quinta-feira, 1 de março de 2012

E os ufólogos podem ter razão - e desempenharem um papel importante como paracientistas


No site Ciência Hoje On-line saiu um artigo sobre os paracientistas (Os paracientistas, publicada em 23/02/2012 ), que seriam pessoas muito habilidososa, não formadas academicamente em alguma ciência, mas que prestam grande auxílio para o desenvolvimento do conhecimento científico. Um exemplo seria os jogadores eletrônicos, os “gamers”, que, por sua “fissura” e destreza, podem, aproveitando tal “talento”, localizar, por exemplo, padrões muito importantes em estudo de diversas áreas, caso da biologia molecular, auxiliando até mesmo na busca de tratamentos mais eficientes ao câncer.

Mas o que mais me chamou a atenção no texto sobre os paracientistas – de autoria de Franklin Rumjanek – foi o seguinte trecho:

“A associação entre segurança nacional e ciência também pode parecer insólita, mas houve um caso em que, mesmo sem intenção, militares norte-americanos fizeram descobertas importantes em astronomia, embora estas tenham permanecido ocultas por décadas.

“Em 1967, operadores de um radar de vigilância no Alasca, instalado para detectar ogivas nucleares inimigas, localizaram estrelas que emitem sinais de radiopulsantes (chamadas de pulsares), bem antes de estudos realizados por civis. Esses registros, segundo artigo publicado na revista científica Nature (v. 477, p. 388), ficaram sob sigilo até 2007. Não surpreenderia que, sob a égide da segurança, exista um acervo científico incalculável ainda a ser divulgado.”

Notem a última frase:

“Não surpreenderia que, sob a égide da segurança [militar nacional], exista um acervo científico incalculável ainda a ser divulgado.”

Tal conclusão do autor, Franklin Rumjanek, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, me levou direto as alegações e reivindicações de ufólogos pela a abertura de arquivos militares sobre fenômenos aéreos anômalos e congêneres, como o faz o pessoal ligado a Revista Ufo brasileira.

Sem considerar a possibilidade de que existam arquivos com informações que podem respaldar mais concretamente relatos de Ovnis, independente disso, os ufólogos de fato podem atuar como paracientistas, auxiliando na construção de hipóteses consistentes sobre a vida extraterrestre, as possibilidades de contatos, tipologias de “seres” etc. Sinceramente – é a minha opinião dura –, isso seria uma forma de recolocar (ou reposicionar) positivamente a ufologia, hoje (ou desde sempre!) muito vinculada a ideias e posturas religiosas, místicas, “esotéricas”, sem credibilidade além de círculos de “crentes da nova era” e gente demasiado suscetível a histórias com a da Mula-sem-cabeça...

Para quem quer ler toda a matéria supracitada, segue o link:

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/289/os-paracientistas/view

Lá do alto, eles se aprontam para observar o magnetismo da Terra


Fenômenos fantásticos nos cercam. Literalmente. É o caso do magnetismo da Terra. E tal espanto não é só por sua grandiosidade e origem e funcionamento ainda cheio de mistérios... Já se sabe que tais campos, produto, entre outros, do movimento de quantidades fabulosas de ferro líquido circulando nas partes centrais do nosso planeta, nos protegem de partículas eletricamente carregadas e são indispensáveis na manutenção da vida aqui nesta esfera azul. Assim, tão imprescindíveis quanto a luz solar, a água, os alimentos, o ar... é o magnetismo do Planeta – algo que pouco consideramos/conhecemos e que demonstra a existência de incrível interação de inúmeros fatores que possibilitam a existência humana na crosta terrestre.

O magnetismo, a eletricidade, o eletromagnetismo foram revelações dadas por longo, amplo e metódico trabalho de um sequência de muitos homens e mulheres cientistas. Tais revelações levaram ao desenvolvimento de coisas hoje muito prosaicas, como o rádio, a TV, o celular etc. Além, é claro, da bússola! Esse conhecimento também tem levado a uma compreensão sobre o “funcionamento” do cosmos – para além das cosmogonias religiosas, místicas e pseudocientíficas que, não raro, são propaladoras de obscurantismos, que fecham a mente ao invés de levar-nos sempre a novos horizontes.

Abaixo, segue a reportagem e o link para a matéria do site Inovação Tecnológica sobre a missão que vai aprofundar o mapeamento do campo magnético da Terra. Em anexo, uma ilustração bem bacana dos satélites que fazem parte da investigação e que serão lançados em julho próximo.

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Missão Swarm vai mapear campo magnético da Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 18/02/2012

Escudo magnético da Terra

A missão Swarm (enxame, ou cardume) é uma constelação de satélites de observação da Terra destinados a medir os sinais magnéticos do núcleo, manto, crosta, oceanos, ionosfera e magnetosfera do nosso planeta.

Eles vão fornecer dados que permitirão aos cientistas estudar as complexidades do campo magnético que nos protege.

Essa blindagem magnética protege o planeta das partículas carregadas que vêm com o vento solar.

Sem essa proteção natural, a vida na Terra seria impossível.

Esse escudo é gerado principalmente nas profundezas da Terra, por um verdadeiro oceano de ferro fundido que serpenteia pelo núcleo externo líquido.

Exploradores da Terra

Como o campo magnético terrestre é criado, e como ele se altera ao longo do tempo, é algo complexo e ainda não completamente compreendido.


Esta força está em constante mudança - no momento, ela mostra sinais de um enfraquecimento significativo.

Com uma nova geração de sensores, a constelação Swarm pretende lançar novos conhecimentos sobre estes processos naturais, além de coletar novas informações sobre o clima espacial.

Esta será a quarta missão da série Exploradores da Terra, da agência espacial europeia - as outras são GOCE, que mapeou a gravidade da Terra, o SMOS, mais conhecido como satélite da água, e o CryoSat, o satélite do gelo.

Satélites em formação

Os três satélites da constelação Swarm vão voar em formação, comunicando-se para manter suas distâncias de forma precisa.

Dois satélites vão orbitar muito próximos entre si, na mesma altitude - inicialmente a cerca de 460 km -, enquanto o terceiro estará em uma órbita mais alta, de 530 km.

As diferentes órbitas quase-polares, juntamente com os vários instrumentos a bordo, melhoram a qualidade dos dados coletados, tanto no espaço, quanto no tempo.

Isto vai ajudar a distinguir entre os efeitos de diferentes fontes do magnetismo

FONTE: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=satelites-mapear-campo-magnetico-terra&id=010130120218&ebol=sim


***Me escreveu um amigo:
"Muito interessante. Apesar de um tanto mística, me veio uma questão: será q esta redução do magnetismo em pleno 2012 teria algo a ver com estas mudanças planetárias profetizadas pelos maias? Recém esta semana houve um acidente de trem na Argentina, e ultimamente é notório o acontecimento de desastres naturais - muitos deles creditados às ocupações irregulares feitas por nós, outros em função das alterações climáticas decorrentes da poluição e aquecimento global... Enfim, há indícios para ambos os lados... Não creio em fim do mundo, mas em mudanças graduais, talvez."
E eu escrevi a título de resposta: "O fim do mundo vai acontecer, é certo. Mas daqui uns bilhões de anos, quando o sol entrar em crise dramática, alterando todo o ecossistema da Terra e todo o sistema planetário. Ou todos vamos nos escafeder é com a colisão de um asteroide de grandes proporções, como parece já ter acontecido em eras.
Acidentes como o do trem em Buenos Aires podem ter explicações bem mais prosaicas. Primeiro, o aumento populacional faz com que se tenha uma maior circulação de pessoas por diversos meios de transporte. Mais meios de transporte, mais chances de ocorrerem acidentes. Com o baixo investimento na qualificação, ampliação e manutenção do sistema ferroviário argentino (e etc.), daqui um pouco acontece uma merda dessas proporções. Aqui, por outras das várias excrescências da legislação, que permite superlotação de ônibus, permite gente em pé e sem cinto de segurança – além de veículos em petição de miséria, com dizia minha vó – não raro acontece uma “tragédia” – nada a ver com os maias e o seu calendário cheio de interpretações as mais bizarras, na ânsia de que se tenha alguma base (base?) para se declarar um fim de mundo iminente.
Hoje de novo, descendo o acesso Grasel [Santa Cruz do Sul - RS], vejo que o descuido absurdo com a sinalização de obras (retirada de grande trechos de asfalto) numa rodovia municipal de alta circulação (e grande declives e curvas fechada) pode levar facilmente a um acidente sério. Os índios centro-americanos do século XV e seu calendário não podem ser uma alegação para, em caso de um desastre automobilístico com mortes, a notória e já clássica incompetência da Prefeitura local, que não cobra o serviço correto da empresa contratada, que é paga com grana pública para fazer uma porcaria (com o perdão dos suínos, mais uma vez). Creditemos isso tudo a nossa cretinice cotidiana e não ao Nostradamus, a Maomé, a Virgem Maria, ao Nenéu.
Abraço, meu velho!!!

Um verdadeiro OVNI... até o momento


Abaixo segue notícia da semana passada clipada e divulgada no Jornal da Ciência On-line. É sobre uma “esfera misteriosa” que despencou do céu em uma fazenda no Maranhão. Até o momento é um verdadeiro OVNI - Objeto Voador Não identificado... mas já está sendo identificado – se é que já não o foi completamente nesta altura. Em anexo, uma fotinho do “bicho”.

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JC e-mail 4442, de 24 de Fevereiro de 2012.

Esfera misteriosa cai do céu em fazenda no interior do Maranhão

A suposta queda do espaço de uma esfera de metal com cerca de 30 kg assustou moradores da cidade de Anapurus, no interior do Maranhão. O caso fez sucesso em vários blogs do Maranhão e levou uma legião de curiosos à pequena cidade para ver a "bola" misteriosa. O mais provável é que se trate de lixo espacial.

O objeto caiu em próximo a casas do município, que tem cerca de 13 mil habitantes, na manhã da última quarta-feira. Segundo moradores, antes de cair, a bola ainda teria atingido - e destruído - um cajueiro em uma fazenda. O comandante da Polícia Militar do município determinou que o misterioso objeto fosse levado à delegacia para averiguações. Por meio de sua assessoria, a Aeronáutica afirmou que pretende ir até o local do incidente e recolher o material para estudo.

Gustavo Rojas, astrofísico da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), acredita que a esfera metálica seja parte de um foguete Ariane 4, usado para o lançamento de cargas pesadas pela ESA (Agência Espacial Europeia). Ele consultou a base de dados do Centro de Estudos de Reentrada de Lixo Orbital e verificou que o objeto estava para cair em um local e área compatíveis.

Rojas comunicou o incidente ao centro, que já entrou em contato com a agência europeia. O grupo agora pede mais informações, como o horário exato e a latitude e longitude da queda. "O procedimento correto é chamar as autoridades locais e consultar um especialista para identificar o objeto. É importante fornecer os dados precisos da reentrada porque isso ajuda a previsão de futuras quedas de lixo espacial."

O lixo espacial é um problema crescente, e há milhares de fragmentos orbitando a Terra. Muitos deles são destruídos na reentrada, mas alguns resistem e podem oferecer riscos. Até agora, no entanto, não houve vítimas em acidentes.

(Folha de São Paulo)

FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=81290

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A última fronteira intocada - missão russa chega ao profundo desconhecido


Nosso planeta é, mesmo, surpreendente, cheio de mistérios e revelações. E com fronteiras que ainda estão sendo atingidas, como é o caso do Lago Vostok, na Antártica. Suas águas estão cobertas por uma camada de quatro quilômetros de gelo. Suspeita-se que o manancial está isolado há pelo menos 14 milhões de anos, ou seja, é uma "cápsula do tempo", que pode guardar informações preciosas sobre o desenvolvimento da vida na Terra, revelando elementos e espécies completamente inexistentes na atualidade.

Os cientistas russos apostam que “será um excelente material natural para desenvolver tecnologias, resolver problemas de engenharia e conduzir experimentos voltados para a busca de vida em outros planetas do Sistema Solar.”

E o Vostok não é um laguinho: “tem 20 mil quilômetros quadrados de área e uma profundidade de 740 metros de água líquida”. Um “senhor lago” escondido dos humanos. Não fosse a imensa curiosidade e tecnologia desenvolvida por esses mamíferos bípedes, sobrevivendo na superfície terrestre, talvez o “lago-cápsula” ficasse para sempre assim intocado.

Estima-se que existam, como o Vostok, 150 lagos chamados de “subglaciais”. O glaciologista (estudioso do gelo?) Igor Zotikov foi o primeiro a propor a existência desses mananciais.

A ciência, o pensamento e a investigação científicas têm sido os instrumentos para aprofundar a sabedoria humana e sairmos da ignorância e das superstições, como tanto e tão bem propalou o mestre Carl Sagan. Cabe-nos usar esse conhecimento e intervenção para o bem-comum, e não como meio de poder egoísta e fatal.

Abaixo seguem duas notícias sobre o assunto do lago. A primeira, que saiu hoje na imprensa (Inovação Tecnológica), e a outra, de dias atrás, com informações mais completas sobre a “missão” russa. No alto, uma ilustração com detalhes sobre a localização e profundidade do Vostok.

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Cientistas russos atingem última fronteira intocada da Terra

Redação do Site Inovação Tecnológica - 10/02/2012

Lago Vostok

Aquela que era considerada a última fronteira intocada da Terra acaba de ser tocada.

Cientistas russos anunciaram ter alcançado a superfície do Lago Vostok, guardado há milhões de anos nas profundezas da Antártica, coberto por uma camada de quase 4 quilômetros de gelo.

Valery Lukin e seus colegas do instituto russo AARI (Arctic and Antarctic Research Institute) alcançaram a superfície do Lago Vostok a exatos 3.769,3 metros de profundidade.

Isto está no limite do que vinha sendo indicado por imagens de radar - os cientistas apostavam que a fronteira gelo-água estaria localizada entre 3.730 e 3.770 metros.

Uma primeira decepção ocorreu logo antes, a 3.766 metros de profundidade, quando a sonda encontrou água - mas era apenas uma "lente" de água, e não o lago propriamente dito.

Risco de contaminação

Assim que o lago foi atingido, a água subiu sob pressão por cerca de 40 metros ao longo do furo de sondam, antes de congelar, selando a abertura.

Isto é uma boa notícia em relação às preocupações com a segurança do experimento, mais exatamente com o risco de contaminação do Lago Vostok.

A proposta da equipe russa foi a única aceita, depois de ser avaliada por cientistas de todo o mundo durante mais de 10 anos, onde o principal critério era a segurança na preservação da pureza do Lago Vostok.

Novas formas de vida

O lago foi alcançado nos últimos momentos da campanha deste ano, que agora foi interrompida por causa do mau tempo.

Os cientistas voltarão à Antártica por volta do mês de Setembro, quando as condições do tempo amainarem.

Só então eles ligarão as máquinas novamente para refazer o furo e coletar as tão esperadas amostras de uma era da Terra literalmente congelada no tempo.

Há uma grande expectativa pela descoberta de novas formas de vida, sobretudo bactérias, que não existam em nenhum outro lugar da Terra.

Vários microrganismos já foram encontrados ao longo da perfuração, em várias profundidades.

FONTE: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=cientistas-russos-atingem-lago-vostok-antartica&id=010125120210&ebol=sim



Última fronteira intocada da Terra prestes a ser alcançada

Redação do Site Inovação Tecnológica - 07/01/2011

Vidas desconhecidas

Se algum ambiente da Terra ainda pode ser considerado totalmente intocado, este é o caso do Lago Vostok.

Até hoje "visto" apenas por radar, o lago está escondido nas profundezas da Antártica, coberto por uma camada de 4 quilômetros de gelo.

Os cientistas acreditam que ele está assim, selado e isolado do restante do macroambiente terrestre, aí incluída a atmosfera, há pelo menos 14 milhões de anos.

O que pode haver lá ninguém sabe, mas as especulações incluem formas de vida únicas, que evoluíram de forma independente.

O fato é que, o que quer que viva no Lago Vostok, são organismos muitos antigos - ou, quem sabe, formas de vida totalmente desconhecidas.

Preservação

Mas esse suspense não vai durar por muito tempo.

O Secretariado do Tratado da Antártica, o organismo supranacional que cuida da preservação do continente, autorizou a primeira captura direta de uma amostra de água do Lago Vostok.

Os pesquisadores do instituto russo AARI (Arctic and Antarctic Research Institute) já estão a postos, e esperam que sua perfuratriz atinja o até agora insondável Lago Vostok ainda em Janeiro.

A grande preocupação do Secretariado era evitar qualquer contaminação das águas intocadas do lago.

A autorização foi dada depois que os russos idealizaram uma técnica de exploração bastante engenhosa, em que a pressão da água do próprio lago irá empurrar todo o aparato de perfuração para cima, congelando-se em seguida e selando novamente o Lago Vostok.

Na verdade, a proposta foi feita em 1998. Seguiram-se etapas exaustivas em que especialistas questionavam cada chance de erro do procedimento proposto pela equipe. Mas parece que eles conseguiram convencer a todos.

Fronteira desconhecida

Agora que a autorização foi dada, os pesquisadores russos, sediados na estação que também leva o nome de Vostok, correm contra o tempo, à medida que se aproxima o fim da estação de pesquisas na Antártica.

Segundo Valery Lukin, do AARI, a base do novo poço está agora a 3.650 metros, mais ou menos 100 metros acima do lago.

"Nós primeiro vamos usar uma broca mecânica e [a mistura tradicional de] freon e querosene para atingir 3.725 metros. Então, uma nova cabeça de perfuração termal especialmente desenvolvida, usando um fluido limpo à base de óleo de silicone e equipada com uma câmera, vai passar pelos últimos 20 a 30 metros de gelo."

Embora o Lago Vostok seja bem conhecido a partir de dados sismológicos e de radar, essas informações não são precisas o suficiente para determinar exatamente a que profundidade está a fronteira entre o gelo e a superfície líquida do lago.

Segundo Lukin, em entrevista ao jornal The Voice of Russia, os métodos geofísicos utilizados têm uma margem de erro de 20 metros.

"Assim, a fronteira gelo-água pode estar localizada entre 3.730 e 3.770 metros. Nós esperamos, mas não temos certeza que será possível, alcançar o lago durante esta estação Antártica, porque não podemos avançar mais do que 4 metros por dia, dadas as circunstâncias," relatou.

Com isso, os cientistas não conseguem prever com exatidão quando seu mecanismo automático entrará em ação e trará à superfície as amostras tão esperadas, uma verdadeira cápsula do tempo, isoladas da atmosfera e da biosfera terrestre por milhões de anos.

"Naturalmente, será um excelente material natural para desenvolver tecnologias, resolver problemas de engenharia e conduzir experimentos voltados para a busca de vida em outros planetas do Sistema Solar," completou Lukin.

Lagos na Antártica

O glaciologista russo Igor Zotikov foi o primeiro a propor a existência de lagos abaixo da superfície da Antártica.

Ele estimou que o calor do solo da Antártica fundiria o gelo, e a grossa camada de gelo acima funcionaria como uma espécie de garrafa térmica, fazendo com que a água em estado líquido se acumulasse.

Mais tarde, dados sísmicos e de radar confirmaram a existência de um gigantesco lago abaixo da estação russa Vostok. O lago, que herdou o nome da estação, tem 20 mil quilômetros quadrados de área e uma profundidade de 740 metros de água líquida.

Atualmente já são conhecidos mais de 150 desses lagos subglaciais.

FONTE: http://www.inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=misterios-lago-vostok&id=010825110107

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Tantos olhos... e nada de ETs!


Um novo telescópio está para ser construído no famoso Deserto do Atacama (foto acima), no Chile, financiado por um consórcio de países, onde está o Brasil.

Como diz na introdução da notícia, publicada no site da revista Ciência Hoje:

“O maior e mais potente telescópio do mundo será construído a 3 mil metros de atitude. Com o equipamento, pesquisadores esperam obter imagens diretas de exoplanetas e observar o surgimento e a expansão do universo”.

Já há centenas ou talvez milhares de telescópios escrutinando os céus a partir da Terra. Há também os que estão em estações espaciais e satélites orbitando o nosso planeta, além das sondas viajando pelos confins do sistema solar e indo além. Há, ainda, os radiotelescópios, como os do Projeto SETI.

Isso foi dito várias vezes, mas é bom realçar: embora todos esses “olhos” de alta potência e grande varredura percorrendo diuturnamente o espaço sideral, não se localizou sequer um indício comprovado de vida inteligente compatível ou similar aos humanos ou outros seres biológicos terráqueos. Não é impressionante? Aos ufólogos tem restado apostar na espiritualidade e até no espiritismo, porque, concretamente, palpavelmente, fisicamente (ou quimicamente) não há nada além de hipóteses interessantes e fantasias, algumas delas incorporadas ao folclore da humanidade como contos recorrentes para assustar e divertir.

Quem sabe o telescópio no Atacama possa revelar, enfim, alguma coisa que evidencie de fato a existência de extraterrestres? Mas talvez o físico Marcelo Glaiser (em seu livro “O Universo Imperfeito”) tenha razão: por tudo que as pesquisas e estudos contemporâneos indicam sobre as possibilidades de vida extraterrestre, devemos, paradoxalmente, em meio a gigantesca do Cosmos, considerar com toda a seriedade a tese de que, sim, os humanos podem ser os únicos seres dotados de uma autoconsciência a habitarem o Cosmos ou, ao menos, os únicos em uma vasta parte dele – tão vasta que, enquanto seres condenados a perecer em poucos bilhões de anos, por conta da natural finitude da estrela-mor do seu sistema, jamais poderemos ter a chance de nos defrontarmos e comunicarmo-nos com algum ET...

E assim Humberto Gesinger, vocalista, compositor e músico da banda gaúcha Engenheiros do Hawai, também estava certo, quando disse, na estrofe da canção Infinita Highway:

“Estamos sós e nenhum de nós
Sabe onde vai parar”

Filosofando, ele conclui, na mesma estrofe:

“Estamos vivos, sem motivos
Que motivos temos pra estar?
Atrás de palavras escondidas
Nas entrelinhas do horizonte dessa highway
Silenciosa highway”

Sileciosa e infinita estrada de velocidade estonteante e curvas incontornáveis. Quem sabe para onde estamos indo de verdade?

“Mas não precisamos saber pra onde vamos
Nós só precisamos ir
Não queremos ter o que não temos
Nós só queremos viver
Sem motivos, nem objetivos
Nós estamos vivos e é tudo
É sobretudo a lei
Dessa infinita highway”

Abaixo, o link para a matéria sobre o telescópio.

http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/01/visao-alem-do-alcance

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Apocalypse Now


Bem ao contrário do que dizem os catastrofistas, os apocalípticos, esse pessoal sempre de plantão, apavorado e apavorando outros com alarmes sobre um iminente (agora sim!) “fim do mundo”; dizendo que a humanidade vive um período de violências nunca antes acontecidos, com calamidades, conflitos e mortes absurdamente altos e inigualáveis em toda a história dos seres humanos no planeta; bem ao contrário disso, há muitos indícios de que o que ocorre de fato é o contrário.

Observo que muitos desses “profetas” frequentemente estão de mal com o seu tempo, nostálgicos de uma época de ouro perdida (na sua infância ou num passado recente, às vezes puramente ficcional), e sedentos de um fim para suas angústias e frustrações, desejando, assim, um “choque total”, que “zere” a vida – deles mesmo e de todos os demais (já que, na verdade, “o inferno são os outros”).

Com os meus amigos “adeptos” de “O Fim Está Próximo” costumo contra-argumentar que houve períodos e acontecimentos históricos em que a situação foi muito mais terrível, dramática, “apocalíptica” do que o que assistimos nesses nossos anos de vida, ou seja, as décadas que vão dos anos de 1960 até os primeiros anos da segunda década do século XXI (pela contagem gregoriana, obviamente, e considerando a minha geração). Bastaria imaginar-se em meio aos conflitos vividos por milhões de pessoas nos anos da 2ª Guerra Mundial, por exemplo – campos de concentração, bombas atômicas, ataques de aviões à população civil, fome, desespero, assassinatos em alta escala, crueldades mil.

Mas há quem não se convença e continue aferrado em suas “esperanças” de que “a civilização está nas últimas”.

Pois em entrevista para a revista Veja de 04/01/12, o psicólogo canadense Steven Pinker (foto acima, em uma conferência), pesquisador e professor da prestigiosíssima Universidade de Harvard e autor de vários livros, diz que

“a humanidade passa por seu mais pacífico período histórico”.

Sobre a percepção/sensação de que vivemos, enquanto humanidade contemporânea, em meio a muita conturbação, ele observa que

“A mente humana é vulnerável a enganos e ilusões. Nossas impressões sobre o quão violento e cruel é um determinado episódio devem-se à nossa memória, que sempre é contaminada pelas emoções que sentimos quando presenciamos ou vivenciamos algo.”

Pinker quer evitar conclusões baseadas em “impressionismos”, em opiniões sem fundamento científico, que dão vazão a ideias fantasiosas:

“Com ajuda da alta tecnologia podemos agora não apenas teorizar sobre o grau de barbárie da pré-história, mas estimar com precisão o número altíssimo de pessoas que morriam massacradas por inimigos. Nada autoriza a ideia tão disseminada de que o passado humano foi bucólico, pastoril e pacífico. Há poucos séculos matavam-se pessoas com base em superstições avalizadas pela hierarquia religiosa, a escravidão era oficial e apenas discordar da opinião vigente podia equivaler a uma sentença de morte.”

A consolidação da democracia, do estado de direito, da ciência e do desenvolvimento intelectual – em que pese tantas falhas e desgraças ainda existentes e que tanto nos alarmam – têm diminuído a violência interpessoais e grupais (considerando, proporcionalmente, o tamanho da população humana nas diferentes épocas). Concluir que vivemos “tempos apocalípticos”, onde há um “completo desrespeito na convivência”, pode ser até interessante para tomarmos atitudes que não reforcem isso. Mas objetivamente, considerando um todo e não a nossa própria sensação, afirmar que “é o fim da picada” é alarmismo sem consistência.

Na Wikipedia tem um artigo sobre Pinker, com mais detalhes sobre suas biografia e bibliografia, além de links – até mesmo para a entrevista na Veja:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Steven_Pinker

***Uma citação do autor retirada da entrevista e que achei interessante de um modo bem amplo, além do assunto em questão:

“O cérebro humano evolui de forma a sempre advogar a favor de si próprio. Somos os mais devotos defensores de nós mesmo. A primeira reação ao sermos confrontados com o fato de termos feito algo ruim é tentar nos convencer e aos outros de que aquilo não foi tão grave. A segunda é transferir a responsabilidade”.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Influências em nossa visão

Na linha de “o quanto somos profundamente influenciáveis e suscetíveis a auto-ilusões”, li uma reportagem sobre um estudo da Universidade de Oxford. O título da matéria já sintetiza: “Estudo mostra que beleza está mesmo nos olhos de quem vê”. Um mesmo objeto é visto – e sentido – de forma diferente, acionando zonas cerebrais diferentes, conforme a informação prévia que recebemos ou/e acreditamos. No caso, se tratava de uma pintura dita falsa para alguns, e dita como verdadeira para outras pessoas. “Saber que as obras eram verdadeiras aumentou a atividade na região do cérebro dos participantes relacionada a eventos recompensadores, como provar uma boa refeição ou ganhar uma aposta. Já saber que a pintura não tinha sido feita pelo mestre [Rembrant, no caso] desencadeou uma cadeia complexa de respostas nas áreas de cérebro relacionadas a planejamento e estratégia. Os voluntários [participantes do estudo] contaram que ao verem as supostas obras falsas eles tentaram entender por que os especialistas consideraram que elas não eram genuínas”. Assim, poderíamos dizer que, por exemplo, quem acredita que uma imagem ou história sobre discos voadores é verdadeira, reage de uma forma muito mais empática, sentindo prazer na visão ou narrativa, empolgando-se. Já quem não acredita, mantém-se “frio”, analítico, tentando entender “o que está por trás”.

Enxergamos e nos manifestamos movidos por emoções que se moldam de maneira subterrânea, dependendo de inúmeros fatores. Por isso, tanto nos equivocameos quando não tentamos minimizar os efeitos do “irracional”. Ter em mente esses nossos limites, nossas influências internas é algo básico para nos equivocarmos menos, em menor medida. Sim, porque termos uma percepção "perfeita", "objetiva" é praticamente uma utopia, dada nossa condição biológica inescapável.


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Estudo mostra que beleza está mesmo nos olhos de quem vê


Saber que uma obra de arte é falsa muda a resposta do cérebro a ela, diz pesquisa


RIO - A beleza está mesmo nos olhos de quem vê, diz estudo da Universidade de Oxford. Segundos os cientistas, saber que uma obra de arte é falsa muda a resposta do cérebro sobre o conteúdo visual dela. Primeiro, eles escanearam os cérebros de 14 voluntários enquanto viam obras de “Rembrant”, isto é, algumas genuínas e outras imitações perfeitas feitas por outros artistas. Neste caso, nem os participantes nem seus sinais cérebros puderam distinguir entre as pinturas reais e as falsas.

No entanto, o alerta de que uma obra era autêntica alterou a resposta dos cérebros dos voluntários. O aviso foi eficaz mesmo se a pintura era de fato genuína ou não. Segundo Martin Kemp, professor emérito de História da Arte de Oxford e um dos autores do estudo, ele confirma a percepção de seus colegas, críticos e público em geral de que é sempre melhor crer que estamos vendo obras originais.

- Nosso estudo mostra que a maneira como vemos a arte não é racional, que não podemos nem mesmo distinguir entre dois trabalhos - diz. - Saber que um foi pintado por um artista renomado nos faz responder de maneira bastante diferente. O fato de as pessoas viajarem para galerias e museus ao redor do mundo para ver pinturas originais sugere que esta conclusão é razoável.

Saber que as obras eram verdadeiras aumentou a atividade na região do cérebro dos participantes relacionada a eventos recompensadores, como provar uma boa refeição ou ganhar uma aposta. Já saber que a pintura não tinha sido feita pelo mestre desencadeou uma cadeia complexa de respostas nas áreas de cérebro relacionadas a planejamento e estratégia. Os voluntários contaram que ao verem as supostas obras falsas eles tentaram entender por que os especialistas consideraram que elas não eram genuínas.