdenhamos do profundo poder revelador da ciência contemporânea – como o usado para compreender o vôo das aves – e nos refugiamos em teorias que exigem apenas a credulidade; Carl Sagan, sem deixar de se dedicar a pesquisa sobre seres extraterrestres, denunciou a vida o abandono da metodologia científica, da história e informação científicas atualizadas e de fôlego, por uma coletânea de clichês pseudocientíficos e mistificações baratas, caminho perigoso rumo a indigência mental da massa humana e o domínio do indivíduo por corporações obscurantistas e déspotas carismáticos.)

Abaixo, vou reproduzir os parágrafos iniciais da reportagem, ressaltando em negrito o que achei mais interessante. Recomendo a quem se interessar que leia a reportagem completa no site da revista (ou, melhor ainda, na própria revista, onde há fotos, gráficos e ilustrações bacaníssimas).

Abraços do

Iuri.

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National Geographic

Edição – 131

Fevereiro 2011

A evolução da pena, a mais elegante invenção da natureza

Raros dentre nós têm a oportunidade de ver as grandes maravilhas da natureza. Nunca podemos dar uma espiada no olho de uma lula-colossal, tão grande quanto uma bola de basquete. O mais próximo a que chegamos de uma presa de narval, parecida com a de um unicórnio, é por meio de fotos. Mas há uma maravilha natural acessível a todos, e para presenciá-la basta olhar para o céu.

As aves são de tal modo comuns, até mesmo nos locais mais urbanizados do planeta, que é fácil ficar indiferente. No entanto, elas preservam muito do legado dos dinossauros e são dotadas de uma engenhosa plumagem que lhes permite voar. Para suportar a força das correntes de ar, uma pena de voo tem formato assimétrico, com a borda de ataque fina e rígida e a borda de fuga longa e flexível. A fim de gerar a força de sustentação, a ave só precisa inclinar as asas, ajustando o fluxo de ar tanto embaixo quanto acima delas.

As asas dos aviões aproveitam alguns desses mesmos truques aerodinâmicos. Contudo, uma asa de ave é bem mais complexa do que qualquer coisa feita de placas metálicas e rebites. A partir da raque, o eixo central da asa, projeta-se uma série de barbas mais esguias, cada qual dando origem a bárbulas (filamentos) ainda menores, como ramos de um galho, todas dotadas de minúsculos ganchos. Eles se agarram aos ganchinhos das bárbulas adjacentes, criando uma trama leve e resistente. Quando um pássaro usa o bico para limpar as penas, as barbas se separam com facilidade e logo depois se recompõem.

A origem desse mecanismo admirável é um dos enigmas mais persistentes da evolução. Em 1861, dois anos depois de Darwin ter publicado A Origem das Espécies, os trabalhadores de uma pedreira na Alemanha toparam com fósseis espetaculares de uma ave do tamanho de um corvo, batizada de Archaeopteryx, que viveu há cerca de 150 milhões de anos. Ela tinha penas e outras características de aves vivas mas também resquícios de um passado reptiliano, tais como dentes na boca, garras nas asas e uma cauda óssea comprida. Como os fósseis de baleias com pernas, o Archaeopteryx parecia ser um instantâneo de uma metamorfose evolutiva crucial. "Para mim, é algo notável", confidenciou Darwin a um amigo. (...)

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