Posto aqui cometários pessoais sobre acontecimentos e outras reflexões que ligo à ufologia - pela qual nutro várias simpatias. Com apreensão, observo cada vez mais o interesse e o estudo sobre vida e a inteligência fora da Terra e além da humanidade derivar, dentro dos meios chamados "ufológicos", para as mais tacanhas formas de crendice e superstição, reforçando o obscurantismo, a irracionalidade, o fundamentalismo religioso e a pseudociência.
segunda-feira, 19 de agosto de 2013
Novas formas de religião
O assunto é futebol, mas poderia ser ufologia, já que muita gente tem projetado em discos voadores e ETs uma forma de buscar uma transcendentalidade:
Fim de semana na casa do seu Zé, aproveitei para, como sempre faço, passar os olhos no diário municipal. Muito me chamou a atenção um anúncio daqueles típicos, agradecendo o apoio nos atos fúnebres e convidando para a missa de sétimo dia. Típico não fosse um “detalhe”: ao invés das clássicas cruzes (no caso de judeus, seriam estrelas de Davi), estava estampada o distintivo do clube de futebol do fi...nado – na mesma posição dos símbolos religiosos, sendo o fundo da nota nas cores da bandeira do time.
Não vai aqui crítica alguma aos familiares e amigos que publicaram a nota. Simplesmente destaco a relevância, o lugar alcançado pelo futebol, ou melhor, pelas agremiações futebolísticas na vida – e morte! – das pessoas. Ao ponto de tomarem o lugar da tradicional filiação religiosa – no caso mais comum na nossa região, o cristianismo, simbolizado no crucifixo e suas derivações.
O clube tornou-se fundamental na identidade de uma massa cada vez maior de pessoas. Uma razão de existir e que é (supostamente) levada para o transcendental, para o “além”.
Interessante que, apesar do meu sobressalto, percebi que as pessoas não pularam da cadeira ou, mesmo, franziram a testa ao olharem o anúncio...
Já havia mencionado algo do gênero, quando li uma notícia de que um menino, de seus 10 anos, ao morrer de uma grave doença, foi sepultado acompanhado... não por um rosário ou algo assim, mas pela bandeira do seu time de futebol...
São tempos de crise, realmente, de instituições milenares. Mas a necessidade de identificações coletivas, que implicam em muita “devoção”, continuam presentes, agora migrando para outras formas de “culto”, suplantando antigos costumes.
* Sim, para um agnóstico como eu, sempre curioso e aberto ao debate, a mudanças de pensar, esta é uma questão fascinante: o desejo de perpetuação e as formas de buscar isto.
** Aproveito para acrescentar que outra coisa que já me chamava e ainda chama a atenção: os anúncios de nascimento, onde os pais já impõe uma filiação ao mesmo tempo ao futebol e a um clube determinado – como se o bebê já estivesse “obrigado a curtir” o esporte e, mais ainda, a ter uma identidade, um “lado” definitivo, talvez para até depois da morte! É um “direito” que os pais se arrogam, assim como a filiação religiosa, definida num batismo que a criança não tem consciência alguma (lembrando que Jesus, bem ao contrários de muitas de nossos crianças, teve escolha e foi batizado [ou rebatizado, sendo judeu] já bem adulto, pelo primo e profeta João Batista, no mítico Rio Jordão, lá no Oriente Médio).
*** Outra coisa a se pode considerar no assunto: quando a identificação ao Inter ou Grêmio ou Flamengo ou Corinthians ou Cruzeiro ou Bahia etc. começa a equivaler a filiação religiosa Católica, Luterana, Espírita, Umbandista, Judia, Muçulmana, Budista etc., ou seja, a uma adesão a crenças sobre a vida e a “pós-vida” (e “pré-vida”), ou seja, a eternidade, podemos estar gerando uma adesão sectária, “fundamentalista” a uma “igreja” (brigas, guerras de torcida talvez sejam indicadores do lado perverso deste tipo de identificação intensa); no mínimo, estamos num caminho obscuro, quando o futebol e o time para quem torcemos toma uma importância, uma proporção imensa em nossas vidas, inclusive naquilo que dá sentido ou um sentido que se perpetua, ou seja, o transcendental – o que transcende a nossa “existência terrena”.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Feriado de sangue - aonde nos levam as crendices
Sobre ao último feriado do dia 30 de maio (2013), li uma nota na imprensa que o Corpus Christi se relaciona a um “milagre” ocorrido em 1263 na localidade italiana de Bolsena. Um padre alemão em peregrinação, descrente do dogma católico de que Cristo está presente na hóstia, viu-a “sangrar”, inclusive manchando a toalha do altar, enquanto o sacerdote duvidoso rezava uma missa por lá. Emissários papais teriam confirmado o fenômeno. Na cidade vizinha, Orvieto, onde o pontífice Urbano IV residia, foi exposta a hóstia sangrada, criando-se também uma festividade para marcar o “acontecido”, assim nascendo a tradição comemorativa que propagou-se por todo o mundo católico, assim como um sem número de “histórias extraordinárias”.
Parece-me algo um tanto (um tantão!) macabro isso de verter sangue de uma hóstia... E além do muito improvável (para não dizer completamente fantasioso) transformado em “fato oficial” de abrangência planetária, levado muito a sério – inclusive tornado feriado nacional no catolizado Brasil –, há o reforço do aspecto canibalístico do ritual da eucaristia: o “comer o corpo de Cristo”, que, em certos casos, como lá em Bolsena, há 750 anos, implica não só deglutir simbolicamente a carne, mas também literalmente o sangue de Jesus. Aliás, na falta do sangue real, há o vinho tinto, bebido pelos padres nas missas...
Interessante que o aspecto canibal e outros aspectos sanguinolentos do cristianismo romano (há também milagres que implicam chagas, cruzes e estátuas vertendo sangue etc.), tais alusão a antropofagia, a dores e ferimentos profundos não causam incômodos em muita gente, enquanto estas mesmas pessoas acham um “horror” rituais onde aves e outros animais são “sangrados” para (supostamente) estabelecer contatos transcendentais.
Particularmente, e em certa medida, eu prefiro o sacrifício e a dor simbólicas dos católicos do que a expiação ou consubstanciação de algo através da tortura e morte “terceirizadas” em galinhas, pombos, cabras, cordeiros etc. para o atendimento de demandas e preceitos desse primata inventivo e cheio de empáfia autodenominado humano. Em todo o caso – sejamos católicos, umbandistas, espíritas, judeus, muçulmanos, seisho-no-ies, teósofos etc. –, estamos diante da mesma necessidade de sermos algo mais além do que componentes inseparáveis de um planeta rodeado da mais aterradora escuridão, que nos faz cantar e contar histórias que nos apaziguem em nossa fome e desespero atávicos.
*** Sim, Jesus na cruz é um culto ao sofrer – pregos enormes, mãos furadas, ossos quebrados, coroa de espinhos, vinagre na boca, estocadas de lança, sangue correndo, rosto crispado; um filme de horror completo, prato cheio para masoquistas e sádicos! Um Cristo Solar me parece bem mais edificante. Mas num mundo com tantas disparidades, com poucos com tanto e a massa vivendo a pão e água, é preciso alguma justificação (“Jesus também sofreu!”) e “recompensa” para tanta resignação (a bonança pós-morte depois de uma vida em meio à tempestade inclemente). Compaixão e cooperação parecem ser a essência das mensagens religiosas tradicionais. Mas parece que tudo vira do avesso e nos tornamos sectários odiosos, prontos a esfaquear literal ou metaforicamente quem discordar da “A Verdade”...
***Outra coisa que me ocorre é, comparando eventos fantasiosos e lendários, uma situação onde o "avistamento" de uma Mula-sem-cabeça pudesse transformar-se num feriado nacional... Pareceria absurdo, né? Mas isso de uma hóstia verter sangue não é igualmente algo impossível que se torna "uma verdade incontestável"?!
Ele já esteve em mundos abissais, e agora estará em Santa Cruz do Sul para falar sobre o que aprendeu por lá
Pessoal,
Neste “Planeta Água”, quase erroneamente chamado Planeta Terra, há muito a se descobrir, compreender e, mais que tudo, a se proteger da devastação, fatal para incontáveis vidas vegetais e animais, incluindo o próprio primata autodenominado ser humano, o principal responsávei por tantos barabarismos contra o ecossistema global. Assim, não acho recomendável esperarmos algum disco-voador ou santo extraterrestre para assumir algo que depende da ampla conscientização e ações concretíssimas de nós mesmo, terráqueos "sapiens".
Uma das grandes figuras mundiais da proteção do oceanos e demais mananciais de água e vida aquática é Jean-Michel Cousteau, filho do lendário oceanógrafo francês e documentarista Jaques Cousteau. Pois Jean-Michel, que participou das expedições de seu pais desde os sete anos de idade, continuando e ampliando sua obra pioneira, estará aqui em Santa Cruz do Sul, na Universidade de Santa Cruz – UNISC –, na semana que vem, dia 18 de junho de 2013.
Para mais detalhes sobre Jean-Michel-Cousteau e suas atividades aqui em Santa Cruz, acesse o endereço:
http://www.unisc.br/site/palestra-jean-michel-cousteau/
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Uma curiosidade sobre o pai do palestrante:
Jacques-Yves Cousteau foi tema de um álbum do compositor e tecladista, pioneiro da new age e da música eletrônica pop, Jean Michel Jarre, também francês. Lançadas em 1990, homenageava Cousteau em seus 80 anos de vida e seu ativismo ambiental que atingiu milhões de pessoas pelo mundo afora (programas de TV, documentários, palestras, reuniões com personalidades mundiais etc.). São quatro faixas, uma delas, “Waiting for Cousteau”, também título do disco, possui quase 47 minutos (as outras – mais três faixas – em torno de 7 minutos cada uma).
A canção “Waiting for Cousteau” pode ser acessada no seguinte endereço:
http://www.youtube.com/watch?v=pH2UxxdXAfg
O músico Jean Michel Jarre também se celebrizou por espetáculos ao ar-livre e temáticas humanistas e ambientais de seus álbuns e shows, demonstrando o seu engajamento. A Wikipedia registra algo derivado de suas ligações a preocupações planetárias:
“Em 1986 ele trabalhou num concerto com a NASA: o astronauta Ronald McNair iria tocar o solo de saxofone da música Rendez-Vous VI enquanto estivesse em órbita no Ônibus espacial Challenger3 , enquanto os seus batimentos cardíacos seriam usados como amostras de som na mesma música. Esta seria a primeira música gravada do espaço, a ser incluída no álbum Rendez-Vous. Após o desastre com a espaçonave Challenger em 28 de Janeiro de 1986, a música foi gravada com outro saxofonista, recebeu o nome de Last Rendez-Vous - Ron's Piece e tanto a música, como o álbum foram dedicados aos astronautas mortos no acidente com a Challenger. Ele [Jean Michel Jarre] é um Embaixador da Boa Vontade da UNESCO, dedicado à causa da cultura, informação e liberdade” (em http://pt.wikipedia.org/wiki/Waiting_For_Cousteau).
A discografia, além de dados profissionais e biográficos de Jarre, podem ser acessados por aqui:
http://www.allmusic.com/artist/jean-michel-jarre-mn0000230593
***Comentário de um amigo:
Para completar, concordo plenamente e irrestrita com teus argumentos do primeiro parágrafo [da mensagem acima], pois se fala muito aos quatro cantos do mundo (os esotéricos), mas tambem em grupos ufológicos, que os extraterrestres VÃO SALVAR o planeta Terra. Acho isso inconcebível, pois quem tem consciência dos danos que a fauna e a flora sofrem todos os dias do ano, e só procurar por estas informações de notícias em qualquer lugar do planeta, que encontrará. [...] São atitudes de humanos, e não ETs, que vão salvar a vida na Terra, de pessoas gananciosas e alheias para com o respeito próximo. Certa ocasião, uma amiga, que já pertenceu a grupos ufológicos, deu seu parecer respondendo com críticas duras essa mentalidade de esperar que os ETs de luz estão cuidando de nós para que o planeta não seja agredido. Óra bolas... há décadas que coexistem a devastação e a negligencia por interesses excusos.
N.
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Mestres com os pés no mundo e cabeças ousadas
Aproveitando uma troca de e-mail com os mestres Rafa Amorim e Nelson, compartilho também com vocês a minha empolgação, continuando minhas pesquisas sobre a vida e as expedições do norueguês Thor Heyerdhal.
É algo de um fascínio sem fim. Seis amigos, numa jangada feita totalmente de toras, taquaras, cipós, folhas de palmeira tenham, durante mais de 100 dias, atravessado da costa do Peru à Polinésia, tudo para mostrar a viabilidade da teoria do povoamento de nativos sul-americanos, que, com sua tecnologia de navegação – aparentemente rústica, extremamente eficiente –, conseguiram navegar milhares de quilômetros mar adentro, num período que recém se saía da traumática 2ª Guerra Mundial. Thor estava contrariando a ideia vigente de que a região do Taiti teria sido colonizada por asiáticos, jamais por peruanos pré-colombianos. O sucesso da travessia abalou fortemente convicções.
A aventura não foi só a transposição oceânica em si, mas a organização de uma empreitada daquela envergadura e ousadia, que começa como uma ideia que muitos consideraram estapafúrdia, totalmente insana, uma temeridade, um atirar-se à morte certa e sem sentido.
Na Wikipédia, falando sobre o falecimento de Thor, anotaram assim:
“Thor Heyerdahl morreu em 18 de abril de 2002 em sua casa na Itália depois de 87 anos dedicando sua vida às descobertas dos enigmas da humanidade.”
Poxa! Uma vida dedicada aos “enigmas da humanidade”. Não é algo fantástico? Poder devotar uma longa vida a buscar entender os mistérios que nos rodeiam – e nos compõem enquanto seres indagadores, imersos numa complexidade avassaladora.
Thor Heyerdahl é alguém para se admirar e tratar como um verdadeiro mestre – sem mistificação, sem se ajoelhar; um mestre que estimula a usar toda a nossa habilidade humana para raciocinar, refletir, intuir, se emocionar e “fazer acontecer”.
*Na ilustração anexa, mais uma vez o Kon-Tiki, embarcação usada pela mencionada expedição de Thor Heyerdahl.
**Complemento: Triste é a pessoa perder a curiosidade – aquele impulso infantil de querer saber tudo, temperado, na adultez, pela experiência e prudência que evitam circunlóquios e armadilhas piores. Uma lástima que tantas coisas nos prendam em nossa pacatice. Acho que Thor Heyerdahl, por uma série de circunstâncias, escapou do ordinário, e viveu uma vida extraordinária em seu pleno significado.
Na busca de informações do nosso “amigo”, achei aqui na biblioteca da universidade a sua autobiografia “Na Trilha de Adão: memórias de um filósofo da aventura”, editada pela Companhia das Letras em 2000.
É um livro muito interessante, porque, acaba por ser um síntese de todas as empreitadas do norueguês, além de trazer muitos detalhes da sua vida e do mundo onde viveu, ou seja, praticamente o século XX.
Ainda estou lendo-o. Na página 22: ao cometerem que ele ter sido uma pessoa de sorte, Thor anota:
“A pergunta não é como ter sorte, mas como evitar a falta dela.”
sexta-feira, 22 de março de 2013
Somos animais - nem mais nem menos do que animais
“Acima de tudo, deve-se salientar que não há nada de insultante em olhar as pessoas como animais. Afinal de contas, SOMOS animais. O Homo sapiens é uma espécie de primata, um fenômeno biológico dominado por regras biológicas, como qualquer outra espécie. A natureza humana não é mais do que um tipo particular de natureza animal. De acordo, a espécie humana é um animal extraordinário; mas todas as outras espécies também são animais extraordinários, cada uma à sua maneira, e o observador científico de homens poderá trazer muitas revelações novas ao estudo dos assuntos humanos se conseguir conservar essa atitude básica de humildade evolucionária.”
Aí está. É o parágrafo final da introdução de “Manwatching – A field guide to human behaviour” (traduzido no Brasil como “Você – Um estudo objetivo do comportamento humano” ”, editora Círculo do Livro S.A., São Paulo, 1977), do zoólogo britânico Desmond Morris (autor também do “O Macaco Nu”, obra bem mais afamada, cuja capa de uma edição em inglês está como ilustração acima). As palavras mencionam uma perspectiva que tem me empolgado. Primeiro, porque nos “baixa a bola” – não somos mais (nem menos) do que animais. Uma perspectiva zoológiaca ao invés de antropológica (e/ou antropocêntrica) – ou seja, nós, animais, vertebrados, mamíferos, primatas, nos vendo como... animais, e não como algum ser que está acima biologia, “O HOMEM” – em letras maiúsculas e entre aspas, para ressaltar nossa auto-magnificência –, como se estivéssemos fora da condição de ser biológico; como se fôssemos anjos, querubins ou outras figuras míticas – seres que viveriam pairando além de toda a história astrofísica do cosmos e do longíssimo e complexo processo evolutivo, o qual Charles Darwin começou a esboçar, reforçando-se cada vez mais pelos conhecimentos trazidos pela arqueologia, paleontologia, genética, das profundezas das células e, até, dos átomos.
Isso poderia também nos falar dos limites de nossos poderes – o poder de pensar, inclusive. Talvez aí esteja porque imaginamos ETs como humanoides ou, ao menos, na forma de algum tipo de animal. Simplesmente não temos capacidades cognitivas para lidar com outras possibilidades de vida ou inteligência. Apenas montamos o mundo como nossos cérebros conseguem operar – assim como uma criança de cinco anos, em 1970 (é o meu caso), imaginava que as vozes e músicas do rádio eram produzidas por minúsculas pessoas dentro do aparelho receptor (aquela caixinha mágica, com botões, ponteiro, luzes etc.)... São os limites de compreensão, de elaboração mental própria da infância – limites que continuam existindo, em outras medidas e formas, mesmo agora, quando já somos adultos.
Não é nada fácil vencer esse antropocentrismo, essa autoidolatria humana, esse sentido de que somos o centro de tudo, do universo. Difícil, talvez, porque está na nossa própria base genética, como um mecanismo de preservação e reprodução da espécie humana.
quarta-feira, 13 de março de 2013
Conexão Ufo - O fim do mundo virou samba
Dia desses voltei a lembrar, saudoso, do programa de rádio, aqui em Santa Cruz do Sul, o “Conexão Ufo” – criado pelo Rafael “Bala” Amorim e pelo querido Xuxu, que já atuava na emissora – a Rádio Comunitária, FM 105,9MHz.
Várias pessoas participaram da empreitada ao longo da trajetória do programa, sempre capitaneada pelo Rafa. Lembro aqui do Alexandre Fox, que, com sua ponderação característica, dava um lastro técnico ao programa, além de emprestar sua indignação opinativa em relação, por exemplo, aos descalabros em nossa República das Bananas.
No programa, eu fazia alguns comentários, ao estilo desses mails que envio para lista – e posto no blog “Alerta Ufo Brasil”. Aliás, o blog é consequência da minha impossibilidade de continuar no programa, hoje, lamentavelmente, em hibernação. Pois acabei criando o espaço na web para continuar com minhas xaropadas.
Bom, lembrei do “Conexão” porque fiz uma limpa em minhas pastas de clipagens, que usava como mote às minhas “intervenções” no programa. Ao longo de cerca de três/quatro anos, “juntei” umas dez pastas bem cheias de recortes de jornal, páginas de revistas, folhas impressas de matérias tiradas da internet e anotações sobre uma variedade de assuntos. Me dei conta do quanto era diversificada e rica a nossa (do grupo todo) “abordagem ufológica” no Conexão, onde falávamos até de...
SAMBA!
Lá por março de 2009, trouxe uma matéria sobre uma composição do baiano, radicado no Rio de Janeiro, Assis Valente (na foto acima), chamada “E o mundo Não se Acabou”. Foi composta em 1938, mesmo ano em que Orson Welles causou pânico nos EUA ao veicular na forma de um radioteatro “A Guerra dos Mundos”, ficção aterrorizante de H.G. Wells, como ressaltava o jornalista Renato Mendonça (Segundo Caderno do jornal Zero Hora, de 10/03/2009).
Usei a matéria para falarmos MAIS UMA VEZ sobre profecias e outras fajutagens apocalípticas... A letra se refere a um rapaz, que acaba, por conta de que “anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar”, se metendo em várias confusões, que ele terá de resolver, já que nenhuma catástrofe ocorreu e o planeta continuava em seu giro corriqueiro...
Obviamente que a canção é uma “tiração de sarro”. Já nos anos de 1930 pessoas suficientemente crédulas se apavoravam com vaticínios de profetas do Armagedom.
No campo da ufologia temos vários exemplos desses tipos de pregadores – alguns apenas cômicos, alguns outros, trágicos, por conta de morte de pessoas, caso de suicídios coletivos, à espera de resgate por discos voadores...
Mas voltando ao samba, muitos de nós conhecemos canções de Assis Valente. Ele é autor de “Cai, cai Balão” e Boas Festas (“Já faz tempo que eu pedi / Mas o meu Papai Noel não Vem...”). Abaixo, seguem a letra e o samba na interpretação de Carmen Miranda, que gravou outras composições do mesmo autor (vale também pelo vídeo, que traz trechos de vários musicais da rapariga das frutas tropicais na cabeça).
Até!
Iuri
**************
Carmem Miranda interpreta O Mundo Não se Acabou, de Assis Valente:
http://www.youtube.com/watch?v=5GxA4Elbx80
Letra:
O Mundo Não Se Acabou
Assis Valente
Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disso a minha gente lá de casa começou a rezar
E até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disso nessa noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei na boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
Chamei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora eu soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou
segunda-feira, 11 de março de 2013
A façanha de Thor Heyerdahl - a ciência como uma aventura
Vocês já devem ter ouvido falar do cientista-explorador norueguês Thor Heyerdahl. Entre outras façanhas, a mais famosas foi, em 1947, a de ter comandado uma jangada que saiu do Peru até a Polinésia, dando sustentação à evidência de que houve uma migração, via mar, de povos pré-colombianos da América do Sul a arquipélagos em meio ao Oceano Pacífico, caso do Thaiti.
Pois tal feito virou filme, “Kon-Tiki” (nome da embarcação, em referência a um deus Inca) esteve concorrendo ao Oscar. Um treiler está no link abaixo no Youtube:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=rUnmjQJHRP4
Na matéria que saiu no site da revista Ciência Hoje é dito o seguinte, numa separata da matéria:
“Houve um tempo em que ser cientista era, entre outras coisas, lançar-se a temíveis jornadas de exploração. Essa espécie de ciência-aventura era típica nos séculos 18 e 19, tendo perdurado com razoável vigor até princípios do 20 – afinal, a Terra ainda não havia sido inteiramente explorada. Foi a época áurea dos grandes naturalistas, como Alexander von Humboldt (1769-1859), Alfred Wallace (1823-1913), Johann Baptiste von Spix (1781-1826), Carl von Martius (1794-1868), entre tantos outros. Eram homens de saberes ecléticos, representantes de um tempo em que a ciência ainda não havia sido domada pela ditadura epistemológica da fragmentação do saber.”
A matéria inteira, com vários detalhes sobre “o zoólogo, geógrafo e etnógrafo Thor Heyerdahl” pode ser acessada no seguinte endereço:
http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2013/02/a-epica-travessia-de-thor-heyerdahl
Talvez o filme seja um antídoto ao modo burocrático e comercialesco que boa parte das pesquisas científicas caíram, desestimulando muita gente, jovens, principalmente, que já não vêm aventura alguma em buscar conhecimentos, criar teorias e testar hipóteses.
Além do filme, existe em português o livro “A expedição Kon-Tiki ”, escrita pelo próprio Thor. Pelo que pude ler (e ver pelas fotos), é uma leitura excelente.
Fica a dica de pesquisa, filme e livro.
* Na imagem (divulgação) em anexo, Thor datilografando a bordo da jangada, a embarcação Kon-Tiki, navegando no Pacífico.
** Thor foi, mesmo, um “cientista a moda antiga”, quando buscar o conhecimento era uma aventura que envolvia as “entranhas” e um amplo saber, além de uma imensa curiosidade, antes de tudo, aliás.
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