Posto aqui cometários pessoais sobre acontecimentos e outras reflexões que ligo à ufologia - pela qual nutro várias simpatias. Com apreensão, observo cada vez mais o interesse e o estudo sobre vida e a inteligência fora da Terra e além da humanidade derivar, dentro dos meios chamados "ufológicos", para as mais tacanhas formas de crendice e superstição, reforçando o obscurantismo, a irracionalidade, o fundamentalismo religioso e a pseudociência.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
Realidade X Ficção
Na revista Galileu, saiu uma coluna do jornalista Carlos Orsi, onde ele faz uma abordagem que muitos de nós, interessados no tema (alguns “mais que interessados”), não vão gostar, prevejo (sem necessidade de clarividência alguma).
Segue o link:
http://revistagalileu.globo.com/blogs/olhar-cetico/noticia/2013/12/ovnis-existem-e-dai1.html
Destaco a seguinte passagem:
“A ideia de que a evolução da vida leva inevitavelmente à inteligência, de que a inteligência leva à tecnologia e a tecnologia, ao espaço, não passa de um preconceito antropocêntrico – na verdade, ocidental – a que fomos habituados pela ficção científica.”
Vale dar uma olhada – só pela ilustração da coluna: um cartaz do filme “Earth vs The Flying-saucers” (acima, numa outra reprodução, obtida na Wikipédia). Ali, estampada a visão que se popularizou sobre discos voadores e extraterrestres – humanoides vindos em naves metálicas circulares atacando os terráqueos...
----------
*Pois é, rapaz... Entretanto, o que temos a dizer, a não ser reproduzir relatos, narrações nossas ou de outros sobre “aparições”, contatos, avistamentos? Não temos elementos concretos ou alguma teoria muito bem concatenada, abalizada, que não dependam do “acreditar”... Podemos especular, óbvio, à vontade, mas não provar... Assim, qual seria a outra maneira de abordar o assunto por parte de jornalistas que cobrem ciência e tecnologia, caso da revista Galileu?
Eu sempre menciono: é imprescindível a todo ufólogo que não quer ficar preso a meras especulações ou, pior, a fantasias, ler “O Mundo Assombrado pelos Demônios”, do Carl Sagan. Vejo a ufologia como um caminho – um caminho para a pessoa se tornar (ou ser um estudioso autônomo, autodidata) um cosmólogo, astrofísico, astrônomo, exobiólogo, biólogo de extremófilos, coisas assim.
Falando sério: nós todos (ao menos os mais jovens) deveríamos entrar nas universidades e grupos de pesquisa acadêmicos e trabalhar o assunto intensamente, a partir de nossa paixão pelo assunto “ufologia”. E assim, se for o caso, “forçar” uma outra abordagem por parte dos jornalistas. Sem um certo nível de ceticismo, caímos no culto (oculto? Ocultismo?), e não na pesquisa reconhecidamente válida.
E assim como há jornalistas “céticos”, há as matérias “crentonas” e outras totalmente “sensacionalistas”, como várias que saem na revista Ufo (mas sempre há coisas boas, uma delas, só para exemplificar, justamente sobre “Extraterrestres na ficção científica”, do Renato Azevedo, numa edição de 2011, dezembro – na mesma que há uma entrevista muito lúcida com o português Nuno Silveira, que já recomendei à leitura; entretanto, na mesma entrevista, é mencionado um outro “ufólogo”, que também é “tarólogo” e “membro da Ordem dos Cavaleiros Templários”... Aí fica difícil uma credibilidade pautada na ciência – e eu falo em ciência de uma forma amplíssima, ou seja, incorporando coisas como a teoria das cordas, teoria do caos, antropologia evolutiva, neurociência, sociologia da religião etc. Não aquela coisa muitas vezes chatézima e limitada que nos fizeram engolir na escola...
Abraços e continuemos o debate!!
** Certo. Muito obrigado pela tua atenção. Sempre agrega.
Eu também já compartilhei avistamentos incríveis. Obviamente, continuam ser OVNIs, já que jamais tive alguma indicação de que fosse uma nave extraterrestre ou algo que o valha. Embora a gente possa ficar meio “de cara” com jornalistas e cientistas (sem nos darmos conta de quanta asneira é dita por “ufólogos”, tipo o “ET Bilu é de verdade” e “Jesus descerá de um disco em outubro de 2009”, detonando qualquer possibilidade de “crédito”), “acreditar” que possa ser um veículo comandados por extraterrestres é uma coisa, ter “certeza” disto é outra (eu chamo isso de “fé”, muito semelhante a das pessoas que creem em santos, Virgem Maria etc.).
O jornalista da Galileu diz assim lá no texto dele:
“Quando o único ponto de partida é a ignorância – o objeto em questão é ‘não-identificado’, lembre-se – hipóteses podem ser multiplicadas ao infinito, sem nada que permita escolher uma no lugar da outra.”
É duro para nós da turma do “Eu quero acreditar” – subtítulo do último filme de cinema da série “Arquivo X” – termos tantas contrariedades para chegarmos ao “Eu tenho certeza absoluta”. Esse “limbo” pode ser angustiante, frustrante. Mas eu acho que é incontornável por enquanto.
Me considero cético, mas numa medida que julgo “no ponto” para, ao mesmo tempo, não engolir coisas do tipo “Sim, Ele nasceu de uma virgem”, mas não descartar a hipótese da existência concreta de um profeta chamado Jesus de Nazaré, que desencadeou um amplo movimento social, cultural e religioso há cerca de 2000 anos.
Todo o caso, a “verdade” de Bacon ou de qualquer um é um assunto de discussão infindável. Minha postura é a de que nosso aparato percepto-cognitivo, enquanto primatas dentro de um processo evolutivo planetário e cósmico, é muitíssimo limitado para entender a complexidade “das coisas”. Apenas uma fresta mínima – mas já suficiente para nos estarrecer e maravilhar – nos deixa espiar a amplidão da existência onde estamos metidos. Assim, a verdade é algo sempre provisório e contextual., além de extremamente falho. E cientista que se preze, um verdadeiro cientista, sabe muito bem disso – ao contrários dos “homens de fé”, que têm certeza das coisas e por isso fundam igrejas e partem convictos para a pregação peremptória...
Abraço!
Assinar:
Postar comentários (Atom)

Nenhum comentário:
Postar um comentário