segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Não, o homem não foi a Lua... mas lobisomem existe, sim!


Pessoal,

Segue o meu comentário, aproveitando os 40 anos da última “descida” de astronautas americanos na superfície lunar, que vai se completar no mês de dezembro (se é que o mundo não vai pro brejo antes – hehe!!). “Descida” esta que tem despertado muitas polêmicas, com uma corrente acreditado que houve uma grande falsificação da tal presença humana no satélite natural da Terra.

Aceito contrapontos!


Há quase 40 anos atrás, em dezembro de 1972, encerravam-se as missões do projeto Apollo. “No total, foram feitas onze missões tripuladas no projeto Apollo, e seis delas pousaram na Lua, no total de doze astronautas que caminharam no solo lunar e lá fizeram experimentos científicos", registra a página em português da Wikipédia (indicação abaixo).

Além das missões específicas Apollo (começando pela fase de testes da Apollo 1, 4, 5 e 6), houve 20 (vinte) anteriores, que também testaram várias situações e equipamentos, aperfeiçoando as condições para as expedições lunares tripuladas e a descida na Lua, além de duas posteriores, antes da desativação completa do projeto Appolo – projeto este levado pela Nasa com extremo sucesso e grandes avanços tecnológicos e no entendimento astronômico, da formação planetária etc. (Outro sucedâneo é o próprio despertar do movimento ecológico e da internalização de uma visão global dos problemas humanos, ao se ter registros da “bolinha azul” lá do alto, fotografia que correu o mundo, tirada na última missão na Lua, a Apollo 17; não havia mais dúvida sobre a situação que vivíamos: um belíssimo planeta em meio ao inóspito e infinito espaço.)

Não há mistério maior na desativação do programa, já que a “Corrida Espacial” estava praticamente vencida pelos EUA e as prioridade político-econômicas mudavam no desenrolar dos anos de 1970. No artigo sobre a quase trágica missão Apollo 13 publicado no livro “1001 Dias que Abalaram o Mundo” (editora Sextante, 2009), há um parágrafo que sintetiza a questão:

“As missões à Lua foram determinadas por razões fundamentalmente políticas, num momento em que os Estados Unidos pareciam estar sendo vergonhosamente ultrapassados pela União Soviética na exploração do espaço. No entanto, a melhoria das relações americano-soviéticas – para não falar dos custos crescentes – levou os Estados Unidos a reavaliarem seu programa espacial. As missões lunares foram encerradas depois do retorno bem-sucedido da Apollo 17, em 1972.”

As “teorias da conspiração” muitas vezes parecem se focar na missão Apollo 11 (quando se trata, como dissemos, de um programa muito mais amplo); os adeptos acham improvável um nível tecnológico para a chegada de humanos na superfície lunar. Não consideram a enormidade dos recursos investidos e esforços científico-tecnológicos e a diversidade das evidências da “alusinagem” de homens na Lua a partir de 1969 – num total de 12 pessoas pisando o solo lunar em 6 missões tripuladas, como já mencionando. A “manipulação da Nasa” deveria ser altamente complexa e envolver milhares (ou milhões) de registros – incluindo filmes, fotos, objetos, documentos etc. Me parece até insano tala nível e volume de manipulações. Quantas pessoas teriam que guardar segredo? Algum astronauta ou técnicos, entre centenas envolvidos no longo projeto Apollo, “desconfirmou” o pouso na Lua? A agência espacial da União Soviética (Roskosmos) denunciou alguma falcatrua? Vão me dizer que o complô envolve EUA e URSS?

Particularmete, fico pensando qual é a avaliação dos “conspirativos” quando estão a bordo de um Boing 747 ou Airbus A380, que pode carregar 845 passageiros, numa altitude 15 mil e 200 metros, atingido 970km/h, atravessando os céus de Londres a Buenos Aires em poucas horas (como é o caso de uma das rotas aéreas que observo todos os dias lá da minha casa)? Acham isso improvável também? Trata-se de alguma enganação? Uma indução por meio de alguma droga que aplicam nos passageiros, fazendo-os sonhar que viajaram dessa maneira? Não percebem que voar num avião assim é apenas uma amostra das possibilidades da tecnologia humana já desenvolvidas? Não assistem TV via satélite? Ou satélite é outra baboseira para enganar os trouxas? Ora, a tecnologia usada nas missões Appolo eram tão de ponta, sem necessidade de viabilizá-las comercialmente, com fins militares em primeiro lugar, que ainda hoje não foram superadas.

Francamente... Acham-se sombras e outros elementos supostamente contraditórios em imagens de astronautas na superfície lunar, e tais imagens duvidosas – quem sabe, estas, sim, manipuladas – acabam convencendo muitos de que, “definitivamente o homem não foi a Lua” – mas, ao mesmo tempo, muitos destes mesmos “o-homem-não-pisou-na-lua” têm plena certeza da existência de lobisomens e mulas-sem-cabeça...

Não que não haja uma gama de coisas a que somos induzidos a acreditar; não que não existam enganações. Mas acho que é necessário se pesquisar muito e buscar sempre informações fidedignas, não caindo no sensacionalismo barato, fruto de má-fé ou da mente doentia.


* Na Wikipédia em português tem um bom apanhado sobre a projeto Apollo, que recomendo como dados confiáveis, com boas referências comprováveis e vários hipertextos e links complementares:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Projecto_Apollo


** Sobre a Teoria da Conspiração, há um bom e resumido apanhado no portal Terra:

http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/homem-na-lua/teoria-02.htm


Abraços!

Iuri


# Como eu disse, não dá para ser ingênuo e achar que não há um jogo medonho por detrás de muitas coisas. Há hipótese bem interessante. Particularmente, nunca tive muita paciência para ver os “erros” nas fotos e vídeos. Suponho que vários “erros” podem ser plantados por pessoa que, não sei bem porquê, tem um gosto especial em burlar e “inventar histórias”. E o que era uma “brincadeira” se torna uma polêmica com ares de seriedade.

## A essência prece ser esta: alguém faz uma brincadeira, como a de "inventar" um "registro antiguíssimo de discos voadores em uma caverna", que se torna um “mistério” e que alguns (ou muitos) passam a dar alto crédito, mesmo diante da fragilidades das evidências. E disso pode surgir até uma nova igreja!

### Esses dias fiquei perturbado pelo envio de um daqueles e-mails "TU DEVES REPASSAR AGORAAAARGHH!!!”, sob pena de te acontecer alguma desgraça. Minha perturbação ficou por conta de quem estava me enviado aquilo: uma pessoa com doutorado e professor universitário... Vai o comentário que fiz na ocasião:

Aí está o e-mail [não está reproduzido aqui neste post]...

Começa por dizer que se trata de uma foto, quando é um desenho – obviamente de Jesus, conforme o estereótipo. Interessante que essa figura, que representa o amor incondicional, a bondade encarnada, a suprema compaixão... caso tu não a repasses, desencadeará uma grande desgraça na vida do preguiçoso, desatento ou cético internauta...

Referências como a de ter aparecido "até no Fantástico", um presidente da Argentina, uma pessoa chamada Alberto Martines (imaginei-o um mexicano ou costa-riquenho)... a referência a "o poder Ele tem", "milagres", ganhar na loteria, o prazo de "13 dias"... tudo isso me espanta pela superstição, o obscurantismo envolvidos; a crendice mais simplória e, aí é o ponto, ao que parece, compartilhada por pessoas com doutorado, profissionais bem remunerados da área da educação superior... Não, não é exatamente (ou somente) uma crítica: é uma vontade de entender o que está acontecendo... Me parece, também, um contradição - algo que se choca ao propósito do saber desenvolvido nas academias, no ensino e pesquisa universitárias, que, acho eu, justamente se estabelece para não sermos submetidos pela irracionalidade (mesmo que se possa dizer que o humano seja por natureza 98% irracional, e coisas como a religião não sejam necessariamente ruins, um mal, mas estratégias de conforto e compreensão do mundo aparentemente caótico em que vivemos).

Tem um cara que se chama Michael Shermer, articulista na Scientific American (já vi uns pedaços de palestras dele no Youtube) e editor de uma outra revista famosa, a Skeptic Inquirerer. Bem, ele diz que "sua intenção não é subestimar as pessoas que acreditam em 'coisas estranhas', mas sim entender por que elas acreditam" naquilo, sem cair num "dogmatismo científico". Nessa questão da "Foto de Jesus" eu estou por aí.

Outro ponto que também me surpreende, aí de um modo mais geral, é a nossa “alienação tecnológica” – e que levam pessoas a repassar mensagens que julgo estapafúrdias. Usamos inúmeros e sofisticados artefatos tecnológicos – eletrônicos, computacionais e mecânicos especialmente – sem que tenhamos uma noção ao menos básica da complexidade dos conhecimentos e habilidades humanas consubstanciadas num ato, por exemplo, de enviarmos uma mensagem via internet, anexando uma imagem ou vídeo; ou no ato de atendermos nossa mãe no celular, enquanto estamos nos deslocamos no elevador do aeroporto, onde embarcaremos numa viagem sem escala em um avião Airbus A380 de Porto Alegre até São Paulo... subjazem quase completamente esquecidos aí uma gama de fórmulas físico-matemáticas, química fina aplicada e de tantos outros conhecimentos gerados pela metodologia científica; parece que nos mantemos como crianças crédulas, despachando mensagens de um conteúdo confuso e do maior obscurantismo, da maior desconsideração aos conhecimento das diversas ciências – incluindo as humanísticas (caso da sociologia, ciência política, antropologia etc.)...


Uma ligeira leitura do texto deveria ser suficiente para alertar-nos sobre sua precariedade. E onde se esperava a sensatez, por se tratar de pessoas que trabalham em uma universidade, reduto da reflexão metódica e exaustiva, o que se vê, porém, é a mais rasa credulidade...


Há em nossas vidas uma crucial contradição, resultado do uso alienado, do “analfabetismo científico”, que nos mantém apenas na superfície, nas “interfaces” dos aparatos tecnológicos  – o teclado do celular, da tela do computador, do controle remoto da TV, da direção do automóvel, da poltrona do avião, do creme vegetal sobre a fatia do pão de sanduíche etc. parece que não temos estímulo para entender “o que está pro trás”, qual a “magia” que está ali... Por certo isso exige um certo esforço intelectual (talvez aí esteja um dos nós da questão...), mas tal empenho revelaria que não há magia propriamente, mas um preciso funcionamento derivado de um enorme esforço acumulado de saberes.

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